Ajuste fiscal da dívida pública exige R$ 250 bi

0
20

Estabilizar a dívida pública requer um ajuste nas contas de ao menos R$ 250 bilhões nos próximos quatro anos, avaliam economistas ouvidos pela Folha. Esse é o ponto de partida do desafio que o presidente eleito precisará enfrentar nos próximos quatro anos. A depender da credibilidade do plano, do empenho pessoal do chefe do Executivo e até dos juros no mercado internacional, o esforço necessário pode ser maior, chegando a R$ 400 bilhões em algumas simulações.

Meta de superávit exige esforço fiscal

Para os especialistas, o saldo das contas precisaria, idealmente, subir a 2% ou 2,5% do PIB até 2030, sem recorrer a subterfúgios ou descontos — ou seja, um resultado efetivo. O superávit poderia ser alcançado com expansão mais contida dos gastos públicos e ações pelo lado das receitas. Mas os próprios economistas são céticos quanto à viabilidade de um ajuste dessa envergadura, dada a resistência da classe política a medidas consideradas impopulares, como a desvinculação de benefícios sociais do salário mínimo e a flexibilização dos pisos de Saúde e Educação.

Campanhas evitaram detalhar planos

Os temas são tão sensíveis que as equipes tanto de Lula como do senador Flávio Bolsonaro (PL) se esquivaram de detalhar seus planos durante a campanha, embora ambos tenham reconhecido a necessidade de reequilibrar as contas. O atual governo prevê como meta um superávit de 1,5% do PIB em 2030. Mesmo esse resultado demandaria um ajuste próximo dos R$ 300 bilhões até o fim da década, segundo estimativas informais feitas por auxiliares do presidente que defendem algum aperto nos gastos.

Juros elevados pressionam contas públicas

Ter uma arrecadação superior às despesas (que resulta no superávit) cria uma poupança que ajuda o governo a pagar a conta de juros. Esse é um dos fatores que tornam a trajetória da dívida mais sustentável. Outros são a expansão mais forte do PIB e a inflação. Por outro lado, um saldo pior das contas e o aumento da taxa de juros contribuem para a piora do indicador.

O economista Carlos Kawall, ex-secretário do Tesouro Nacional e sócio-fundador da Oriz Partners, alerta para uma “situação mais complicada” do país, uma vez que o juro real no mundo está mais elevado. Isso trava a redução das taxas no Brasil e mantém mais caro o custo de financiamento. Segundo ele, estabilizar a dívida brasileira com um juro real (acima da inflação) de 4% ao ano já demandaria um superávit de 1,9% do PIB. Se esse custo sobe a 5%, o esforço passa a ser de 2,7% do PIB.

Impacto para empresas do interior paulista

Para empresários e comerciantes da região noroeste paulista, o cenário fiscal nacional tem reflexos diretos no custo do crédito e na confiança para investir. Juros elevados por mais tempo encarecem financiamentos para capital de giro, expansão de negócios e até mesmo para o consumidor final, reduzindo o poder de compra. Além disso, a incerteza sobre a trajetória da dívida pode afetar a taxa de câmbio e a inflação, pressionando os custos de insumos e mercadorias.

A busca por um ajuste fiscal crível, portanto, é condição para um ambiente de negócios mais estável e previsível.

Perguntas Frequentes

Quanto o Brasil precisa ajustar nas contas públicas para estabilizar a dívida?

Economistas ouvidos pela Folha estimam que é necessário um ajuste de ao menos R$ 250 bilhões nos próximos quatro anos, podendo chegar a R$ 400 bilhões dependendo da credibilidade do plano e dos juros internacionais.

Qual superávit primário seria necessário para estabilizar a dívida pública brasileira?

Especialistas apontam que o saldo das contas precisaria subir idealmente a 2% ou 2,5% do PIB até 2030, sem subterfúgios. O atual governo prevê meta de 1,5% do PIB, o que demandaria ajuste próximo de R$ 300 bilhões.

Por que é tão difícil implementar o ajuste fiscal necessário no Brasil?

Os economistas são céticos quanto à viabilidade do ajuste devido à resistência política a medidas impopulares, como desvincular benefícios sociais do salário mínimo e flexibilizar pisos de Saúde e Educação.

Fonte

Leave a reply