Grupo Primo Oikos: incorporação eleva custódia a R$ 34 bi

Crédito: Brazil Journal
O Grupo Primo, controlado pelo influenciador de finanças Thiago Nigro, anunciou nesta segunda-feira a incorporação da Oikos, um multi-family office com R$ 8 bilhões em ativos sob gestão. A transação, realizada por meio de troca de ações, representa o maior movimento de fusão e aquisição (M&A) da história da companhia. Com a aquisição, o Grupo Primo passa a deter R$ 34 bilhões em ativos sob custódia, consolidando sua posição no segmento de alta renda.
A Oikos atende apenas 40 famílias, com tíquete mínimo de R$ 100 milhões e tíquete médio de R$ 200 milhões. Entre seus acionistas de referência estão as famílias Zarzur e Grisi, conhecidas no mercado financeiro brasileiro. A operação marca a entrada definitiva do Grupo Primo no segmento private, movimento que já vinha sendo planejado pela empresa.
Estratégia de expansão no segmento private
O Grupo Primo já possuía cerca de R$ 2 bilhões dos R$ 26 bilhões de seus ativos totais provenientes de clientes com mais de R$ 20 milhões em patrimônio investido. A incorporação da Oikos adiciona R$ 8 bilhões a essa base, elevando significativamente a exposição da companhia ao público de altíssima renda. A meta declarada é fechar o ano com R$ 40 bilhões sob custódia e alcançar R$ 100 bilhões até 2028.
Para atingir esse objetivo, a empresa não descarta novos processos de M&A, embora essa não seja a estratégia principal. O foco permanece no crescimento orgânico, impulsionado pela forte presença digital de Nigro e pela estrutura de assessoria de investimentos do grupo. A fonte não detalhou os termos financeiros da transação, mas confirmou que os acionistas da Oikos se tornaram acionistas do Grupo Primo.
Sinergias entre as duas casas
Renato Mendes, co-fundador da Oikos, destacou que a união combina o conhecimento e a expertise da Oikos no atendimento a grandes famílias com a capacidade de comunicação e tecnologia do Grupo Primo. “O Thiago fala com milhões de pessoas. Isso gera um valor enorme quando vamos defender os clientes e buscar melhores condições comerciais”, afirmou. Mendes também revelou que a Oikos já havia sido abordada por outras casas, mas buscava uma transação que garantisse a independência da operação.
O Grupo Primo e a Oikos compartilham o modelo fee-based multi-custódia, que, segundo Nigro, é a única forma de evitar conflitos de interesse na gestão de recursos. Esse modelo permite que os consultores recomendem produtos de diferentes instituições financeiras sem estarem presos a uma única plataforma, alinhando os interesses do cliente aos da casa.
Participação da XP e governança
Além de Nigro e da partnership — que inclui executivos da empresa e agora os sócios da Oikos —, o Grupo Primo tem a XP como investidora. A XP investiu no negócio pela primeira vez em 2020 e aumentou sua participação no final de 2024. Nigro esclarece, no entanto, que a XP é um minoritário preferencialista, “não tem direito a voto no conselho e também não tem direito a veto”.
Essa estrutura de governança foi um fator decisivo para a Oikos aceitar a transação, pois garante que as decisões estratégicas permaneçam sob controle dos sócios fundadores e da partnership. A independência na gestão é um pilar central para ambas as casas, especialmente em um mercado onde conflitos de interesse podem comprometer a confiança dos clientes.
Trajetória do Grupo Primo
O Grupo Primo nasceu como um canal nas redes sociais, criado por Thiago Nigro para educar investidores iniciantes. Com o tempo, a empresa monetizou sua base com cursos para seguidores, expandiu para educação de profissionais do mercado financeiro e, posteriormente, inaugurou a vertical de assessoria de investimentos. Hoje, a consultoria de investimentos já representa uma parcela relevante da receita do grupo.
A incorporação da Oikos é mais um passo nessa evolução, permitindo ao Grupo Primo atender clientes de patrimônio ultra-alto com uma estrutura dedicada e especializada. A sinergia entre a capilaridade digital do Primo e o atendimento personalizado da Oikos pode criar um diferencial competitivo no mercado de wealth management brasileiro.
Impacto para o mercado e próximos passos
A transação ocorre em um momento de consolidação do setor de assessoria de investimentos no Brasil. Grandes players têm buscado escala por meio de aquisições, e a entrada do Grupo Primo no segmento private com uma operação bilionária sinaliza a ambição de competir com bancos e grandes gestoras. A meta de R$ 100 bilhões até 2028, se alcançada, colocaria o Grupo Primo entre os principais gestores de fortunas do país.
Para os empresários e comerciantes do noroeste paulista, a movimentação do Grupo Primo pode trazer reflexos indiretos, como maior oferta de serviços financeiros especializados e potencial aumento da concorrência no setor. Ainda que a atuação da Oikos seja focada em famílias de altíssimo patrimônio, a expansão do Grupo Primo pode, no médio prazo, democratizar o acesso a serviços de gestão de fortunas para faixas de renda menores, à medida que a empresa busca reduzir o tíquete mínimo de entrada.
A fonte não detalhou os próximos passos da integração entre as equipes da Oikos e do Grupo Primo. Também não foram divulgados os nomes dos novos sócios que passam a integrar a partnership. O mercado aguarda os desdobramentos da operação e os possíveis impactos na estratégia de crescimento da companhia.
Perguntas Frequentes
Qual foi o valor da aquisição da Oikos pelo Grupo Primo e qual o impacto nos ativos sob custódia?
A aquisição foi uma troca de ações, sem valor financeiro divulgado. Com a incorporação, o Grupo Primo atingiu R$ 34 bilhões em ativos sob custódia.
Quem são os acionistas de referência da Oikos e qual o perfil de clientes atendidos?
As famílias Zarzur e Grisi são acionistas de referência. A Oikos atende apenas 40 famílias com tíquete mínimo de R$ 100 milhões e médio de R$ 200 milhões.
Qual a meta de ativos sob custódia do Grupo Primo para 2028 e como pretende alcançá-la?
A meta é chegar a R$ 100 bilhões até 2028, o que pode envolver outras fusões e aquisições, embora essa não seja a estratégia principal da empresa.




























