Endividamento e inadimplência das famílias caem em setembro

Crédito: G1
O endividamento das famílias brasileiras caiu pela primeira vez desde dezembro de 2025, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). A parcela de famílias com dívidas recuou de 82% em agosto para 81,7% em setembro, uma variação tímida, mas que interrompe uma sequência de altas que levou o indicador ao pico de 82,2% em abril e maio.
O indicador vinha em trajetória de alta desde dezembro do ano passado, quando estava em 80,9%. A expectativa da CNC é que o endividamento das famílias termine o ano relativamente estável, em torno de 81,5%. Para o comércio do interior paulista, a estabilidade pode sinalizar um consumidor mais cauteloso, mas ainda presente no mercado.
Inadimplência recua entre baixa renda, sobe na alta
No mesmo período, a inadimplência recuou entre as famílias que ganham até 3 salários mínimos e aumentou entre aquelas com renda acima de 10 salários mínimos, a única das quatro faixas de renda analisadas em que o indicador subiu. Especificamente, a inadimplência caiu de 38,8% para 38,5% entre famílias de menor renda, mas subiu de 14,9% para 15% entre as de maior renda.
Essa inversão de comportamento entre faixas de renda pode refletir um ajuste no orçamento das famílias mais pobres, que vêm priorizando o pagamento de dívidas, enquanto as de maior renda podem estar assumindo novos compromissos financeiros. Para empresários de Araçatuba e região, é um sinal de que o público de maior poder aquisitivo também merece atenção nas políticas de crédito e cobrança.
Comprometimento da renda segue elevado
Ao mesmo tempo, o comprometimento da renda continua elevado. Em média, as famílias destinam 29,6% da renda ao pagamento de dívidas. Para 19,4% delas, mais da metade da renda mensal está comprometida, maior percentual desde fevereiro, quando havia sido de 19,5%.
Esse alto comprometimento pode limitar o consumo no varejo local, especialmente em cidades como Birigui, Penápolis e Andradina, onde o comércio depende do fluxo de consumidores com renda disponível. A CNC não detalhou a distribuição desse indicador por faixa de renda.
Atrasos médios aumentam pelo segundo mês
Apesar da melhora em alguns indicadores, o tempo médio de atraso aumentou pelo segundo mês consecutivo. Em setembro, as dívidas estavam atrasadas, em média, por 65,3 dias, o maior período desde novembro de 2024, quando a média foi de 65,5 dias. Além disso, 48,9% das dívidas em atraso estavam vencidas havia mais de 90 dias.
Esse alongamento dos prazos de inadimplência pode pressionar o fluxo de caixa de empresas que dependem de recebíveis, como lojas de móveis, eletrodomésticos e vestuário. Para o comércio regional, é um alerta para reforçar a análise de crédito e a gestão de cobrança.
Famílias muito endividadas caem
O percentual de famílias que disseram não ter condições de pagar suas dívidas atrasadas ficou estável em 12,5% no mês, abaixo dos 13% registrados em setembro de 2025. Já a parcela de famílias consideradas muito endividadas caiu de 17,9% para 17,3%.
Esses dados sugerem uma leve melhora na percepção de capacidade de pagamento, embora o patamar ainda seja alto. Para os lojistas, a redução do endividamento extremo pode indicar um consumidor mais propenso a voltar às compras nos próximos meses, desde que as condições de crédito permaneçam favoráveis.
Impacto para o comércio do noroeste paulista
A queda do endividamento geral, combinada com a alta da inadimplência na alta renda, cria um cenário misto para o varejo de Araçatuba e região. Por um lado, a estabilidade esperada pela CNC pode trazer previsibilidade para o planejamento de estoques e promoções. Por outro, o comprometimento de renda ainda elevado e o aumento dos atrasos médios exigem cautela na concessão de crédito.
Entidades como a Associação Comercial e Empresarial de Araçatuba (ACIA) e o CDL podem orientar os associados a adotar políticas de crédito mais criteriosas, especialmente para clientes de maior renda, que historicamente apresentam menor inadimplência, mas agora mostram tendência de alta. A fonte não detalhou os motivos dessa mudança, mas o dado é relevante para estratégias de cobrança e fidelização.
Perguntas Frequentes
Qual foi a variação do endividamento das famílias brasileiras em setembro de 2025?
O endividamento caiu de 82% em agosto para 81,7% em setembro, primeira queda desde dezembro de 2025.
Como a inadimplência se comportou entre as diferentes faixas de renda em setembro?
A inadimplência caiu de 38,8% para 38,5% entre famílias com renda até 3 salários mínimos, mas subiu de 14,9% para 15% entre aquelas com renda acima de 10 salários.
Qual é o percentual da renda comprometida com dívidas e quantas famílias têm mais da metade da renda comprometida?
Em média, as famílias destinam 29,6% da renda ao pagamento de dívidas, e 19,4% delas têm mais da metade da renda mensal comprometida.




























