Índice Big Mac mostra real 20% subvalorizado, diz análise

Crédito: Valor Econômico
Dois índices diferentes que buscam comparar o valor de moedas internacionais apontam realidades bastante diferentes para o real. A constatação é do economista-chefe da Apollo Global Management, Torsten Slok, que analisou os preços de um hambúrguer e de um smartphone em vários países. O levantamento ganha relevância para empresários e comerciantes do noroeste paulista, que sentem no dia a dia os efeitos do câmbio sobre custos e poder de compra.
Big Mac sugere real subvalorizado
O índice Big Mac, criado pela revista The Economist, compara o preço do lanche do McDonald’s em diferentes países para medir a paridade do poder de compra. Segundo Slok, por essa métrica, o real brasileiro e a libra egípcia parecem profundamente subvalorizados em relação ao dólar, entre 20% e 55%. Isso significa que, em teoria, a moeda brasileira estaria barata demais frente à americana, o que poderia favorecer exportações e turismo, mas encarecer importações e viagens ao exterior.
Para o comércio local, essa leitura pode sugerir que produtos importados ficam mais caros, pressionando margens de quem revende itens estrangeiros. No entanto, a análise de Slok aponta que essa visão pode ser enganosa. A fonte não detalhou o período exato da coleta de preços, mas o economista usou dados recentes do mercado.
iPhone inverte o cenário
Se trocarmos o hambúrguer por um iPhone 17 Pro de 256 GB, o quadro se inverte. O mesmo celular custa 90% mais no Brasil e 55% mais no Egito do que nos Estados Unidos, afirma Slok. Ou seja, pelo índice do smartphone, o real não estaria subvalorizado, mas sim sobrevalorizado em relação ao dólar. Essa discrepância chama a atenção de analistas e gestores, pois afeta decisões de investimento e precificação.
A diferença, argumenta o economista, está nos componentes que entram em cada produto. “Um hambúrguer é produzido com mão de obra, aluguel e carne bovina locais, nenhum dos quais pode ser arbitrado entre diferentes países, enquanto um iPhone é um produto genuinamente global, fabricado a partir de uma única cadeia de suprimentos e com um custo denominado em dólares”, diz Slok. Assim, o preço do celular reflete mais diretamente a taxa de câmbio e os custos internacionais.
Qual índice é mais confiável?
Segundo Slok, o índice do iPhone oferece uma leitura melhor da valorização das moedas. “A principal fragilidade do [índice] Big Mac é que os ganhos de produtividade nos países ricos elevam os salários em toda a economia, inclusive na cozinha dos restaurantes. Assim, os países mais pobres parecem baratos por construção, e não porque suas moedas estejam de fato subvalorizadas”, afirma. Em outras palavras, o hambúrguer é um produto local, com custos que não podem ser equalizados entre países, enquanto o iPhone tem preço global.
Para empresários de Araçatuba e região, essa distinção é crucial. Quem importa componentes ou revende eletrônicos sente o peso do câmbio real, enquanto quem atua com produtos locais pode ter uma percepção distorcida. A análise não traz recomendações específicas, mas alerta para a necessidade de olhar além de um único indicador.
Impacto para o comércio local
No noroeste paulista, a variação cambial afeta desde o preço de insumos agrícolas até o valor de equipamentos importados. Se o real estiver de fato sobrevalorizado, como sugere o índice do iPhone, produtos estrangeiros deveriam ficar mais baratos, mas a realidade mostra o oposto. Isso pode indicar barreiras tributárias ou custos logísticos que distorcem os preços finais. A fonte não detalhou esses fatores, mas a discussão é relevante para entidades como ACSP, CDL e Sebrae.
Comerciantes que dependem de importados precisam monitorar o câmbio de perto e considerar estratégias de hedge. Já exportadores podem se beneficiar de um real mais fraco, se confirmado por outros indicadores. A mensagem central é que nenhum índice isolado conta a história completa.
Perguntas Frequentes
O que o índice Big Mac indica sobre a valorização do real em relação ao dólar?
O índice Big Mac mostra que o real brasileiro está cerca de 20% subavaliado em relação ao dólar, pois o hambúrguer é mais barato no Brasil do que nos EUA.
Por que o preço do iPhone no Brasil sugere uma leitura diferente da valorização do real?
O iPhone 17 Pro de 256 GB custa 90% mais no Brasil do que nos Estados Unidos, indicando que o real estaria sobrevalorizado, ao contrário do que aponta o índice Big Mac.
Qual é a principal crítica de Torsten Slok ao índice Big Mac como medida de valorização cambial?
Slok argumenta que o índice Big Mac é distorcido porque os ganhos de produtividade nos países ricos elevam os salários locais, fazendo com que países mais pobres pareçam baratos por construção, e não por subvalorização real da moeda.




























