Tangerina poncan ES: colheita o ano todo impulsiona renda
Crédito: G1
Produtores de tangerina poncan no Espírito Santo estão colhendo o fruto praticamente o ano todo, uma estratégia que tem transformado a dinâmica do principal polo produtor do estado, em Domingos Martins, na Região Serrana. Por conta dessa estratégia, a tangerina acaba sendo colhida praticamente durante todo o ano no estado: no período normal de safra e até nos meses que, teoricamente, seriam de entressafra. A prática, adotada por agricultores locais, visa mitigar a escassez de mão de obra temporária e aproveitar janelas de mercado mais favoráveis.
Colheita escalonada define novo ritmo
A colheita de tangerina poncan em Domingos Martins acontece em momentos diferentes entre as propriedades que cultivam o produto. Enquanto parte dos agricultores encerra a colheita em julho, safra padrão do fruto, outros estendem a atividade por meses adicionais, criando um fluxo contínuo de oferta. Esse escalonamento permite que o mercado consumidor receba a fruta fresca por mais tempo, reduzindo a dependência de importações de outros estados ou países. A diversidade de calendários entre vizinhos também favorece a logística local, pois evita picos de demanda por transporte e armazenamento.
Falta de mão de obra impulsiona mudança
No principal polo produtor do Espírito Santo, atrasar a colheita ajuda agricultores a superar a falta de mão de obra temporária e a obter melhores preços no período de entressafra. Para os produtores, retardar a colheita é o caminho para suprir a falta de trabalhadores locais e obter melhor remuneração pelo produto no mercado. A escassez de trabalhadores rurais temporários é um desafio crônico na região, agravado pela concorrência com outros setores e pela sazonalidade das atividades agrícolas.
Ao alongar o período de colheita, os produtores conseguem distribuir a demanda por trabalho ao longo de mais meses, reduzindo a pressão por contratações em massa em um curto intervalo.
Tecnologia e cooperação como aliados
O uso de maquinário moderno e novos equipamentos tem sido uma das alternativas para mitigar a falta de trabalhadores temporários na região do distrito de Aracê. Além do auxílio tecnológico, os produtores locais contam com sistemas de ajuda mútua entre vizinhos e amigos, prática conhecida como “camisada”. Essa tradição comunitária, em que grupos se revezam nas tarefas de colheita e manejo, fortalece os laços sociais e reduz custos operacionais. A combinação de inovação e cooperação tem permitido que pequenas propriedades mantenham produtividade mesmo diante de limitações de mão de obra.
Exemplo prático: propriedade de Sandro Salvador
Na propriedade do agricultor Sandro Salvador, que possui uma área de 4 hectares com 3.000 plantas, a colheita da poncan começou em julho. Ele estima colher entre 3.000 e 4.000 caixas nesta safra. Para dar conta do manejo, Sandro substituiu a pulverização foliar manual por um pulverizador acoplado ao trator, conhecido na região como “jatão”. Essa mudança reduziu significativamente o tempo e o esforço necessários para tratar as plantas, permitindo que ele e sua família concentrem esforços na colheita e em outras etapas críticas.
O investimento em equipamento, embora inicialmente alto, se paga com a economia de mão de obra e o aumento da eficiência.
Impacto econômico regional e perspectivas
O município de Domingos Martins é o principal polo produtor de tangerina do estado. No ano passado, a região registrou uma produção de quase 15 mil toneladas, o que representa metade de toda a safra capixaba de tangerina poncan, segundo dados da Secretaria de Agricultura do Estado (Seag). Essa concentração produtiva torna a economia local altamente dependente da citricultura, e estratégias como a colheita escalonada têm impacto direto na renda das famílias rurais.
Ao obter melhores preços na entressafra, os produtores conseguem maior estabilidade financeira e podem reinvestir em tecnologia e infraestrutura. A tendência é que mais agricultores adotem práticas semelhantes, ampliando a oferta de tangerina poncan no mercado nacional ao longo de todo o ano.
A experiência de Domingos Martins demonstra como a adaptação às condições locais de mão de obra e mercado pode gerar soluções criativas e sustentáveis. A colheita o ano todo não apenas beneficia os produtores, mas também consumidores e comerciantes, que passam a contar com um produto fresco e de qualidade por mais tempo. Para o setor varejista e atacadista, a regularidade da oferta reduz oscilações de preço e melhora o planejamento de compras.
Assim, a tangerina poncan do Espírito Santo se consolida como um caso de sucesso no agronegócio brasileiro, com potencial de inspirar outras regiões produtoras.
Perguntas Frequentes
Como os produtores de tangerina poncan no Espírito Santo conseguem colher o fruto o ano todo?
Eles atrasam a colheita em algumas propriedades, o que permite colher no período normal de safra e também na entressafra, resultando em colheita praticamente durante todo o ano.
Qual é a produção de tangerina poncan em Domingos Martins, principal polo produtor do ES?
No ano passado, Domingos Martins produziu quase 15 mil toneladas, o que representa metade de toda a safra capixaba de tangerina poncan, segundo a Secretaria de Agricultura do Estado (Seag).
Quais estratégias os produtores de tangerina poncan usam para lidar com a falta de mão de obra temporária?
Eles utilizam maquinário moderno, como pulverizadores acoplados ao trator, e praticam a ‘camisada’, um sistema de ajuda mútua entre vizinhos e amigos.



























