Empréstimo do FGC para salvar o BRB deve demorar

Crédito: Folha de S.Paulo
Acordo surpreende fiadores
O empréstimo do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para salvar o Banco de Brasília (BRB) deve enfrentar demora na liberação. Os principais fiadores da operação — os grandes bancos privados — ficaram sabendo do acordo entre governo federal e do Distrito Federal apenas pela imprensa. A informação foi confirmada por fontes ouvidas pela reportagem.
Mesmo que os termos sejam concluídos em audiência de conciliação marcada para esta quinta-feira (28), a liberação de eventual empréstimo solicitado ao FGC deve levar tempo. Procurado na tarde desta quarta (27), o FGC não se manifestou. Bradesco, Caixa e Santander não responderam; Itaú e Banco do Brasil disseram que não comentariam o possível socorro.
Périplo do presidente do BRB
O presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, iniciará na sexta-feira (29) um novo périplo na Faria Lima para buscar apoio dos bancos ao empréstimo. A movimentação ocorre em meio à dificuldade de cumprir o prazo de 29 de maio, fixado pelo próprio banco para aumento de capital e cobertura de perdas com a compra de carteiras de crédito fraudadas do Master.
O banco afirmou que “esse modelo permite que os recursos aportados passem a produzir efeitos no capital de forma gradual, sem prejuízo das etapas remanescentes”. No final de abril, os acionistas do BRB aprovaram em assembleia o aumento de capital para cobrir o rombo deixado por operações com o Master, do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Prazo não será cumprido
Integrantes do BRB, ouvidos em condição de anonimato, dizem não ver problemas com o descumprimento do prazo. O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, já havia sinalizado que não leva em conta a publicação do balanço de 2025 até o dia 29. Galípolo destacou que o prazo legal para companhias abertas terminou em 31 de março e já foi descumprido pelo BRB, deixando em aberto o tamanho do rombo.
No BRB, a negociação intermediada pelo STF deu novo fôlego após o desânimo das últimas semanas. Os parâmetros da proposta foram mediados pelo ministro Luiz Fux, após ação protocolada pelo governo do Distrito Federal. A operação foi considerada um meio-termo e uma vitória negocial, depois de o presidente Lula se recusar a receber a governadora do DF, Celina Leão (PP).
Impacto nas contas públicas
No Ministério da Fazenda, o acordo é visto como positivo por não ter impacto nas contas públicas e não exigir aval direto do Tesouro Nacional — exceção que poderia abrir precedentes. A solução negociada com o ministro Dario Durigan foi a União ampliar o limite de crédito do DF para viabilizar o socorro ao BRB. Dessa forma, Lula também ficaria mais distante do caso Master, que envolve o banco.
Perguntas Frequentes
Por que o empréstimo do FGC para salvar o BRB vai demorar?
Mesmo que os termos do acordo sejam concluídos em audiência de conciliação marcada para quinta-feira (28), a liberação de um eventual empréstimo solicitado ao FGC deve demorar, conforme indicado nas negociações.
Os grandes bancos privados foram consultados sobre o acordo do FGC com o BRB?
Não. Os potenciais fiadores do empréstimo, como Bradesco, Caixa, Santander, Itaú e BB, ficaram sabendo pela imprensa do acordo e do desenho da operação intermediados pelo STF, e a maioria não se manifestou ou disse que não comentaria.
O BRB vai cumprir o prazo de 29 de maio para aumento de capital?
Não. O prazo de 29 de maio, fixado pelo BRB para aumento de capital para cobrir perdas com carteiras fraudadas do Master, não será cumprido, mas integrantes do banco não veem problemas, pois o presidente do BC, Gabriel Galípolo, já sinalizou que não leva em conta a publicação do balanço até essa data.



























