Vendas de apartamentos de luxo em São Paulo caem 39%

Crédito: Estadão
As vendas de apartamentos de luxo na cidade de São Paulo caíram pela metade após o boom registrado em 2025. Dados da Brain Inteligência Imobiliária mostram recuo de 39% no primeiro semestre de 2026. O mercado de alto padrão, que vinha de recordes de lançamentos e vendas, agora enfrenta desaceleração.
O estoque maior, os juros altos por tempo prolongado e as incertezas sobre os rumos do País têm feito até as famílias de alta renda adiarem a decisão de compra. A fonte não detalhou o volume absoluto de unidades comercializadas no período.
Mercado de luxo perde fôlego em 2026
Após recorde de lançamentos e vendas em 2025, o mercado de apartamentos de alto padrão e luxo na cidade de São Paulo está recuando em 2026. O presidente da Brain lembrou que esse público não é movido por necessidade, mas por desejo. Essas famílias já têm moradia própria. O que motiva uma aquisição é o apelo do empreendimento devido a características como localização, planta, comodidades do condomínio, grifes atreladas ao projeto etc.
“O setor chegou ao máximo da sua capacidade de absorção. As vendas estão menores não porque esse público não tem dinheiro para comprar, mas porque o desejo de compra começou a refluir. Agora, vamos entender qual será o ponto de estabilização”, disse Araújo. A declaração indica que a demanda por imóveis de luxo pode ter atingido um teto.
Juros altos desestimulam saques
Mazini acrescentou que o juro alto da economia também dificulta as vendas, porque, em muitos casos, é mais interessante deixar o dinheiro aplicado do que comprar um imóvel na planta. “Dizem que o principal concorrente do incorporador é o juro alto, que desestimula o saque das aplicações”. Com a Selic em patamar elevado, a rentabilidade da renda fixa compete com o investimento imobiliário.
Com a diminuição na velocidade das vendas, a resposta de boa parte das incorporadoras tem sido a redução nos lançamentos para evitar o excesso de estoques. A Even lançou dois empreendimentos no primeiro semestre e prorrogou um terceiro. “Temos visitas interessadas na aquisição, mas mais demora na tomada de decisão”, apontou Moraes. O processo de visita, negociação e assinatura de contrato está levando em torno de 90 dias, em média.
Projetos de luxo seguem na região
Bem do lado, no quarteirão vizinho, Rua Manuel da Nóbrega, 950, está a Even, com o Esther Ibirapuera, e apartamentos de 251 m² a 334 m² anunciados entre R$ 9,5 milhões e R$ 13 milhões. Esticando a caminhada, há projetos da Cyrela, Lindenberg e SDI, dentre outros. A oferta de unidades de alto padrão permanece concentrada em bairros nobres da capital paulista.
Para Mazini, do Citi, isso indica que o mercado de luxo está em um nível de alerta, “indo do amarelo para o vermelho”. Como a velocidade de vendas tem caído, esse será um ponto de atenção a ser monitorado, ressaltou. A avaliação sugere que o setor pode enfrentar ajustes adicionais nos próximos meses.
Impacto para o interior paulista
Embora o foco seja a capital, a desaceleração do segmento de luxo pode influenciar o mercado imobiliário de cidades como Araçatuba, Birigui e Penápolis. Incorporadoras que atuam em São Paulo costumam replicar estratégias e ajustar portfólios em outras praças. A redução de lançamentos na capital pode liberar capital para projetos de médio padrão no interior.
Com mais idosos no Brasil, mercado imobiliário cria prédios para quem não quer envelhecer sozinho. Empreendimentos movimentam milhões de reais e atrai incorporadoras tradicionais, mas ainda está limitado ao segmento de luxo. Crédito: Breno Damascena. Essa tendência pode abrir oportunidades para o setor na região noroeste paulista, caso haja demanda por moradias adaptadas.
Vendas de apartamentos de luxo caíram no primeiro semestre de 2026 Foto: Tiago Queiroz/Estadão. O cenário reforça a necessidade de monitoramento por parte de empresários e investidores locais.
Perguntas Frequentes
Qual foi a queda nas vendas de apartamentos de luxo em São Paulo no primeiro semestre de 2026?
As vendas recuaram 39% no primeiro semestre de 2026, segundo a Brain Inteligência Imobiliária.
Por que as vendas de apartamentos de luxo estão caindo em São Paulo?
O estoque maior, os juros altos por tempo prolongado e as incertezas sobre os rumos do País têm feito até as famílias de alta renda adiarem a compra, pois o desejo de compra começou a refluir.
Como as incorporadoras estão reagindo à queda nas vendas de imóveis de luxo?
Com a diminuição na velocidade das vendas, boa parte das incorporadoras tem reduzido os lançamentos para evitar o excesso de estoques; por exemplo, a Even lançou dois empreendimentos no primeiro semestre e prorrogou um terceiro.



























