Impactos na Bolsa se EUA barrarem exportações de diesel

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Impactos na Bolsa se EUA barrarem exportações diesel

Uma eventual restrição dos Estados Unidos às exportações de diesel pode gerar efeitos relevantes para a economia brasileira e, consequentemente, para a Bolsa de valores. O Brasil, embora seja exportador líquido da commodity, ainda depende de importações de derivados para complementar o abastecimento doméstico, sobretudo o diesel. Segundo estimativas do JPMorgan, aproximadamente 25% do diesel consumido no país vem de importações, e os EUA responderam por mais de 70% dessas compras em agosto, após a redução das importações da Rússia.

Essa dependência torna o mercado brasileiro vulnerável a mudanças na política comercial norte-americana. Com o combustível vendido no Brasil muito abaixo da paridade de importação, trazer diesel de outros mercados se torna economicamente menos atraente. Uma restrição do principal fornecedor poderia, nesse contexto, elevar o risco de escassez, afetando diretamente setores essenciais da economia.

Dependência do diesel importado preocupa

O diesel é um insumo crítico para o transporte rodoviário de carga e para setores como agricultura e mineração. Aumentos de custos nesse combustível podem se espalhar pelas cadeias produtivas, pressionando a inflação e reduzindo margens de empresas. Para o Bradesco BBI, uma eventual escassez poderia levar o Brasil a priorizar o fornecimento de diesel para a logística agrícola e o escoamento das safras, reduzindo a disponibilidade para outras atividades.

Esse risco ganha importância em meio à temporada de plantio da soja, justamente um período de demanda relevante pelo combustível. A região Noroeste Paulista, com forte presença do agronegócio, poderia sentir os efeitos na logística e nos custos de produção. A transição para fontes alternativas ou modais mais eficientes pode se acelerar diante desse cenário.

Petrobras e distribuidoras podem lucrar

Para o Bradesco BBI, a Petrobras (PETR4) está entre as potenciais beneficiárias de preços maiores do diesel e de crack spreads mais elevados. Na análise da casa, o diesel representa entre 42% e 50% das vendas das petrolíferas nacionais consideradas no estudo, grupo que também inclui Ecopetrol e YPF. Assim, uma alta nos preços internacionais do combustível tende a impulsionar as receitas da estatal.

Na análise mais recente e abrangente sobre a América Latina, o banco vai além e classifica as distribuidoras como potenciais beneficiárias líquidas, caso o ganho de margem proporcionado por preços mais elevados supere a perda de volumes. Ou seja, o impacto para as distribuidoras dependeria do equilíbrio entre duas forças: menor disponibilidade de combustível, negativa para volumes, e spreads maiores, positivos para margens.

Rumo pode ganhar com diesel caro

Já para os transportes, embora o diesel mais caro eleve os custos do transporte, a Rumo (RAIL3) pode acabar relativamente beneficiada porque o choque atinge de maneira mais intensa o modal rodoviário, seu principal concorrente. Para a Rumo, o impacto direto sobre o Ebitda tende a ser limitado no curto prazo porque grande parte dos contratos já estava fechada até o fim do ano e os custos do diesel são repassados diretamente nesses acordos.

Dessa forma, uma restrição às exportações de diesel pelos EUA poderia reconfigurar o cenário competitivo do setor de transportes, favorecendo empresas com contratos de longo prazo e menor exposição ao preço spot do combustível. Empresários e investidores da região de Araçatuba devem monitorar esses desdobramentos, pois os efeitos podem se refletir nos custos logísticos e na rentabilidade de diversos negócios.

Perguntas Frequentes

Quanto do diesel consumido no Brasil depende de importações dos EUA?

Aproximadamente 25% do diesel consumido no Brasil depende de importações, e os EUA responderam por mais de 70% dessas importações em agosto.

Quais setores da economia brasileira seriam mais afetados por uma escassez de diesel?

O transporte rodoviário de carga, a agricultura e a mineração seriam os mais afetados, pois o diesel é essencial para essas atividades e aumentos de custos podem se espalhar pelas cadeias produtivas.

Quais empresas da Bolsa brasileira poderiam se beneficiar com a restrição de exportações de diesel pelos EUA?

A Petrobras (PETR4) está entre as potenciais beneficiárias, pois o diesel representa 42% a 50% de suas vendas. A Rumo (RAIL3) também pode se beneficiar relativamente, já que o choque atinge mais o modal rodoviário, seu principal concorrente.

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