Squadra pede mudanças na Hapvida após destruição de valor na bolsa

Crédito: NeoFeed
O fundo de investimentos Squadra enviou uma carta à administração da Hapvida nesta quarta-feira, 1º de abril, solicitando mudanças na gestão da operadora de saúde. A iniciativa ocorre diante de uma forte desvalorização das ações da empresa, que acumulam queda de 85% desde sua oferta pública inicial (IPO) em 2018.
A Squadra Investimentos detém uma participação de 6,98% do capital da Hapvida.
Demandas do fundo Squadra
A Squadra solicita formalmente a adoção do voto múltiplo na próxima assembleia de acionistas, marcada para 30 de abril. Paralelamente, o fundo indica três candidatos para ocupar vagas no conselho de administração da empresa.
Os três candidatos indicados possuem experiência em alocação de capital, reestruturação e governança, conforme descrito na carta. Essa movimentação busca maior influência na tomada de decisões da companhia.
A fonte não detalhou os nomes dos profissionais indicados.
Contexto de desvalorização acionária
Performance histórica da Hapvida
O cenário que motiva o pedido é marcado por uma performance acionária extremamente negativa. Enquanto a ação da Hapvida acumula queda de 85% desde o IPO em 2018, o principal índice da bolsa brasileira, o Ibovespa, subiu 120% no mesmo período.
Esse contraste evidencia uma trajetória divergente em relação ao mercado.
Desempenho recente e valor de mercado
Em um recorte mais recente, a Hapvida teve uma desvalorização de 68,4% em 12 meses. Atualmente, a empresa está avaliada em R$ 5,2 bilhões.
Para profissionais e investidores de Araçatuba e região, que acompanham o mercado de capitais, essa volatilidade reforça a importância de uma gestão prudente e da análise de fundamentos.
Críticas à gestão da Hapvida
Remuneração executiva e fusão problemática
Na carta, a Squadra critica a remuneração excessiva do CEO e do Conselho da Hapvida. O fundo também aponta que a fusão com a Notre Dame Intermédica destruiu cerca de R$ 80 bilhões em valor de mercado.
Esse episódio é classificado como uma das maiores destruições de valor da história da bolsa.
Questões contábeis e financeiras
Além disso, a Squadra menciona que a Hapvida não reconheceu impairment de um goodwill de R$ 44 bilhões. A alavancagem da Hapvida aumentou, e os spreads de debêntures da empresa chegaram a CDI+9%.
Esses fatores refletem maior percepção de risco pelo mercado de crédito.
Desafios operacionais e sugestões
Perda de beneficiários
Os problemas não se limitam ao mercado financeiro. A Hapvida perdeu 238 mil beneficiários, com a queda concentrada nas regiões Sudeste e Sul em 2025.
Esse resultado é ainda mais significativo porque, no mesmo período, o mercado de saúde como um todo cresceu 792 mil vidas.
Medidas sugeridas pela Squadra
Diante desse quadro, a Squadra sugere a venda de ativos em regiões com baixo desempenho como uma medida para melhorar a eficiência e a rentabilidade.
A fonte não detalhou quais ativos ou regiões específicas estão no foco da sugestão.
Medida defensiva e próximos passos
Poison pill da Hapvida
A carta também menciona que a Hapvida introduziu uma poison pill que limita minoritários a 20% do capital. Esse mecanismo, comum em disputas de controle, pode dificultar a atuação de acionistas como a Squadra.
Assembleia geral ordinária
A assembleia geral ordinária, marcada para 30 de abril, será o próximo momento decisivo. Nela, os acionistas votarão, entre outros pontos, a composição do conselho de administração.
A adoção ou não do voto múltiplo solicitado pela Squadra também estará em pauta, definindo os rumos desse embate.


























