Tesouro Direto tem perdas de até 17% após 2º turno

Crédito: InfoMoney
Os títulos do Tesouro Direto registraram perdas expressivas na semana após o segundo turno das eleições, com desvalorizações de até 17% em alguns papéis. O movimento reverteu o rali observado na semana do primeiro turno e levou as taxas a patamares superiores aos registrados antes da votação de 4 de outubro. A informação consta em levantamento do InfoMoney com dados do Tesouro Nacional, que comparou nove títulos prefixados e atrelados à inflação entre o fechamento de sexta-feira (23) e o desta sexta (30).
Entre os papéis analisados, o Tesouro IPCA+ 2050 apresentou a maior desvalorização, de 17,19%. A taxa desse título subiu de IPCA + 6,42% para IPCA + 7,28% ao ano. Nos prefixados, as taxas avançaram entre 2,20 e 2,47 pontos percentuais na semana, com o Prefixado 2032 indo de 12,89% para 15,36%. Já nos títulos atrelados à inflação, as altas ficaram entre 0,86 e 1,17 ponto.
Taxas superam níveis pré-eleição
O nível atual das taxas supera inclusive o observado antes da eleição. Na manhã de 2 de outubro, sexta-feira anterior ao primeiro turno, o Prefixado 2032 pagava 14,15% e o IPCA+ 2050, IPCA + 7,06%. Com isso, o movimento da semana passada apagou completamente o rali eleitoral e devolveu os rendimentos a patamares ainda mais elevados.
Essa dinâmica reflete a reprecificação dos ativos diante do novo cenário político e das incertezas fiscais. A fonte não detalhou os motivos específicos da reação, mas o comportamento das taxas indica maior aversão ao risco por parte dos investidores.
Maior alta diária desde 2004
Um dado chama atenção no histórico do Tesouro Direto: a alta de 2,88 pontos percentuais dos prefixados na segunda-feira após o segundo turno é a maior desde dezembro de 2004, na comparação entre taxas de abertura. Esse movimento supera inclusive o registrado em 12 de março de 2020, no início da pandemia de Covid-19.
O salto reflete a intensidade da reação do mercado, que buscou rapidamente ajustar os prêmios de risco. A magnitude da variação em um único dia evidencia a sensibilidade dos títulos públicos a eventos políticos de grande repercussão.
Tesouro reage com cancelamento de leilões
Diante da volatilidade, o Tesouro Nacional adotou medidas para conter a pressão sobre os preços. A instituição cancelou os leilões de NTN-B, LFT e prefixados previstos para a semana. Além disso, realizou operações de recompra de títulos, que somaram cerca de R$ 31,6 bilhões na segunda e na terça-feira.
Essas ações visaram dar liquidez ao mercado e evitar distorções adicionais nas taxas. A recompra de títulos é um instrumento utilizado pelo Tesouro para sinalizar confiança e reduzir a volatilidade em momentos de estresse.
Comportamento divergente entre prefixados e IPCA+
Após o choque inicial, os títulos prefixados recuaram ligeiramente em relação ao fechamento de segunda-feira, enquanto os títulos IPCA+ mais longos continuaram subindo. A taxa do IPCA+ 2050, que havia terminado o dia 26 em IPCA + 7,03%, encerrou a semana em IPCA + 7,28%.
Essa diferença sugere que os investidores mantiveram a demanda por proteção contra a inflação, mesmo com a acomodação parcial dos prefixados. O movimento pode indicar expectativas de inflação mais elevadas no horizonte de longo prazo.
Para empresários e profissionais da região noroeste paulista, o aumento das taxas do Tesouro Direto tem impacto direto no custo de financiamento e nas decisões de investimento. Taxas mais altas tendem a encarecer o crédito e reduzir a atratividade de projetos de expansão, afetando o comércio e a indústria local.
Perguntas Frequentes
Quais títulos do Tesouro Direto tiveram as maiores perdas na semana após o segundo turno das eleições?
O Tesouro IPCA+ 2050 teve a maior desvalorização, de 17,19%, com a taxa subindo de IPCA + 6,42% para IPCA + 7,28% ao ano. Nos prefixados, o Prefixado 2032 viu sua taxa avançar de 12,89% para 15,36%.
As taxas atuais dos títulos públicos estão acima dos níveis anteriores ao primeiro turno?
Sim. Na manhã de 2 de outubro, antes do primeiro turno, o Prefixado 2032 pagava 14,15% e o IPCA+ 2050, IPCA + 7,06%. Após o segundo turno, essas taxas subiram para 15,36% e IPCA + 7,28%, respectivamente.
O Tesouro Nacional tomou alguma medida para conter a alta das taxas após o segundo turno?
Sim, o Tesouro cancelou os leilões de NTN-B, LFT e prefixados previstos para a semana e realizou recompras de títulos, totalizando cerca de R$ 31,6 bilhões na segunda e terça-feira.




























