Hidrelétricas voltam a atrair investimentos no Brasil

Crédito: braziljournal.com
Após mais de uma década sem novos projetos, grandes hidrelétricas estão voltando a atrair investimentos no País. O movimento ganhou força com o leilão de capacidade realizado em março, que contratou 2,5 gigawatts (GW) em expansões de usinas já existentes. A retomada reflete a busca por segurança energética e a necessidade de complementar fontes intermitentes, como solar e eólica.
Hidrelétricas recuperam protagonismo na matriz energética
As usinas hídricas passaram a ser vistas como fundamentais para garantir a segurança energética e evitar apagões. Além disso, as hidrelétricas que já estão em operação passaram a ser acionadas com uma frequência acima do comum, principalmente para atender à demanda no final da tarde e início da noite, quando o consumo sobe e a geração solar murcha. Essa flexibilidade operativa tornou a fonte ainda mais estratégica para o sistema elétrico brasileiro.
Com longa tradição no País, as hidrelétricas chegaram a responder por mais de 90% da capacidade instalada de geração até os anos 1990, e estiveram no centro dos planos para o setor de energia nos primeiros mandatos de Lula. Mas com dificuldades no licenciamento de projetos – que enfrentavam resistência inclusive da Ministra do Meio Ambiente Marina Silva, levando na época à sua saída do Governo – e com a expansão dos parques eólicos e solares, a participação da fonte na matriz foi caindo até chegar aos 47% atuais.
Agora, o cenário começa a mudar com novos investimentos.
Leilão de capacidade encerra jejum de projetos
No leilão de capacidade de março, foram contratadas as expansões de usinas existentes da AXIA Energia, Copel e da chinesa SPIC, num total de 2,5 gigawatts em potência. Foi o maior volume em muito tempo, acabando com um vazio de grandes projetos hídricos que vinha desde 2013, quando foram licitadas as concessões de Sinop e São Manoel, no rio Teles Pires. Os empreendimentos que venceram o leilão de capacidade aproveitam poços vazios deixados nos projetos originais das hidrelétricas no passado para viabilizar expansões com baixo impacto ambiental.
Essa abordagem reduz a necessidade de novas áreas alagadas e acelera o licenciamento, tornando os projetos mais atrativos para investidores. A fonte não detalhou os prazos de execução das obras, mas a expectativa é de que contribuam para reforçar a oferta de energia nos próximos anos.
Potencial bilionário em modernização e repotenciação
Estudos apontam um potencial para 7,5 GW em capacidade só com a inclusão de máquinas adicionais em usinas antigas, além de 11 GW entre repotenciação e modernização de instalações existentes. Esses números indicam que o parque hidrelétrico brasileiro pode ganhar eficiência sem a construção de novas barragens, aproveitando a infraestrutura já instalada.
Para o setor empresarial, especialmente no interior paulista, essa retomada pode gerar demanda por serviços de engenharia, equipamentos e mão de obra especializada. A fonte não detalhou os impactos regionais, mas a cadeia de fornecedores tende a se movimentar com os novos contratos.
Usinas reversíveis: a aposta em baterias naturais
Governo e empresas também se movimentam para viabilizar as chamadas usinas reversíveis – comuns na China e na Europa – que operam com dois reservatórios e na prática funcionam como uma bateria para o sistema. A Copel pretende apresentar ainda neste ano 4 GW em projetos, e outros grupos também estão conduzindo estudos de viabilidade. Essas usinas podem armazenar energia excedente e devolvê-la nos horários de pico, aumentando a estabilidade da rede.
A adoção dessa tecnologia no Brasil ainda depende de marcos regulatórios e incentivos, mas o interesse do setor privado sinaliza um novo ciclo de investimentos. A fonte não detalhou os locais previstos para os projetos da Copel.
Indústria se prepara para atender à demanda
Com uma fábrica em Taubaté, a companhia já trabalha em retrofits das usinas de São Simão (da SPIC), Tucuruí e São Domingos (estas duas da AXIA), enquanto se prepara para mais projetos nos próximos leilões de capacidade. A GE Vernova também foi contratada para a modernização tecnológica da hidrelétrica binacional de Itaipu, que era da Eletrobras e depois da privatização ficou com a estatal ENBpar. As obras envolvem um total de 14 anos, com execução gradual, para não atrapalhar o funcionamento da maior usina do País.
Esses contratos movimentam a indústria de equipamentos e serviços, com potencial de gerar empregos qualificados e oportunidades para fornecedores locais. Para empresários da região noroeste paulista, o aquecimento do setor pode abrir espaço para parcerias e novos negócios na cadeia de energia.
Perguntas Frequentes
Por que as hidrelétricas voltaram a atrair investimentos no Brasil?
As hidrelétricas voltaram a atrair investimentos porque são vistas como fundamentais para garantir a segurança energética, especialmente para atender à demanda no final da tarde e início da noite, quando o consumo sobe e a geração solar diminui.
Qual foi o volume de potência contratado no leilão de capacidade de março para expansão de hidrelétricas?
No leilão de capacidade de março, foram contratadas expansões de usinas existentes da AXIA Energia, Copel e SPIC, totalizando 2,5 gigawatts em potência, o maior volume em muito tempo.
Qual é o potencial estimado para expansão da capacidade hidrelétrica no Brasil apenas com máquinas adicionais e modernização?
Estudos apontam um potencial de 7,5 GW em capacidade só com a inclusão de máquinas adicionais em usinas antigas, além de 11 GW entre repotenciação e modernização de instalações existentes.



























