EUA pressionam Brasil contra venda de minas de níquel à China

Crédito: cnnbrasil.com.br
Os Estados Unidos pediram ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que “revisasse” a venda dos ativos de níquel da Anglo American no Brasil à empresa chinesa MMG. O pedido constava de uma proposta encaminhada a Brasília pelo chefe do USTR (Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos), segundo informações divulgadas pelo jornal “O Estado de S. Paulo” e confirmadas pela CNN. A solicitação ocorre em meio ao acirramento de tensões geopolíticas e à disputa global por minerais críticos.
Reservadamente, fontes do Itamaraty disseram que Greer teria insistido em um veto à compra de jazidas de minerais críticos e terras raras por “non-market economies”, em referência indireta à China. A proposta foi imediatamente rejeitada pelas autoridades brasileiras, que ressaltaram a existência de regras e condições semelhantes para investidores estrangeiros de qualquer parte do mundo. A posição brasileira reforça o princípio de tratamento igualitário no setor mineral.
Contexto da venda e reação internacional
A venda das operações de níquel da multinacional britânica Anglo American à chinesa MMG, por US$ 500 milhões, foi anunciada em fevereiro de 2025. O negócio abrange ativos operacionais em Goiás — Barro Alto e Codemin (Niquelândia) — e dois projetos para desenvolvimento futuro: Morro Sem Boné (Mato Grosso) e Jacaré (Pará). A transação tem despertado reação internacional diante da importância estratégica do níquel para a transição energética.
O níquel é um dos minerais críticos considerados mais estratégicos para a transição energética, sendo usado para a produção de aço inoxidável e baterias. A Comissão Europeia, órgão executivo da União Europeia, abriu uma investigação sobre o negócio em novembro do ano passado. O órgão antitruste da UE apura se a venda para a MMG pode redirecionar a produção brasileira de níquel para outros mercados, com impactos sobre o preço e a qualidade do aço europeu.
Disputa concorrencial e posição brasileira
A Anglo American também tinha uma proposta de aquisição feita pela CoreX, da Turquia, país aliado dos Estados Unidos e da Europa na Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte). A turca CoreX chegou a acionar o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), que abriu uma investigação preliminar sobre o negócio, mas depois arquivou o processo por decisão da Superintendência-Geral. O arquivamento indica que, até o momento, não foram identificados indícios de lesão à concorrência no mercado brasileiro.
A rejeição brasileira à pressão americana demonstra a soberania do país na condução de sua política de investimentos. Fontes do Itamaraty enfatizaram que o Brasil mantém um ambiente de negócios aberto e previsível, com regras claras para todos os investidores. A decisão de não vetar a venda à MMG segue essa diretriz, mesmo diante de apelos de parceiros tradicionais.
Impacto para o setor mineral e economia
Para empresários e comerciantes do noroeste paulista, o desfecho dessa negociação pode influenciar indiretamente a cadeia de suprimentos de aço inoxidável e baterias, setores que dependem do níquel. A região de Araçatuba e cidades vizinhas possui indústrias metalúrgicas e de autopeças que podem sentir reflexos nos preços e na disponibilidade do insumo. A manutenção de um mercado competitivo e diversificado é essencial para a estabilidade dos negócios locais.
Procurada pela CNN, a Anglo American preferiu não fazer comentários sobre o assunto. A ausência de manifestação da empresa mantém em aberto detalhes sobre o andamento da transação e eventuais condicionantes regulatórias. A expectativa é que a operação seja concluída conforme anunciado, salvo novas intervenções de órgãos de defesa da concorrência ou de governos estrangeiros.
Perguntas Frequentes
Por que os EUA pediram ao Brasil para revisar a venda das minas de níquel da Anglo American à chinesa MMG?
Os EUA, por meio do chefe do USTR, pediram ao governo Lula para revisar a venda, insistindo em um veto à compra de jazidas de minerais críticos por ‘non-market economies’, em referência indireta à China.
Qual foi a resposta do governo brasileiro ao pedido dos EUA sobre a venda das minas de níquel?
A proposta foi imediatamente rejeitada pelas autoridades brasileiras, que ressaltaram a existência de regras e condições semelhantes para investidores estrangeiros de qualquer parte do mundo.
Quais ativos de níquel no Brasil foram incluídos na venda da Anglo American para a MMG por US$ 500 milhões?
O negócio abrange ativos operacionais em Goiás (Barro Alto e Codemin em Niquelândia) e dois projetos para desenvolvimento futuro: Morro Sem Boné (Mato Grosso) e Jacaré (Pará).




























