Mercado Livre reforça caixa com bond de US$ 1 bi

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Mercado Livre bond de US$ 1 bi reforça caixa

O Mercado Livre (MELI) captou US$ 1 bilhão no mercado internacional de dívida na tarde desta quinta-feira. A operação, um bond com vencimento em 2036, saiu com spread de 130 pontos-base acima do Treasury de mesmo prazo, segundo fontes a par do assunto ouvidas pelo Brazil Journal. A demanda chegou a US$ 2,1 bilhões no pico do book, mas terminou em cerca de US$ 1,8 bilhão, depois que alguns investidores reduziram as ordens diante do aperto da taxa.

Os recursos obtidos vão reforçar a liquidez da companhia e sustentar seus planos de crescimento. A empresa fundada por Marcos Galperin passa a ter três bonds em circulação: além do papel emitido hoje, há US$ 700 milhões com vencimento em 2031 e US$ 600 milhões que vencem em 2033.

Spread alinhado a emissores de grau de investimento

O spread final ficou em linha com outros emissores classificados como grau de investimento, como Suzano e JBS. Papéis de mesmo prazo da Vale e Gerdau negociam com spread um pouco mais apertado, ao redor de 100 pontos-base. A taxa reflete a percepção de risco do MELI, que possui rating BBB- pela Fitch e S&P e Baa3 pela Moody’s, o primeiro degrau de grau de investimento nas três agências.

A Fitch afirmou ontem que o perfil de crédito do MELI segue apoiado por sua liderança no e-commerce latino-americano, diversificação e forte geração de caixa. No entanto, a agência chamou a atenção para a queda da rentabilidade provocada pelos investimentos em expansão.

Expansão do crédito exige mais captação

A expansão do crédito da companhia também aumenta a necessidade de funding. A Fitch espera que a carteira do MELI cresça 55% este ano e 35% em 2027. Para financiar esse avanço, a agência estima que a empresa adicione US$ 2,5 bilhões de dívida em 2026 e US$ 4,5 bilhões em 2027.

A emissão de hoje é parte dessa estratégia de diversificação de fontes de recursos. O Mercado Livre tem ampliado sua atuação em serviços financeiros, com foco em crédito para consumidores e pequenos vendedores de sua plataforma.

Janela movimentada no mercado de dívida

O MELI acessou o mercado na semana movimentada que costuma se seguir ao feriado do Labor Day nos Estados Unidos. Só ontem, o mercado de dívida norte-americano absorveu US$ 40 bilhões em bonds de 19 emissores. Outros emissores da região também estão na estrada: a Cox Asset México prepara uma emissão e a Jamaica está em roadshow para uma emissão soberana de 11 anos.

BofA, Citi, Goldman Sachs, JP Morgan e Morgan Stanley atuaram como coordenadores globais da operação do MELI. Allen & Company e Santander foram joint books.

Impacto para o varejo e PMEs

Para o comércio do interior paulista, a captação do Mercado Livre sinaliza a continuidade dos investimentos em logística, tecnologia e crédito. A expansão da carteira de crédito pode ampliar o acesso de pequenos e médios vendedores a capital de giro, o que tende a beneficiar negócios que utilizam a plataforma como canal de vendas.

Além disso, a forte demanda pelo papel indica confiança dos investidores no modelo de negócios da companhia, mesmo diante do cenário de juros elevados. A operação reforça a posição do MELI como um dos principais emissores corporativos da América Latina.

Perguntas Frequentes

Quanto o Mercado Livre levantou com a emissão de bond de 10 anos?

O Mercado Livre levantou US$ 1 bilhão com a emissão de um bond de 10 anos.

Qual foi o spread da emissão de bond do Mercado Livre?

O papel saiu com spread de 130 pontos-base acima do Treasury de mesmo prazo.

Qual é a classificação de crédito do Mercado Livre?

A empresa é BBB- pela Fitch e S&P e Baa3 pela Moody’s, o primeiro degrau de investment grade nas três agências.

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