Ibovespa cai 18% e reavalia riscos fiscais no Brasil

Crédito: CNN Brasil
O Ibovespa acumulou uma queda acima de 18% na semana seguinte ao segundo turno das eleições presidenciais, em um movimento de reprecificação dos ativos brasileiros diante das incertezas sobre a condução das políticas econômica e fiscal da nova gestão. A desvalorização refletiu a revisão das expectativas dos investidores para o cenário econômico do país, com impacto direto sobre o valor de mercado das empresas listadas na B3.
Segundo levantamento da Elos Ayta, entre 23 e 30 de outubro as companhias perderam cerca de R$ 963 bilhões em valor de mercado, uma retração de 16,94%. O montante praticamente anulou os R$ 972 bilhões adicionados ao valor de mercado das empresas entre o fim de 2025 e o dia 23 de outubro. Apesar da correção, o índice ainda registra valorização de aproximadamente 4% no ano.
Mercado reavalia riscos fiscais e aguarda definições
A bolsa brasileira passa por reprecificação de ativos após a reeleição de Lula; o mercado aguarda novos sinais para o comando da Fazenda e a política fiscal. A desvalorização da Bolsa foi acompanhada pela alta do dólar e pela disparada dos juros futuros, refletindo a revisão das expectativas dos investidores para o cenário econômico do país.
Nos pregões seguintes, o Ibovespa continuou pressionado e passou a operar na faixa dos 167 mil a 169 mil pontos, devolvendo os ganhos acumulados em outubro. Para a próxima semana, os especialistas escutados pelo CNN Money afirmam que a mudança nas expectativas para a inflação e a próxima decisão do Banco Central pode definir a direção dos mercados.
Setores mais sensíveis lideram perdas na B3
As maiores perdas se concentraram em varejo, mercado imobiliário, bancos e empresas de menor capitalização, conhecidas como small caps. Para a analista de Renda Variável da Rico, Bruna Sene, esses segmentos são mais sensíveis às condições de crédito, aos juros e ao ritmo da atividade econômica.
Na outra ponta, exportadoras e empresas ligadas a commodities, como Petrobras e Vale, amorteceram parte do movimento, beneficiadas pelo dólar mais alto e pelo petróleo, explicou a economista. Essa dinâmica evidencia a seletividade do mercado em meio à aversão ao risco doméstico.
Decisão do Banco Central ganha peso redobrado
Bruna Centeno, sócia e advisor da Blue3 Investimentos, afirma que a decisão será especialmente relevante diante da ausência de definições mais claras sobre a condução fiscal do próximo governo. “Se o Comitê optar pela manutenção dos juros, isso tende a acalmar os ânimos, pois demonstrará que o Banco Central segue atento ao balanço de riscos”, avalia.
Ao CNN Money, o CIO da Sincra, Gustavo Cruz, avaliou que a queda ocorreu em um contexto no qual investidores brasileiros e estrangeiros estavam bastante posicionados em ativos locais. O desempenho da Bolsa na próxima semana deve depender de “definições sobre o novo ministro da Fazenda e a equipe econômica, da decisão do Banco Central sobre os juros e dos desdobramentos do conflito entre Estados Unidos e Irã”.
Para empresários e comerciantes do interior paulista, a volatilidade do mercado acionário pode influenciar as condições de crédito e o custo de capital, afetando decisões de investimento e expansão. A indefinição fiscal tende a pressionar os juros de longo prazo, encarecendo financiamentos para pequenas e médias empresas. A expectativa é que a nomeação da equipe econômica traga clareza sobre a trajetória da dívida pública e restaure a confiança dos agentes.
Perguntas Frequentes
Qual foi a queda do Ibovespa após o segundo turno das eleições presidenciais?
O Ibovespa acumulou uma queda acima de 18% na semana seguinte ao segundo turno, em um movimento de reprecificação dos ativos brasileiros diante das incertezas sobre a política econômica e fiscal.
Quanto as empresas listadas na B3 perderam em valor de mercado entre 23 e 30 de outubro?
As companhias perderam cerca de R$ 963 bilhões em valor de mercado, uma retração de 16,94%, segundo levantamento da Elos Ayta.
Quais setores tiveram as maiores perdas na bolsa durante a queda?
As maiores perdas se concentraram em varejo, mercado imobiliário, bancos e empresas de menor capitalização (small caps), que são mais sensíveis a crédito, juros e atividade econômica.



























