Incerteza fiscal é maior problema de curto prazo, diz Mansueto

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Incerteza fiscal é maior problema de curto prazo, diz Mansueto

O economista-chefe do BTG, Mansueto Almeida, afirmou que a incerteza fiscal é o maior problema de curto prazo da economia brasileira. Em entrevista ao CNN Money, ele avaliou que a turbulência nos mercados após as eleições representa um ajuste de posições, mas defendeu a necessidade de um plano fiscal claro do governo. A declaração foi dada em um momento de forte volatilidade no câmbio e nas taxas de juros.

Mercado em ajuste, mas com alerta fiscal

A turbulência observada nos mercados financeiros após as eleições representa um ajuste de posições e não indica que a bolsa, o dólar e os juros permanecerão nos patamares atuais. Essa é a avaliação de Mansueto Almeida, economista chefe do BTG, em entrevista ao CNN Money. Para ele, os movimentos recentes refletem a realocação de carteiras diante de um cenário político ainda indefinido. Contudo, o economista ressalta que a ausência de diretrizes fiscais consistentes impede uma recuperação mais sólida dos ativos.

“O maior problema do Brasil hoje, no curto prazo, que está se traduzindo no dólar mais alto, na queda da bolsa e no aumento da curva de juros, é justamente a indefinição, a incerteza de qual será o novo plano fiscal do governo”, afirmou. A fala evidencia que, para o especialista, a raiz da instabilidade está na falta de clareza sobre a trajetória das contas públicas. Sem essa definição, os agentes econômicos tendem a exigir prêmios de risco mais elevados, pressionando o câmbio e os juros futuros.

Essa dinâmica encarece o crédito e reduz a previsibilidade para investimentos produtivos.

Falta um plano de voo para os gastos

Para o economista, o que falta é um “plano de voo” claro sobre como controlar o crescimento do gasto público, condição essencial para reduzir a inflação e criar um ambiente de juros mais baixos. A metáfora utilizada por Mansueto sugere a necessidade de um roteiro detalhado, com metas e instrumentos definidos, que oriente a política fiscal nos próximos anos. Sem esse direcionamento, a percepção de risco se mantém elevada, afetando negativamente as expectativas de inflação e a curva de juros.

Mansueto Almeida ressaltou que a simples divulgação de um plano fiscal consistente, com amplo apoio político, já seria suficiente para provocar uma melhora significativa nos mercados. “O mero fato de você sinalizar um plano de voo muito claro, focado no controle do crescimento da despesa pública, já vai criar um ambiente muito mais favorável ao mercado”, declarou. Ele acrescentou que o mercado acompanhará, ao longo do tempo, se as medidas anunciadas serão de fato cumpridas.

Ou seja, a credibilidade do plano dependerá da execução efetiva das medidas, e não apenas do anúncio.

Impactos sobre inflação e juros

O economista também destacou que a ausência desse plano, combinada ao cenário de barril de petróleo acima dos US$ 100 e ao dólar que passou de R$ 5,00 para R$ 5,40 em um mês, tem levado analistas a projetar uma inflação mais elevada nos próximos anos. “Infelizmente, enquanto não tiver a definição do plano de voo, da estratégia para controlar o crescimento do gasto público, dado o cenário atual, a inflação está subindo”, alertou. Esse quadro, segundo ele, dificulta que o Banco Central continue o ciclo de corte de juros.

Para empresas e consumidores, a manutenção de juros altos significa crédito mais caro e menor capacidade de investimento e consumo.

No interior paulista, especialmente em cidades como Araçatuba, Birigui e Penápolis, o comércio e a indústria calçadista sentem diretamente os efeitos do custo financeiro elevado. Pequenos e médios empresários dependem de capital de giro para manter estoques e honrar compromissos, e a alta da Selic reduz a margem de lucro e inibe expansões. A incerteza fiscal, portanto, não é um tema abstrato: ela se materializa no dia a dia das empresas, na forma de juros mais altos e demanda mais fraca.

Fundamentos sólidos, mas gasto público penaliza

Apesar do cenário desafiador no curto prazo, Mansueto Almeida avaliou que o Brasil apresenta fundamentos sólidos. Ele citou o fato de o país ser exportador líquido de petróleo, o bom desempenho da agricultura e a perspectiva de mais uma supersafra de grãos, além da melhora nas contas externas. Esses fatores, em tese, deveriam contribuir para um ambiente macroeconômico mais estável e atrair investimentos estrangeiros. No entanto, o excesso de gasto público anula parte desses benefícios, mantendo os juros em patamares elevados.

O economista frisou, contudo, que o excesso de gasto público mantém os juros em patamares elevados, penalizando famílias e empresas endividadas. Para o setor produtivo, isso significa maior custo de financiamento para capital de giro, investimentos e exportações. No agronegócio, por exemplo, apesar do bom desempenho das safras, o crédito rural mais caro pode reduzir a rentabilidade dos produtores. Da mesma forma, o comércio varejista enfrenta consumidores mais cautelosos, com renda comprometida por dívidas mais caras.

A mensagem de Mansueto Almeida é clara: sem um plano fiscal crível, o Brasil continuará convivendo com juros altos e inflação pressionada, mesmo com fundamentos externos favoráveis. Para os empresários do noroeste paulista, a recomendação implícita é acompanhar de perto as definições do governo e ajustar suas estratégias de crédito e investimento a um cenário ainda incerto. A expectativa é que a sinalização de um plano de controle de gastos possa destravar um ciclo virtuoso de queda de juros e retomada do crescimento.

Perguntas Frequentes

Qual é o maior problema de curto prazo da economia brasileira segundo Mansueto Almeida, economista-chefe do BTG?

A incerteza fiscal, ou seja, a indefinição sobre o novo plano fiscal do governo, que se reflete em dólar mais alto, queda da bolsa e aumento da curva de juros.

O que Mansueto Almeida sugere para reduzir a inflação e criar um ambiente de juros mais baixos no Brasil?

Ele defende um ‘plano de voo’ claro para controlar o crescimento do gasto público, com amplo apoio político, o que já melhoraria significativamente os mercados.

Como a ausência de um plano fiscal claro tem afetado as projeções de inflação e a política de juros, de acordo com Mansueto?

A falta de definição, combinada com petróleo acima de US$ 100 e dólar subindo de R$ 5,00 para R$ 5,40 em um mês, leva analistas a projetar inflação mais alta, dificultando o ciclo de corte de juros pelo Banco Central.

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