Renault Brasil foca em carros globais e produção local

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Renault Brasil foca em carros globais e produção local

A Renault decretou o fim do carro europeu como base de sua estratégia global e voltou suas atenções para o Brasil. Em mesa-redonda com a imprensa realizada nesta semana no complexo industrial de São José dos Pinhais (PR), o presidente do conselho da Renault Geely do Brasil e CEO global da Renault, Fabrice Cambolive, detalhou os próximos passos da montadora no país.

A nova rodada de investimentos no Brasil busca consolidar um ciclo de expansão semelhante ao iniciado em 2016, quando a marca apresentou sua linha renovada de SUVs. No entanto, Fabrice Cambolive ressaltou que as condições do mercado automotivo atual mudaram profundamente em relação à década passada e exigem maior agilidade e eletrificação.

Fim do modelo europeu de inovação

Durante anos, vigorou no setor a percepção de que a inovação tecnológica automotiva nascia na Europa para, em seguida, ser adaptada a outros mercados. Para a direção da Renault, esse modelo está definitivamente superado. Segundo o executivo, diferenças de leis regulatórias tornam inviável a produção local de modelos estritamente europeus como a nova geração do Renault Twingo, devido ao elevado custo de produção.

Contudo, a nova estratégia da marca foca no desenvolvimento de veículos globais compartilhados entre diferentes regiões. A intenção é produzir localmente no Brasil para atender a América Latina com competitividade de custos, sem a necessidade de exportar os modelos sul-americanos para a Europa. Essa mudança reflete a necessidade de adaptação às realidades locais e à concorrência global.

Parceria com a Geely e agilidade

Diante do avanço acelerado das montadoras chinesas, a Renault se tornou parceira de uma delas no Brasil, da Geely, e reduziu o tempo de desenvolvimento de um novo veículo para apenas dois anos. “Antecipamos essa mudança há alguns anos. Hoje somos capazes de desenvolver um carro em dois anos. Não acredito que iremos além disso, pois é preciso garantir a qualidade e a nacionalização de componentes”, explicou Cambolive.

“Se você realmente quer ser competitivo no Brasil, você tem que ser muito mais localizado aqui. Isso significa que esses acordos [de parceria] são importantes e ajudam, mas não são tudo e não vão anular o fato de que temos que ser muito mais locais aqui”, analisou. A parceria com a Geely é vista como um acelerador, mas não substitui a necessidade de produção e fornecimento locais.

Quatro eixos para a nova linha

Para equilibrar a identidade da marca francesa com as novas demandas tecnológicas, segundo Cambolive a Renault estrutura hoje sua linha de modelos sobre quatro eixos fundamentais passando pelo design, tecnologia, modularidade dos carros e uma eletrificação competitiva dos produtos. Cambolive também destacou a capacidade da Renault de oferecer sempre carros com um nível muito alto de modularidade com tradição histórica em aproveitamento de espaço interno de modelos como o Scénic e o Twingo, por exemplo.

“O que temos de demonstrar, não apenas com a nossa nova picape Niagara, por exemplo, mas com toda a nova geração que virá, é essa capacidade de otimizar o espaço. E o último ponto, é sermos extremamente competitivo em termos de eletrificação”, concluiu o executivo. A estratégia busca unir a herança de design e modularidade da marca com a necessidade de veículos elétricos acessíveis.

Para o comércio e a indústria do noroeste paulista, a mudança pode representar novas oportunidades na cadeia de fornecedores e no mercado de veículos mais adaptados à realidade local. A Renault não detalhou prazos para o lançamento dos novos modelos globais, mas sinalizou que a produção local será prioridade.

Perguntas Frequentes

Por que a Renault decidiu encerrar a produção de carros europeus no Brasil?

A Renault considera o modelo de desenvolvimento europeu superado, pois diferenças regulatórias tornam inviável produzir localmente modelos estritamente europeus, como o novo Twingo, devido ao elevado custo de produção.

Qual é a nova estratégia da Renault para o mercado brasileiro?

A nova estratégia foca no desenvolvimento de veículos globais compartilhados entre regiões, produzidos localmente no Brasil para atender a América Latina com competitividade de custos, sem exportar modelos sul-americanos para a Europa.

Como a parceria com a Geely ajuda a Renault a competir com as montadoras chinesas no Brasil?

A parceria com a Geely permite reduzir o tempo de desenvolvimento de um novo veículo para apenas dois anos, mas a Renault enfatiza que acordos não substituem a necessidade de maior localização da produção no Brasil.

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