Copom: mercado espera fim do corte de juros na quarta

Crédito: CNN Brasil
O mercado financeiro chega à semana da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) com expectativa predominante de fim do ciclo de cortes na taxa Selic. A decisão será anunciada nesta quarta-feira (4), e agentes econômicos passaram a precificar manutenção dos juros no patamar atual de 13,75% ao ano. A virada de cenário reflete, sobretudo, a piora na percepção de riscos fiscais e a desancoragem das expectativas de inflação.
Após dias de intensa reprecificação de cenários, agentes econômicos apontam alta na percepção de riscos, principalmente com relação à política fiscal e desancoragem da inflação. O cenário que estava praticamente dado pelo mercado financeiro para a trajetória da taxa de juros na próxima reunião do Copom, marcada para esta quarta-feira (4), praticamente se inverteu ao longo das últimas semanas.
Opções na B3 mostram virada
Um dos principais termômetros para essa nova aposta são as opções de Copom negociadas na B3, a bolsa brasileira – que reforçam o peso da decisão eleitoral nos modelos de projeções do mercado. Antes do 2º turno, a probabilidade de corte da Selic em novembro atingia patamares acima dos 70%. Após o resultado do pleito, as opções indicam probabilidade implícita de 68,8% de manutenção da taxa básica de juros.
As opções de Copom não representam uma projeção oficial da B3, mas são extraídas dos preços negociados nos contratos e refletem quanto os participantes estavam dispostos a pagar por cada cenário na data de referência. Essa mudança sinaliza que o mercado passou a atribuir maior chance de estabilidade nos juros, em linha com a deterioração das expectativas.
Itaú projeta manutenção e alerta
O Itaú Unibanco, que projeta manutenção da Selic na reunião desta quarta, aponta a expectativa de que o Copom mencione uma moderação gradual da atividade econômica, mas sem citar que a atividade ainda se encontra em patamar resiliente. A instituição também enxerga uma piora do ponto de vista qualitativo na divulgação do IPCA-15 de outubro e prevê que o comitê reconhecerá um distanciamento maior das expectativas de inflação em relação à meta.
Para o banco, o comunicado deve trazer um tom mais cauteloso, incorporando os riscos fiscais e a piora das projeções de inflação. A leitura é de que o BC precisará sinalizar firmeza para evitar uma desancoragem ainda maior das expectativas.
HSBC vê Selic estável até 2027
O HSBC espera que a taxa Selic termine 2026 no patamar atual de 13,75%. A projeção é de juros inalterados até março de 2027. O banco vê a situação das contas públicas como fundamental para projeções futuras da economia brasileira, e espera um BC cauteloso até o anúncio de medidas para o quarto mandato do presidente Lula.
As expectativas de inflação de médio e longo prazo devem deteriorar ainda mais, segundo a entidade. A projeção é de que o Banco Central incorpore explicitamente os riscos fiscais na avaliação de inflação. O banco revisou as projeções futuras e espera que a Selic termine 2027 em 12,50%. Para o IPCA, espera-se que o índice termine em 5,1% em 2026 e 5% em 2027, já a previsão para crescimento do PIB também sofreu corte para 1,6% ao fim deste ano e 0,6% para o ano que vem.
“O principal risco é que as expectativas de inflação se desancorem. Com as taxas de inflação de equilíbrio já subindo acentuadamente e a incerteza fiscal permanecendo elevada, os participantes do mercado podem questionar o compromisso do BC com a meta de inflação”, aponta o HSBC.
Cenário externo adverso
Mas para além da eleição e das dúvidas relacionadas ao próximo governo Lula, as pressões contra o BC vêm de fora, com a continuidade das guerras da Ucrânia e do Irã pressionando os preços do petróleo e dos demais combustíveis. O Itaú BBA destaca que o cenário internacional deixou de ser “incerto” e passou para “adverso”.
Esse ambiente externo mais desafiador contribui para a manutenção dos juros em patamares elevados, uma vez que a inflação de commodities pode contaminar os preços domésticos. Para empresários e comerciantes da região noroeste paulista, a expectativa de juros altos por mais tempo impacta diretamente o custo do crédito e o planejamento de investimentos.
Perguntas Frequentes
Qual é a expectativa do mercado para a decisão do Copom sobre a taxa Selic na reunião de quarta-feira?
Após o segundo turno das eleições, as opções de Copom negociadas na B3 indicam probabilidade implícita de 68,8% de manutenção da taxa Selic, revertendo a expectativa anterior de corte, que chegava a mais de 70% antes do pleito.
Quais são as projeções do HSBC para a taxa Selic e para a inflação no Brasil nos próximos anos?
O HSBC espera que a Selic termine 2026 em 13,75% e 2027 em 12,50%, com juros inalterados até março de 2027. Para o IPCA, projeta 5,1% em 2026 e 5% em 2027, e revisou o PIB para 1,6% em 2026 e 0,6% em 2027.
Como o cenário internacional está influenciando as expectativas para a política monetária brasileira?
O Itaú BBA destaca que o cenário internacional passou de ‘incerto’ para ‘adverso’, com as guerras da Ucrânia e do Irã pressionando os preços do petróleo e dos combustíveis, o que adiciona pressão inflacionária e influencia a postura cautelosa do Banco Central.



























