IPCA-15 de outubro mantém inflação acima de 5% em 2026

Crédito: UOL Economia
O IPCA-15 de outubro, divulgado nesta quinta-feira, trouxe uma leitura considerada ‘normal’ pelos analistas, mas não foi suficiente para alterar as projeções de inflação acima de 5% para 2026. Depois de picos atípicos para baixo e para cima, em agosto e setembro, a inflação dá sinais de voltar a um período de “normalidade” nos meses finais de 2026. A inflação de outubro, medida pelo IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15), ficou em 0,28%, bem abaixo das expectativas do mercado, que projetava alta de 0,45%.
Para empresários e comerciantes da região noroeste paulista, o resultado reforça a necessidade de atenção aos custos, especialmente em alimentação e serviços, que seguem como principais vetores de pressão inflacionária. Apesar da surpresa baixista, as projeções para o fechamento do ano permanecem entre 5,2% e 5,5%, acima do teto da meta de 4,5% e distantes do centro de 3%.
Serviços e alimentos sustentam a pressão
Nos serviços, a alta de preços foi de 0,2%, mas, excluindo passagens aéreas, item volátil que surpreendeu para baixo, com recuo de quase 1% em outubro, os preços no setor subiram 0,45%. Descartada a deflação em passagens aéreas, a inflação medida pelo IPCA-15 teria avançado para 0,4%. Esse movimento indica que a pressão subjacente nos serviços segue relevante, o que preocupa o comércio local, que depende da renda disponível das famílias.
Outro fator que contribuiu para a moderação do IPCA-15 em outubro, que ficou bem abaixo das expectativas dos analistas de mercado — eles esperavam alta de 0,45% —, foi uma variação menor do que a esperada nos preços dos alimentos. Ainda assim, a alimentação foi o item que mais contribuiu para a alta de preços no IPCA-15, com elevação de 0,9% (0,8% no domicílio), quase 60% do total.
A tendência de alta se mantém para a frente, o que deve impactar diretamente o custo de vida e o poder de compra na região.
Projeções seguem acima do teto da meta
Os movimentos de preços em outubro, captados pela variação do IPCA-15, não foram capazes de alterar as previsões para a inflação no fechamento de 2026. As projeções continuam apontando alta de 5,2% a 5,5%, acima de 4,5%, que é o teto do intervalo de tolerância do sistema de metas, e relativamente longe do centro, fixado em 3%. Para o setor produtivo, isso significa conviver com juros ainda elevados e custos de crédito pressionados, o que pode adiar investimentos e contratações.
Nas projeções do economista Fábio Romão, experiente responsável pelo acompanhamento de preços na consultoria 4intelligence, o IPCA cheio de outubro ficará ligeiramente abaixo da marca do IPCA-15 do mês, fechando com alta de 0,28%. Para novembro, o economista prevê avanço da inflação também em 0,3%, com um repique para 0,6% em dezembro. Esse cenário mantém a inflação acumulada em patamar desconfortável para a política monetária.
Difusão de preços preocupa o comércio
No IPCA-15 de outubro foram notadas pressões em serviços, contrabalançadas por alívio previsto em energia elétrica, com bandeira verde no mês. Também o número de itens com preços em alta fez com que o índice de difusão se elevasse em relação a meses anteriores e indicasse uma certa disseminação de preços mais elevados. Para os lojistas, essa difusão pode sinalizar repasses mais amplos de custos, afetando margens e estratégias de precificação.
Nas projeções de Fábio Romão, a variação de preços na alimentação no domicílio pode chegar, em novembro, a 1%. Com expectativa de elevação de 1,2% em dezembro, a inflação da alimentação no domicílio deve fechar 2026 com alta de 7,5%, operando como fator de pressão sobre o índice geral. Esse é um ponto de atenção para supermercados e estabelecimentos do setor alimentício, que precisam gerenciar estoques e negociações com fornecedores.
Núcleos mostram resistência inflacionária
A média dos núcleos — medidas mais estruturais das variações de preços, que desconsideram eventos sazonais ou inesperados — registrou alta de 0,31% no IPCA-15 de outubro, com a média trimestral anualizada indicando alta de 4,4% (contra 4,1% em setembro). Esse avanço dos núcleos reforça a percepção de que a inflação segue resiliente, o que pode exigir manutenção de juros restritivos por mais tempo, impactando o crédito para pequenas e médias empresas.
Copom deve manter ritmo de cortes
Depois do resultado do IPCA-15 de outubro e dos ajustes para a inflação cheia do mês, também não houve revisão nas expectativas para a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) sobre os juros básicos em novembro. Permanece a aposta de que será definido mais um corte de 0,25 ponto percentual, trazendo a taxa básica (taxa Selic) a 13,5%, e outro, do mesmo tamanho, em dezembro, encerrando 2026 com a taxa básica em 13,25%.
Para o empresariado, a trajetória de queda gradual da Selic ainda não alivia significativamente o custo do capital de giro, mas sinaliza um horizonte menos restritivo para 2027.
Perguntas Frequentes
Qual foi a variação do IPCA-15 em outubro de 2026 e como ela se compara às expectativas do mercado?
O IPCA-15 de outubro ficou bem abaixo das expectativas dos analistas, que esperavam alta de 0,45%, mas o índice registrou uma variação menor, influenciado por uma queda nas passagens aéreas e uma alta menor que a esperada nos alimentos. Excluindo a deflação em passagens aéreas, a inflação teria sido de 0,4%.
Quais são as projeções para a inflação em 2026 após o resultado do IPCA-15 de outubro?
As projeções para a inflação no fechamento de 2026 continuam apontando alta de 5,2% a 5,5%, acima do teto da meta de 4,5% e relativamente longe do centro de 3%. O resultado do IPCA-15 de outubro não alterou essas previsões.
Como o resultado do IPCA-15 de outubro afetou as expectativas para a decisão do Copom sobre a taxa Selic?
Não houve revisão nas expectativas para a decisão do Copom em novembro. Permanece a aposta de mais um corte de 0,25 ponto percentual, levando a Selic a 13,5%, e outro corte igual em dezembro, encerrando 2026 com a taxa em 13,25%.



























