CEO da GM dá dica para Geração Z driblar IA em carreira técnica

Crédito: Estadão
Em um cenário de rápidas transformações no mercado de trabalho, a CEO da General Motors, Mary Barra, trouxe um conselho direto para a Geração Z: considerar seriamente as profissões técnicas. A executiva, que comanda uma das maiores montadoras do mundo, apontou a escassez de profissionais qualificados nos Estados Unidos e os salários atrativos, que podem chegar a US$ 90 mil por ano.
A declaração foi dada em entrevista à editora-chefe da Fortune, Alyson Shontell, e repercutiu como um alerta para jovens que avaliam suas opções de carreira diante do avanço da inteligência artificial.
Demanda crescente por eletricistas impulsionada pela IA
Barra destacou, em especial, a procura por eletricistas, uma profissão que ganhou novo fôlego com a expansão dos centros de dados que sustentam a infraestrutura de IA. Segundo a executiva, a estimativa é de que sejam necessários mais de 300 mil novos eletricistas ao longo da próxima década apenas para atender a essa demanda nos EUA. Esse número reflete um gargalo estrutural: a formação técnica não acompanha o ritmo de crescimento do setor de tecnologia e energia.
No Brasil, o cenário guarda semelhanças. A indústria nacional também enfrenta carência de profissionais técnicos, especialmente em áreas como elétrica, automação e manutenção industrial. Para empresários de Araçatuba e região noroeste paulista, que dependem de mão de obra qualificada em setores como agronegócio, frigoríficos e metalurgia, a mensagem de Barra reforça a urgência de investir em formação profissional local.
Trajetória de Barra: da linha de montagem à presidência
A própria trajetória de Mary Barra ilustra o potencial das carreiras técnicas. Ela começou como inspetora de qualidade na linha de montagem da divisão Pontiac da GM, em um programa que conciliava estudos e experiência profissional. Antes disso, estudou no General Motors Institute, hoje Kettering University, uma instituição focada em engenharia e gestão industrial. Seu primeiro emprego em tempo integral foi como engenheira elétrica, em 1985.
A partir daí, Barra subiu gradualmente na hierarquia da companhia: assumiu a direção da fábrica de Detroit-Hamtramck em 2003 e chegou ao cargo de CEO em 2014, tornando-se a primeira mulher a liderar uma grande montadora global. Essa ascensão, segundo ela, foi construída com base em trabalho árduo e formação técnica sólida.
Estigma social ainda afasta jovens das carreiras técnicas
Hoje, porém, Barra afirma que os Estados Unidos enfrentam um “problema social” mais amplo: as profissões técnicas são vistas como menos desejáveis do que as carreiras de escritório. Esse estigma, presente também no Brasil, leva muitos jovens a optarem por cursos superiores tradicionais, mesmo quando a demanda por técnicos é alta e os salários competitivos.
Para o comércio e a indústria do interior paulista, essa percepção distorcida agrava a escassez de profissionais. Entidades como ACSP, CDL e Sebrae frequentemente apontam a falta de mão de obra técnica como um dos principais obstáculos ao crescimento das PMEs. A fala da CEO da GM pode servir de alerta para políticas públicas e iniciativas privadas de educação profissional.
Investimento da GM em formação técnica
Diante desse cenário, a GM anunciou investimento de quase US$ 200 milhões para ampliar e modernizar a formação e a atuação em profissões técnicas com alta demanda, além de funções em manufatura avançada, engenharia e assistência técnica. O montante, embora focado nos EUA, sinaliza uma tendência global: grandes corporações estão assumindo a responsabilidade de formar sua própria força de trabalho.
No Brasil, iniciativas semelhantes poderiam beneficiar diretamente o noroeste paulista, onde a indústria de calçados em Birigui, o agronegócio em Andradina e o setor de serviços em Araçatuba demandam profissionais capacitados. A parceria entre empresas e instituições como o SENAI e o IFSP já existe, mas pode ser ampliada com base em modelos como o da GM.
O que a Geração Z pode aprender com o conselho
O recado de Barra para a Geração Z é claro: não subestimar as profissões técnicas. Com a automação e a IA transformando o mercado, habilidades práticas em eletricidade, manutenção e manufatura avançada tendem a se valorizar. Além disso, a barreira de entrada é menor do que em muitas carreiras de escritório, e a possibilidade de empreender também é significativa.
Para os jovens de Araçatuba e região, seguir uma carreira técnica pode significar estabilidade e bons salários sem a necessidade de migrar para grandes centros. A demanda local por eletricistas, técnicos em refrigeração, automação e manutenção industrial é constante, e a oferta de cursos técnicos gratuitos ou de baixo custo é uma realidade. O exemplo de Mary Barra mostra que começar “na base” não é limitação, mas sim um caminho sólido para o topo.
Perguntas Frequentes
Qual a dica da CEO da GM, Mary Barra, para a Geração Z ganhar bem e driblar o avanço da IA?
Mary Barra recomenda que jovens considerem profissões técnicas, como eletricista, que têm alta demanda e podem pagar até US$ 90 mil por ano nos EUA.
Por que a CEO da GM destaca a profissão de eletricista como promissora?
Ela destaca a demanda crescente por eletricistas, impulsionada pela expansão dos centros de dados que sustentam a IA, com estimativa de mais de 300 mil novos profissionais necessários na próxima década.
Quanto a GM investiu para ampliar a formação em profissões técnicas?
A GM investiu quase US$ 200 milhões para ampliar e modernizar a formação e atuação em profissões técnicas com alta demanda, incluindo manufatura avançada, engenharia e assistência técnica.



























