Grupo dos EUA ligado a Flávio Bolsonaro explora terras raras na Bahia

Crédito: brasil247.com
Uma rede empresarial conservadora dos Estados Unidos associada a aliados da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) aparece conectada a investimentos no setor de terras raras que chegam a direitos minerários no sul da Bahia. Segundo a apuração, o caso amplia o alcance político e econômico das discussões sobre minerais críticos no entorno de Flávio, que já havia defendido publicamente o papel do Brasil no fornecimento de terras raras aos Estados Unidos.
O elo central é o 1789 Capital, fundo criado por integrantes da Rockbridge Network, grupo que reúne empresários conservadores nos Estados Unidos. Donald Trump Jr., filho mais velho do presidente norte-americano Donald Trump, tornou-se sócio da gestora após a eleição presidencial de 2024 nos EUA. A proximidade entre o investimento privado e a liberação de recursos públicos provocou questionamentos nos Estados Unidos sobre possível conflito de interesses.
Rede Rockbridge e o fundo 1789 Capital
Buskirk também está entre os fundadores da 1789 Capital, ao lado de Omeed Malik e Rebekah Mercer. A empresa define sua atuação como “capitalismo patriótico” e afirma buscar financiamento para “o próximo capítulo do excepcionalismo americano”. A Vulcan, o governo norte-americano e a 1789 Capital negaram que Donald Trump Jr. tenha interferido na operação.
O memorando não estabelece que minerais extraídos na Bahia serão vendidos diretamente à Vulcan. Ainda assim, conecta a fabricante financiada pelo grupo de Donald Trump Jr. a uma mineradora que afirma ter comprado o projeto baiano para abastecer sua cadeia produtiva nos Estados Unidos.
Projeto Bahia e a cadeia de terras raras
A Energy Fuels diz que o chamado Projeto Bahia poderá fornecer monazita durante décadas para sua unidade industrial de White Mesa, no estado norte-americano de Utah. Nessa unidade, o minério seria processado e transformado em óxidos de terras raras usados por fabricantes de ímãs como a Vulcan. Essa é a mesma lógica apresentada pela Vulcan e pela Energy Fuels ao anunciarem a parceria: as empresas disseram que pretendiam construir uma cadeia norte-americana de ímãs de terras raras “independente da China”.
Registros na ANM e situação atual
A apuração em registros da ANM indica que a presença da Energy Fuels na região é maior do que os 17 processos informados a investidores norte-americanos. A empresa apresentou outros dois pedidos em 2023, alcançando também o município de Alcobaça. Nenhum dos processos consultados possui concessão de lavra, etapa necessária para autorizar a exploração comercial do minério. A companhia ainda depende de licenças e autorizações brasileiras para transformar o projeto em uma mina em operação.
Em documentos apresentados à Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos, a Energy Fuels reconheceu como fator de risco a possibilidade de governos brasileiros adotarem medidas — ou deixarem de adotá-las — que afetem o licenciamento do empreendimento.
Memorando e alinhamento político
O memorando elaborado por André Marinho foi mais direto. O texto previa que, em um eventual governo Flávio Bolsonaro, o Brasil se alinharia aos Estados Unidos para formar uma cadeia alternativa à chinesa e aceleraria reformas na legislação minerária e no licenciamento ambiental. A fonte não detalhou se o memorando foi formalmente adotado pela campanha.
Perguntas Frequentes
Qual é a ligação entre o grupo dos EUA e a campanha de Flávio Bolsonaro na exploração de terras raras na Bahia?
A ligação se dá por meio da rede Rockbridge, que tem elo com o fundo 1789 Capital, criado por integrantes dessa rede conservadora. Donald Trump Jr. tornou-se sócio da gestora após a eleição de 2024, e a rede está associada a aliados da campanha de Flávio Bolsonaro.
Quais empresas estão envolvidas na exploração de terras raras no sul da Bahia e qual é o papel de cada uma?
A Energy Fuels detém direitos minerários no sul da Bahia, com 17 processos informados e mais dois pedidos em 2023, incluindo o município de Alcobaça. A Vulcan, fabricante de ímãs financiada pelo grupo de Donald Trump Jr., assinou memorando com a Energy Fuels para processar monazita do Projeto Bahia em sua unidade de White Mesa, Utah.
O projeto de terras raras na Bahia já possui autorização para exploração comercial?
Não. Nenhum dos processos consultados na ANM possui concessão de lavra, etapa necessária para autorizar a exploração comercial. A Energy Fuels ainda depende de licenças e autorizações brasileiras para transformar o projeto em uma mina em operação.




























