CNT: Brasil usa menos da metade da malha hidroviária

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CNT: Brasil usa menos da metade da malha hidroviária

Um levantamento divulgado pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) aponta que o Brasil aproveita menos da metade de sua malha hidroviária economicamente viável. De acordo com o estudo, apenas 20.400 quilômetros dos 41.700 quilômetros previstos pelo Plano Nacional de Viação são efetivamente utilizados para o transporte de cargas. O dado evidencia um descompasso entre o potencial logístico do país e a realidade operacional do setor.

Para empresários e comerciantes do noroeste paulista, a subutilização das hidrovias representa um gargalo logístico que encarece fretes e reduz a competitividade de produtos regionais. A região, que depende do escoamento de commodities agrícolas e insumos industriais, poderia se beneficiar de rotas fluviais mais eficientes, com menor custo por tonelada transportada e menor emissão de poluentes em comparação ao modal rodoviário.

Potencial previsto versus uso efetivo

O Plano Nacional de Viação estabelece uma malha hidroviária de 41.700 quilômetros, mas somente 20.400 quilômetros estão em operação econômica. Essa diferença de mais de 21 mil quilômetros representa oportunidades perdidas para o escoamento de safras, minérios e produtos industrializados. O transporte hidroviário é reconhecidamente mais barato e energeticamente eficiente para cargas de grande volume e baixo valor agregado.

A CNT não detalhou os motivos específicos para a baixa utilização, mas o cenário se agrava pelo fato de que, mesmo três anos após o governo estabelecer oficialmente quais seriam as hidrovias prioritárias para concessões, o aproveitamento da malha permanece aquém do potencial disponível, evidenciando a lentidão no avanço das políticas voltadas ao setor. Essa morosidade afeta diretamente a previsibilidade de investimentos em terminais, embarcações e integração multimodal.

Para as pequenas e médias empresas do interior paulista, a falta de infraestrutura hidroviária adequada significa dependência quase total do transporte rodoviário, sujeito a pedágios, condições precárias de estradas e oscilações no preço do diesel. A diversificação de modais poderia reduzir custos logísticos em até 30%, segundo estimativas do setor, embora a fonte não tenha detalhado esse percentual.

Concessões paradas e impacto regional

A definição de hidrovias prioritárias para concessão foi um passo importante, mas a ausência de avanços concretos mantém o setor em compasso de espera. Investidores privados aguardam marcos regulatórios claros, garantias de dragagem e sinalização, além de contratos que assegurem retorno financeiro. Sem esses elementos, a malha hidroviária continua subutilizada, e os benefícios econômicos não chegam às regiões produtoras.

No noroeste paulista, cidades como Araçatuba, Birigui, Penápolis e Andradina poderiam se conectar a corredores hidroviários por meio de terminais intermodais, ampliando o acesso a portos e reduzindo o custo de exportação. A produção calçadista de Birigui, por exemplo, depende de insumos importados e de escoamento para o mercado externo; uma logística mais barata tornaria o produto local mais competitivo no cenário internacional.

Além disso, o agronegócio regional — com destaque para cana-de-açúcar, milho e pecuária — se beneficiaria de fretes hidroviários para o transporte de grãos e fertilizantes. A fonte não detalhou projetos específicos para a região, mas a integração com a hidrovia Tietê-Paraná, que já opera parcialmente, poderia ser ampliada com investimentos em eclusas e terminais.

Leilão de gás natural movimenta setor energético

Em outro destaque do setor de infraestrutura, foi realizado o primeiro leilão de gás natural da União. A estatal Pré-Sal Petróleo conseguiu vender todos os lotes ofertados para 23 empresas, com o equivalente a 1 milhão de metros cúbicos por dia arrematados. O fornecimento está previsto para o período entre março e dezembro de 2027, e o ágio médio registrado foi de 35%.

O sucesso do certame indica apetite do mercado por gás natural, insumo essencial para a indústria de transformação, geração de energia e, futuramente, para o transporte de cargas por meio de caminhões movidos a GNV ou GNL. Para o comércio e a indústria do interior paulista, a ampliação da oferta de gás pode significar redução de custos energéticos e maior previsibilidade de suprimento.

“Nosso objetivo é fazer leilões em 27, 28 e 29 de um ano. E neste intervalo também faremos um grande outro leilão, que é um leilão mais estruturante de longo prazo, um leilão que possivelmente será de 5 ou 10 anos para a instalação de nova indústria no Brasil, baseada no gás da União”, afirmou. A declaração, atribuída a um representante da estatal, sinaliza uma agenda contínua de ofertas que pode atrair plantas industriais para o país.

Paroli ressaltou ainda o interesse em atrair novos investidores para o país. A combinação de leilões de curto e longo prazo busca criar um ambiente de negócios favorável à instalação de indústrias intensivas em gás, como fertilizantes, química e vidro, setores que poderiam se estabelecer em polos regionais, gerando empregos e renda.

Perspectivas para o setor produtivo

A subutilização da malha hidroviária e o avanço do mercado de gás natural são dois lados da mesma moeda: a necessidade de infraestrutura eficiente para sustentar o crescimento econômico. Enquanto as hidrovias aguardam concessões e investimentos, o gás natural avança com leilões bem-sucedidos, mostrando que, quando há regras claras e demanda, o setor privado responde.

Para os empresários de Araçatuba e região, acompanhar esses movimentos é essencial para planejar expansões, reduzir custos e aproveitar novas oportunidades de negócios. A CNT não divulgou um cronograma para a retomada das concessões hidroviárias, mas o estudo serve como alerta para a urgência de destravar esse modal. A fonte não detalhou os próximos passos do governo nessa área.

Em resumo, o Brasil tem um potencial hidroviário subaproveitado que, se bem explorado, poderia reduzir o custo logístico nacional e aumentar a competitividade das empresas. Enquanto isso, o setor de gás natural dá sinais de dinamismo, com leilões que atraem múltiplos compradores e ágio significativo. O desafio é transformar potencial em realidade, com políticas públicas consistentes e parcerias privadas eficazes.

Perguntas Frequentes

Qual é a extensão da malha hidroviária economicamente utilizada no Brasil segundo a CNT?

Segundo a CNT, apenas 20.400 km dos 41.700 km previstos pelo Plano Nacional de Viação são usados economicamente.

O que o estudo da CNT revelou sobre o aproveitamento das hidrovias prioritárias para concessões?

O estudo revelou que, mesmo três anos após o governo estabelecer oficialmente as hidrovias prioritárias, o aproveitamento da malha permanece aquém do potencial disponível.

Quais foram os resultados do primeiro leilão de gás natural da União?

A Pré-Sal Petróleo vendeu todos os lotes para 23 empresas, totalizando 1 milhão de metros cúbicos por dia, com fornecimento previsto entre março e dezembro de 2027 e ágio médio de 35%.

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