Eleição movimenta Ibovespa e dólar a dois dias do 2º turno

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A dois dias do segundo turno das eleições presidenciais, o mercado financeiro brasileiro vive um momento de expectativa e cautela. O Ibovespa e o dólar reagem às projeções sobre o resultado das urnas, que pode influenciar o rumo dos ativos nas próximas semanas. Empresários e comerciantes da região noroeste paulista acompanham de perto, pois a volatilidade cambial e o desempenho da bolsa afetam diretamente custos de insumos, crédito e planejamento de investimentos.

Desde a confirmação das candidaturas de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) em agosto, a Bolsa brasileira acumula alta de 15,3%, enquanto o dólar recuou cerca de 2% no período. Esse movimento refletiu as apostas dos investidores numa mudança no poder. Agora, a menos de dois dias do segundo turno, a euforia dá lugar à cautela em relação a como os ativos devem reagir ao resultado das urnas, em uma disputa acirrada que pode influenciar o rumo dos ativos brasileiros nas próximas semanas.

Cenários distintos para cada candidato

Um levantamento do Citi com 73 gestores de fundos de ações e multimercados mostra a diferença entre as previsões para cada cenário. Em caso de vitória de Flávio, 49,3% dos entrevistados esperam alta superior a 5% do Ibovespa, enquanto 48% projetam valorização de 1% a 5%. No câmbio, 78,1% dos gestores esperam valorização do real de 2% a 5% ante o dólar.

Já em caso de vitória de Lula, 80% projetam queda superior a 5% da Bolsa, e 63% esperam desvalorização do real acima de 5%. Essas projeções indicam que o mercado precifica riscos distintos para a economia, o que pode se refletir no custo de importação de mercadorias e na confiança do consumidor no comércio local.

Visão de estrategistas sobre os impactos

Para Ricardo Pompermaier, estrategista-chefe da Davos Investimentos, uma vitória de Flávio tende a dar continuidade à melhora dos ativos brasileiros observada após o primeiro turno, com queda dos juros futuros e valorização da Bolsa, impulsionadas pela expectativa de ajuste fiscal. O espaço para valorização do real, porém, seria mais limitado pelo cenário externo.

Em caso de reeleição de Lula, Pompermaier prevê uma reação negativa, com abertura da curva de juros, queda da Bolsa e alta do dólar, diante da menor expectativa de ajuste das contas públicas. Para o empresário do interior paulista, isso pode significar pressão sobre os custos de produtos importados e maior incerteza para a tomada de crédito.

Reação pode ser menor que no primeiro turno

A reação positiva, contudo, tende a ser menor que a observada após o primeiro turno, quando o Ibovespa subiu 7,7% em um único pregão e o dólar caiu cerca de 4%, diz Fiorelli. O desempenho dependerá, porém, da capacidade do novo governo de transformar as expectativas em medidas concretas.

Eduardo Amorim, especialista em investimentos da Manchester Investimentos, afirma que a melhora recente dos juros futuros reflete principalmente a possibilidade de alternância de governo, e não uma mudança efetiva nos fundamentos econômicos. Ainda há indefinições sobre as propostas fiscais, a equipe econômica e a capacidade de execução das medidas, diz Amorim. Por isso, ele não descarta tanto a continuidade da queda dos juros quanto uma correção que devolva parte do movimento recente.

Possível correção em caso de vitória de Lula

Em caso de vitória de Lula, o mercado pode devolver parte dos ganhos acumulados desde o primeiro turno, segundo os especialistas. Fiorelli estima que o Ibovespa poderia sofrer uma correção de 15% a 20%, com maior impacto sobre empresas que subiram durante o movimento recente de valorização.

Para o comércio e a indústria da região de Araçatuba, Birigui, Penápolis e Andradina, essa correção poderia reduzir a confiança empresarial e adiar decisões de investimento. Por outro lado, uma eventual estabilidade política e fiscal poderia destravar o crédito e estimular o consumo, beneficiando pequenas e médias empresas.

O que esperar nos próximos dias

Os investidores devem monitorar de perto a reação dos mercados na segunda-feira após a eleição. A volatilidade do dólar afeta diretamente o preço de insumos importados, como trigo, fertilizantes e componentes eletrônicos, impactando o custo de vida e a margem de lucro dos comerciantes locais.

Independentemente do resultado, a capacidade do novo governo de sinalizar responsabilidade fiscal e previsibilidade econômica será decisiva para a trajetória do Ibovespa e do dólar. Para o empresariado do noroeste paulista, o cenário exige prudência na gestão de caixa e atenção às oportunidades de hedge cambial.

Perguntas Frequentes

Como o Ibovespa e o dólar podem reagir se Flávio Bolsonaro vencer o segundo turno?

Segundo levantamento do Citi com 73 gestores, 49,3% esperam alta superior a 5% do Ibovespa e 78,1% projetam valorização do real de 2% a 5% ante o dólar em caso de vitória de Flávio.

Qual é a expectativa dos gestores para o mercado se Lula for reeleito?

Em caso de reeleição de Lula, 80% dos gestores projetam queda superior a 5% da Bolsa e 63% esperam desvalorização do real acima de 5%, conforme o levantamento do Citi.

Quanto o Ibovespa já subiu desde a confirmação das candidaturas presidenciais?

A Bolsa brasileira acumula alta de 15,3% desde a confirmação das candidaturas de Lula e Flávio Bolsonaro em agosto, enquanto o dólar recuou cerca de 2% no período.

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