Lara Resende Cochrane: ideia não foi testada

Crédito: Estadão
O economista John Cochrane, pesquisador sênior na Hoover Institution da Universidade de Stanford, afirmou que a ideia do brasileiro André Lara Resende de reduzir a inflação por meio de juros mais baixos não foi testada. A declaração foi feita em artigo publicado no blog The Grumpy Economist, no qual Cochrane analisa a proposta do ex-presidente do Banco Central. Segundo ele, a teoria pode funcionar, mas ainda carece de comprovação prática.
Para empresários e comerciantes da região noroeste paulista, o debate é relevante porque a política de juros afeta diretamente o custo do crédito e o planejamento financeiro das empresas. A cautela de Cochrane sinaliza que mudanças radicais na condução monetária podem trazer incertezas para o ambiente de negócios.
Cautela com corte de juros para inflação
Cochrane afirma que sempre foi cauteloso com a ideia de que seja possível reduzir a inflação com corte de juros. Ele não concorda totalmente com a proposta de redução forçada de juros defendida por André Lara Resende, embora considere a receita preconizada pelo brasileiro para solucionar o desequilíbrio fiscal – uma das causas da inflação – digna de atenção. A ressalva do economista é que a teoria ainda não foi colocada à prova em condições reais.
“Não significa que Resende esteja errado; apenas significa que estamos nos aventurando por uma teoria que pode funcionar, mas não foi testada”, diz Cochrane. A frase resume o tom do artigo: nem endosso entusiasmado, nem reprovação dura. Para o setor produtivo, isso indica que a proposta não deve ser adotada sem antes avaliar seus riscos.
Reformas são pré-requisito, diz economista
No artigo, Cochrane avalia, em síntese, que a ideia de Lara Resende só funcionaria com reformas fiscais e microeconômicas pró-crescimento. Sem esses ajustes, a redução dos juros poderia gerar desequilíbrios ainda maiores. O economista destaca que muitos governos tentaram sem sucesso conter custos de juros diante de problemas fiscais, citando experiências na Turquia, no enfrentamento da covid e no financiamento de guerras.
Esses exemplos mostram que, em momentos de fragilidade fiscal, cortar juros artificialmente tende a agravar a inflação em vez de controlá-la. Para o comércio local, a lição é clara: políticas monetárias heterodoxas precisam vir acompanhadas de responsabilidade fiscal para não gerar instabilidade nos preços e na demanda.
Fiscal solvente é condição essencial
Conforme Cochrane, a proposta de reduzir a inflação via juros mais baixos requer política fiscal solvente e que o governo não aumente gastos, desviando a economia de juros para outras áreas. A principal preocupação é, assim, com o lado fiscal, já que, para a receita dar certo, é preciso que as pessoas realmente acreditem que, ao reduzir os pagamentos de juros da dívida, o Brasil vai gerar também pequenos superávits primários, mesmo se enfrentar uma crise ou uma recessão.
Essa confiança é fundamental para que a redução de juros não seja interpretada como abandono do ajuste fiscal. Sem credibilidade, os agentes econômicos podem antecipar inflação futura, elevando preços e juros de mercado. Para pequenas e médias empresas, isso significaria custos de financiamento mais altos e menor previsibilidade para investir.
Questionamento sobre folga orçamentária
“Outra maneira de colocar minha preocupação: suponha que o Brasil ganhe uma folga orçamentária gigantesca de 8% do PIB (Produto Interno Bruto) com juros mais baixos. O Brasil realmente não gastará um real a mais, ou não tributará um real a menos?”, questiona Cochrane. A indagação expõe o risco de que a economia com juros seja direcionada para aumento de gastos ou redução de impostos, anulando o efeito anti-inflacionário.
Para o setor empresarial, a dúvida é pertinente: se o governo usar a folga para ampliar despesas correntes, a pressão sobre a demanda pode reacender a inflação. Já se optar por reduzir tributos, o estímulo ao consumo pode ter efeito semelhante. A disciplina fiscal, portanto, é o pilar que sustenta a proposta.
Reforma coordenada como alternativa
“Eu preferiria ver uma reforma coordenada fiscal, monetária e microeconômica, que já funcionou muitas vezes no passado”, escreve Cochrane, concluindo o artigo dizendo que não oferece nem um endosso entusiasmado, nem uma reprovação dura à proposta de Lara Resende. A recomendação do economista é por um pacote integrado de medidas, em vez de apostar em uma única ferramenta.
Para empresários de Araçatuba, Birigui, Penápolis e região, a mensagem é de prudência. A redução de juros pode aliviar o custo do crédito, mas somente se acompanhada de reformas estruturais que garantam estabilidade econômica de longo prazo. O debate deve continuar no âmbito acadêmico e político, mas com os olhos voltados para os impactos práticos no ambiente de negócios.
Perguntas Frequentes
O que o economista John Cochrane disse sobre a ideia de André Lara Resende de reduzir a inflação com corte de juros?
Cochrane afirmou que sempre foi cauteloso com a ideia de que seja possível reduzir a inflação com corte de juros, e que a proposta de Lara Resende não foi testada, embora não signifique que esteja errada.
Quais condições John Cochrane aponta para que a proposta de Lara Resende funcione?
Cochrane destaca que a proposta requer política fiscal solvente, com o governo não aumentando gastos ou reduzindo tributos, e que as pessoas acreditem que o Brasil gerará pequenos superávits primários mesmo em crises.
Qual é a principal preocupação de Cochrane em relação à ideia de reduzir juros para controlar a inflação no Brasil?
A principal preocupação é com o lado fiscal: se o Brasil ganhar folga orçamentária com juros mais baixos, pode não resistir a gastar mais ou tributar menos, desviando a economia de juros para outras áreas.




























