Dois fatores reduzem pressão no mercado brasileiro, diz Mansueto

Crédito: Money Times
São Paulo — O economista-chefe do BTG, Mansueto Almeida, afirmou nesta quinta-feira (29) que a recente reprecificação dos ativos brasileiros reflete a combinação entre juros elevados, piora das expectativas de inflação e incertezas sobre a condução da política fiscal. A declaração foi feita durante a final da Copa BTG Trader 2026, realizada em São Paulo. Segundo ele, dois fatores são essenciais para reduzir a pressão no mercado brasileiro: um ajuste fiscal consistente e a consequente trajetória de queda dos juros.
Movimento recente é ajuste de posição
Mansueto minimizou a leitura de que os movimentos dos últimos pregões representem uma tendência definitiva. “É muito mais um ajuste de posição”, afirmou, ao analisar o comportamento recente dos mercados. Para o economista, o rumo dos ativos dependerá dos sinais que o governo apresentar sobre a política fiscal. A fala indica que o mercado aguarda definições mais claras da equipe econômica para calibrar suas expectativas.
Incertezas domésticas pesam sobre investimentos
No cenário doméstico, as incertezas aumentaram diante das dúvidas sobre a composição da equipe econômica, a continuidade do arcabouço fiscal e as medidas que poderão conter o crescimento das despesas obrigatórias do governo. A combinação entre juros elevados e incerteza fiscal também prejudica o investimento privado. Empresas enfrentam custos de financiamento maiores, enquanto investidores passam a exigir retornos mais altos para assumir riscos no mercado brasileiro.
Esse ambiente desfavorável afeta diretamente a capacidade de expansão de negócios, inclusive no interior paulista, onde o crédito mais caro inibe projetos de pequenas e médias empresas.
Ajuste fiscal pode mudar a dinâmica
Por outro lado, uma sinalização consistente de ajuste fiscal pode alterar essa dinâmica. Se o mercado acreditar que o crescimento das despesas será controlado, as expectativas de inflação poderão melhorar e os juros de longo prazo poderão recuar, favorecendo a valorização dos ativos. “Se a gente conseguir criar um ambiente com juros seguindo uma trajetória de queda, isso aumenta o valor das empresas”, explica Mansueto.
A queda dos juros reduziria o custo de capital e estimularia novos investimentos produtivos, com reflexos positivos para o comércio e a indústria da região noroeste paulista.
Bolsa barata e empresas de qualidade
O economista observa que o mercado brasileiro reúne empresas de qualidade e que parte dos ativos está negociada a preços deprimidos em razão das condições macroeconômicas. “É um país que tem muita empresa boa, [com a Bolsa] barata”, afirma. Para ele, um ambiente de maior previsibilidade fiscal poderia criar condições para uma nova onda de investimentos, emissões de ações e operações de abertura de capital. Esse movimento abriria espaço para que empresas locais captassem recursos e ampliassem suas operações, gerando empregos e renda na região.
Brasil pode atrair capital internacional
A perspectiva de recuperação não se restringe aos investidores domésticos. Mansueto considera que o Brasil tem condições de ampliar sua participação nos fluxos internacionais de capital, sobretudo em um contexto de tensões geopolíticas e incertezas em outras regiões do mundo. A atração de recursos externos poderia fortalecer o real e reduzir a pressão sobre os juros, beneficiando o ambiente de negócios como um todo. Para empresários de Araçatuba e região, a entrada de capital estrangeiro poderia significar mais liquidez e oportunidades de parcerias comerciais.
Perguntas Frequentes
Quais são os dois fatores essenciais para reduzir a pressão no mercado brasileiro, segundo Mansueto, do BTG?
Segundo Mansueto, os dois fatores essenciais são a sinalização consistente de ajuste fiscal e a criação de um ambiente com juros em trajetória de queda. Isso melhoraria as expectativas de inflação e favoreceria a valorização dos ativos.
Por que a reprecificação dos ativos brasileiros reflete incertezas sobre a política fiscal?
A reprecificação reflete a combinação de juros elevados, piora das expectativas de inflação e incertezas sobre a condução da política fiscal, incluindo dúvidas sobre a composição da equipe econômica e a continuidade do arcabouço fiscal.
Como um ajuste fiscal consistente pode impactar o investimento privado no Brasil?
Um ajuste fiscal consistente pode reduzir as expectativas de inflação e os juros de longo prazo, diminuindo o custo de financiamento para empresas e aumentando o valor das empresas, o que favoreceria novos investimentos, emissões de ações e IPOs.




























