Ibovespa cai 0,99% com Treasuries e receio fiscal no Brasil

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Ibovespa cai 0,99% com Treasuries e receio fiscal no Brasil

O Ibovespa fechou em queda nesta quinta-feira, perdendo o patamar dos 184 mil pontos, com o apetite a risco minado por novo avanço nos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, além de receios com o cenário fiscal no Brasil. O índice de referência do mercado acionário brasileiro caiu 0,99%, a 183.965,91 pontos. Na mínima do dia, chegou a 183.834,97 pontos. Na máxima, subiu a 186.211,43 pontos. O volume financeiro somou R$ 26,89 bilhões.

No exterior, o rendimento do Treasury de 10 anos marcava 5,2209% no final da tarde, de 5,114% na véspera, com preocupações renovadas sobre a inflação e potenciais novos aumentos de juros pelo Federal Reserve. Esse movimento nos juros de longo prazo nos EUA atrai o capital global para a segurança da renda fixa norte-americana, drenando a liquidez e o apetite por ativos de risco em mercados emergentes como o Brasil, conforme explicou a estrategista de ações Rebecca Nossig, da Nomad.

Isso, acrescentou, explica a “intensa pressão vendedora sobre a bolsa local e o movimento de realização de lucros”.

Pressão externa: Treasuries em alta e petróleo

O petróleo referendou os receios sobre a inflação, com o barril sob o contrato Brent fechando o dia com elevação de 3,41%, a US$ 106,60, diante da ausência de sinais de progressos diplomáticos efetivos nas negociações entre os EUA e o Irã. Em Nova York, o índice acionário S&P 500 encerrou quase estável a sessão, que teve ainda como pano de fundo o aguardado encontro entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e seu par chinês, Xi Jinping. Trump afirmou que ele e Xi tiveram uma “ótima reunião”.

O avanço dos rendimentos dos Treasuries reflete a expectativa de que o Federal Reserve possa manter os juros elevados por mais tempo, o que reduz a atratividade de ativos de risco em mercados emergentes. Para o empresário do interior paulista, esse cenário pode significar um custo de capital mais alto e menor disponibilidade de crédito externo, impactando decisões de investimento e expansão.

Receio fiscal doméstico pesa sobre a bolsa

O analista de renda variável Felipe Cima, da Manchester Investimentos, também destacou como componente negativo o relatório de avaliação fiscal do governo, que indica um gasto acima do esperado e dificuldade maior de conversão das contas, com frustração de receitas. No documento, o governo informou que reduziu de R$ 17,9 bilhões para R$ 16,1 bilhões a necessidade prevista de contenção total de verbas de ministérios para respeitar regras fiscais, mas apontou significativa piora na previsão de déficit fiscal em 2026.

Cima também chamou a atenção para a possível retirada da receita com as bets, além da expectativa de que a sexta-feira possa trazer alguma novidade sobre programa bancado pelo Tesouro Nacional referente ao endividamento das famílias. Esses fatores aumentam a incerteza sobre a sustentabilidade das contas públicas, o que pressiona os prêmios de risco e afeta negativamente o mercado de ações.

Cenário eleitoral e expectativas do mercado

O mercado fechou com investidores na expectativa de nova pesquisa eleitoral Datafolha nesta quinta-feira. Nos últimos levantamentos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) têm mostrado empate técnico em simulações de segundo turno. Na visão do gestor Luis Stuhlberger, da Verde Asset Management, pode ocorrer uma “porrada insana” na bolsa se Flávio vencer, mas ele não espera um movimento tão negativo se Lula for reeleito, citando múltiplo perto da média dos governos petistas passados e baixa exposição de investidores a ações.

Para os empresários da região noroeste paulista, a volatilidade eleitoral adiciona uma camada de imprevisibilidade ao planejamento de negócios. A possibilidade de mudanças bruscas na política econômica pode afetar desde o custo de insumos até a demanda por produtos e serviços, exigindo cautela na gestão de caixa e estoques.

Impacto para o comércio e a indústria local

A queda da bolsa e a alta dos juros nos EUA têm efeitos indiretos sobre a economia real brasileira. O encarecimento do crédito externo pode levar a um aumento das taxas de juros domésticas, dificultando o financiamento para pequenas e médias empresas. Em cidades como Araçatuba, Birigui e Penápolis, onde o comércio e a indústria calçadista dependem de capital de giro, um cenário de juros mais altos pode reduzir a margem de lucro e adiar investimentos.

Além disso, a frustração de receitas do governo e a piora fiscal podem levar a medidas de contenção que afetem programas de incentivo ou aumentem a carga tributária, impactando diretamente o caixa das empresas. A expectativa de novidades sobre o programa de endividamento das famílias também é relevante, pois pode influenciar o consumo no varejo local.

Perspectivas para os próximos dias

Os investidores devem continuar atentos aos desdobramentos da política monetária americana, aos dados fiscais brasileiros e às pesquisas eleitorais. A volatilidade tende a permanecer elevada, e os empresários devem adotar uma postura conservadora, priorizando a liquidez e a diversificação de fontes de receita. A fonte não detalhou projeções específicas para o Ibovespa, mas o cenário atual sugere cautela no curto prazo.

Perguntas Frequentes

Por que o Ibovespa caiu 0,99% nesta quinta-feira?

O Ibovespa caiu 0,99% devido ao avanço nos rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA (Treasuries) e aos receios com o cenário fiscal no Brasil, que minaram o apetite por risco.

Qual foi o rendimento do Treasury de 10 anos no final da tarde?

O rendimento do Treasury de 10 anos marcava 5,2209% no final da tarde, ante 5,114% na véspera, com preocupações renovadas sobre a inflação e potenciais novos aumentos de juros pelo Federal Reserve.

Qual foi o volume financeiro negociado no Ibovespa nesta quinta-feira?

O volume financeiro somou R$ 26,89 bilhões, com o Ibovespa fechando a 183.965,91 pontos, após cair 0,99%.

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