Trump pode reduzir oferta de energia de Itaipu ao Brasil

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Trump Itaipu energia Brasil pode reduzir oferta

O plano anunciado pelo governo de Donald Trump para utilizar energia da usina de Itaipu, na fronteira entre Brasil e Paraguai, para abastecer empresas de inteligência artificial pode reduzir a quantidade de eletricidade destinada ao mercado brasileiro. A iniciativa envolve a construção de um centro de processamento de dados no Paraguai, que consumirá parte da energia que hoje é excedente e vendida ao Brasil. A informação foi divulgada após acordo entre uma empresa americana e uma desenvolvedora paraguaia.

Acordo prevê centro de IA no Paraguai

O acordo anunciado pelos Estados Unidos envolve a empresa americana Crusoe, que desenvolve infraestrutura para inteligência artificial, e a desenvolvedora de projetos de energia e infraestrutura paraguaia Araico. A previsão é que a primeira fase do empreendimento entre em operação em meados de 2027. O projeto utilizará energia produzida por Itaipu para abastecer uma estrutura de processamento de dados instalada no Paraguai. Segundo o governo americano, a instalação atenderá clientes dos Estados Unidos e da América Latina. O anúncio não detalhou a quantidade de energia que será contratada.

Paraguai amplia consumo e reduz excedente

Segundo os pesquisadores, o Paraguai tem ampliado o consumo da energia que lhe pertence na hidrelétrica binacional. Com a instalação de novos empreendimentos de grande porte, a tendência é que o país utilize uma parcela cada vez maior da eletricidade e diminua o excedente atualmente disponibilizado ao Brasil. Para Victorio Oxilia, doutor em Energia e professor da Faculdade Politécnica da Universidade Nacional de Assunção, no Paraguai, a redução do excedente destinado pelo lado paraguaio ao Brasil já está em andamento e pode se acelerar com a chegada de novos consumidores.

Brasil não participou das negociações

O Brasil não participou das negociações anunciadas pelo governo americano. Ao g1, Itaipu informou que não participou do encontro entre as autoridades e que a utilização da energia destinada a cada país é uma decisão nacional, conforme as regras do tratado binacional. O professor de Relações Internacionais da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), Tomaz Espósito, também considera que os empreendimentos podem reduzir a disponibilidade de energia para o Brasil e tornar mais complexas as negociações entre os países.

Regras do Anexo C e impacto comercial

O Anexo C do Tratado de Itaipu estabelece as regras financeiras e de comercialização da energia produzida pela hidrelétrica, compartilhada entre Brasil e Paraguai. O documento define, entre outros pontos, como são calculados os custos da eletricidade e a compensação paga pela energia que um país não utiliza e disponibiliza ao outro. Para empresários e comerciantes do noroeste paulista, a eventual redução do excedente pode influenciar os preços da energia no mercado livre e nos contratos de longo prazo, afetando custos operacionais de indústrias e do agronegócio regional.

Especialistas descartam risco imediato

Apesar da possibilidade de redução, os especialistas não apontam risco imediato de desabastecimento no Brasil. Oxilia avalia que o país possui um sistema elétrico diversificado, com outras fontes de geração capazes de reduzir os impactos. O especialista explica que o crescimento da demanda paraguaia se intensificou a partir de 2021 e 2022, principalmente pela instalação de empresas que utilizam grandes quantidades de eletricidade, como as dedicadas à mineração de criptomoedas. Ainda assim, o cenário exige atenção de setores produtivos que dependem de energia competitiva para manter a competitividade.

Perguntas Frequentes

O plano de Trump para Itaipu pode reduzir a energia destinada ao Brasil?

Sim, o plano pode reduzir a quantidade de eletricidade destinada ao mercado brasileiro, pois o Paraguai tende a utilizar uma parcela maior da energia que lhe pertence, diminuindo o excedente disponibilizado ao Brasil.

Quais empresas estão envolvidas no acordo para usar energia de Itaipu em projetos de inteligência artificial?

O acordo envolve a empresa americana Crusoe, que desenvolve infraestrutura para inteligência artificial, e a desenvolvedora paraguaia Araico, com previsão de operação da primeira fase em meados de 2027.

O Brasil participou das negociações sobre o uso da energia de Itaipu para inteligência artificial?

Não, o Brasil não participou das negociações anunciadas pelo governo americano, e a Itaipu informou que a utilização da energia destinada a cada país é uma decisão nacional, conforme o tratado binacional.

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