Mercado aguarda plano fiscal de Flávio Bolsonaro

Crédito: InfoMoney
São Paulo — A continuidade da euforia no mercado brasileiro depende de um plano ainda incerto de Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência. Analistas que acompanham o Brasil esperam que o país tenha mais chances de enfrentar o déficit crescente sob o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro, embora ele ainda não tenha apresentado um plano detalhado de como pretende fazer isso.
Investidores apostam que o rali dos ativos brasileiros impulsionado pela eleição está apenas começando — uma visão que, em última análise, depende de um ajuste fiscal há muito exigido pelo mercado, mas sobre o qual ainda se sabe pouco. Ainda assim, essa expectativa, somada ao desencanto dos eleitores com Lula — que também impulsionou o avanço da direita nas eleições para o Congresso —, é suficiente para que casas como Pimco, UBS Asset Management, Citigroup e Morgan Stanley afirmem que os ativos brasileiros devem continuar em alta.
Benefício da dúvida tem prazo curto
“Os mercados provavelmente vão dar a ele o benefício da dúvida por enquanto, mas, no fim das contas, ele terá de entregar resultados na frente fiscal para que o rali se sustente”, disse Anthony Kettle, gestor sênior de mercados emergentes da RBC BlueBay. O Brasil é o mais recente teste de uma mudança política que levou eleitores da região a se afastarem da esquerda e conduzirem ao poder governos considerados mais favoráveis ao mercado.
Apenas no último ano, candidatos de direita, muitos deles com o apoio do presidente dos EUA, Donald Trump, venceram eleições na Bolívia, Chile, Colômbia e Peru. Essa mudança aumentou o apelo da América Latina entre investidores, que também destacam a abundância de recursos naturais da região e a distância relativa dos principais conflitos geopolíticos.
Déficit e dívida pressionam juros
O país, porém, continua mergulhado em problemas fiscais. O déficit nominal aumentou para quase 10% do Produto Interno Bruto, e a dívida pública superou 80% do PIB. Segundo analistas, o aumento do endividamento obriga o Banco Central a manter os juros em níveis de dois dígitos, o que limita o crescimento econômico e sufoca famílias e empresas. Flávio prometeu conter os gastos, reduzir a burocracia e cortar impostos.
Após uma visita recente ao Brasil, o TCW Group saiu convencido de que a campanha está comprometida em perseguir uma reforma fiscal significativa, afirmou Ayoti Mittra, analista de dívida soberana da América Latina. “É um ‘game changer’ para a forma como se deve pensar a política brasileira”, afirmou Alexander Robey, gestor da Allianz Global Investors.
Gestores veem espaço para alta
Na UBS Asset Management, Shamaila Khan afirma que os ativos podem continuar em alta conforme os mercados incorporem nos preços maior disciplina fiscal e cresça a convicção de que as reformas necessárias começarão a sair do papel. Há muitos obstáculos para que o cenário otimista se concretize.
Flávio ainda precisa transformar o forte desempenho no primeiro turno em vitória no segundo, em 25 de outubro, e investidores estão atentos a sinais de que Lula consiga recuperar apoio com a redistribuição dos votos dados a outros candidatos. “Para o Brasil, o relógio começa a correr agora”, afirmou. Os resultados da eleição geral de domingo trazem algum alívio aos investidores mesmo se a disputa presidencial tiver outro desfecho em 25 de outubro.
Perguntas Frequentes
Por que a continuidade da euforia no mercado brasileiro depende do plano fiscal de Flávio Bolsonaro?
Porque, embora investidores estejam otimistas com a eleição, o país enfrenta déficit nominal de quase 10% do PIB e dívida pública acima de 80% do PIB, e Flávio ainda não apresentou um plano detalhado de ajuste fiscal, sendo necessário entregar resultados para sustentar o rali.
Quais instituições financeiras acreditam que os ativos brasileiros devem continuar em alta?
Pimco, UBS Asset Management, Citigroup e Morgan Stanley afirmam que os ativos brasileiros devem continuar em alta, impulsionados pela expectativa de maior disciplina fiscal e pelo desencanto dos eleitores com Lula.
Quais são os principais obstáculos para a concretização do cenário otimista no Brasil, segundo os analistas?
Flávio precisa vencer o segundo turno em 25 de outubro, pois Lula pode recuperar apoio com a redistribuição de votos de outros candidatos; além disso, o aumento do endividamento obriga o Banco Central a manter juros de dois dígitos, limitando o crescimento econômico.




























