Stellantis erra na eletrificação: chefe admite falha

Crédito: G1
O presidente da Stellantis para a América do Sul, Herlander Zola, admitiu nesta terça-feira (6) que a indústria automotiva ocidental cometeu um erro estratégico ao não prever a velocidade com que a eletrificação ganharia relevância no mercado global. A declaração foi dada em entrevista, na qual o executivo reconheceu que essa falha de leitura abriu espaço para que as montadoras chinesas assumissem o protagonismo no desenvolvimento de veículos elétricos.
“A palavra correta é erro. A indústria ocidental errou na leitura de mercado daquilo que poderia se estabelecer em termos de velocidade de avanço de algumas tecnologias. Que o caminho seria eletrificado, todo mundo sabia”, afirmou Zola. Ele negou que as montadoras tradicionais tenham subestimado ou ignorado a força da indústria chinesa, mas disse que as projeções sobre o avanço dessas marcas não foram precisas.
Erro de leitura e pandemia
Segundo o executivo, a pandemia de covid-19 contribuiu para o descompasso. Durante a crise sanitária, as montadoras ocidentais deixaram o desenvolvimento técnico e a pesquisa em segundo plano para priorizar problemas logísticos, como a falta de peças e semicondutores. “Isso está associado a várias coisas que também envolveram, digamos, um erro de leitura, vamos chamar assim, do mercado”, comentou.
Zola também apontou que a indústria automotiva ocidental terceirizou e descentralizou parte da cadeia produtiva, enquanto as montadoras chinesas fizeram o caminho inverso e internalizaram etapas antes realizadas por fornecedores. “O chinês veio basicamente para mostrar que esse caminho estava errado do ponto de vista de competitividade. Eles hoje conseguem obter um nível de competitividade muito maior através da verticalização [da produção]”, explicou.
Competitividade e importações no Brasil
Embora tenha feito um mea culpa sobre os erros das montadoras tradicionais, o presidente da Stellantis também criticou as condições de competitividade e a falta de previsibilidade no mercado brasileiro. Segundo ele, não há regras que incentivem as montadoras instaladas no país a fomentar a cadeia de produção nacional, comprando componentes de fornecedores brasileiros, como pneus, amortecedores, molas, plásticos e aço, por exemplo. Isso geraria custos maiores que concorrentes estrangeiros.
Nos oito primeiros meses do ano, o Brasil importou 406,7 mil veículos, volume 29,8% maior que no mesmo período de 2025. Mais da metade veio da China: foram 221 mil veículos, alta de 109,9% em relação ao ano anterior. Os dados são da Anfavea, que também afirma que cerca de dois terços do crescimento da produção no país neste ano vieram de modelos montados em CKD e SKD. Nesses sistemas, amplamente adotados pelas marcas chinesas, os veículos chegam ao Brasil desmontados ou parcialmente desmontados e são montados no país.
Impacto para o interior paulista
As montadoras tradicionais são críticas a esse modelo, pois os custos da importação das peças e da montagem no Brasil são menores do que os de uma produção nacionalizada. Isso daria às marcas chinesas margem para praticar preços que pressionam o mercado de carros zero km. Para empresários e comerciantes do noroeste paulista, a concorrência acirrada pode afetar concessionárias e o setor de autopeças, que dependem da produção local e da venda de veículos novos.
A declaração de Zola sinaliza que a Stellantis, que comanda marcas como Fiat, Jeep, RAM e Leapmotor na região, busca se reposicionar diante do avanço chinês. A fonte não detalhou quais medidas concretas serão adotadas, mas o reconhecimento do erro pode indicar mudanças na estratégia da empresa para os próximos anos.
Perguntas Frequentes
O que o chefe da Stellantis admitiu sobre o avanço dos carros elétricos chineses?
Herlander Zola, presidente da Stellantis para a América do Sul, admitiu que a indústria automotiva ocidental errou ao avaliar a velocidade da eletrificação, o que deu aos chineses o protagonismo no desenvolvimento desses veículos.
Por que as montadoras chinesas conseguem preços mais competitivos no Brasil, segundo a Stellantis?
Segundo Zola, as chinesas verticalizaram a produção, internalizando etapas antes terceirizadas, e utilizam o sistema CKD/SKD, no qual os veículos chegam desmontados e são montados no Brasil com custos menores do que a produção nacionalizada.
Qual foi o crescimento das importações de veículos chineses no Brasil em 2025?
Nos oito primeiros meses de 2025, o Brasil importou 221 mil veículos da China, um aumento de 109,9% em relação ao mesmo período do ano anterior, representando mais da metade do total de 406,7 mil veículos importados.




























