Cade aprova compra da Desktop pela Claro sem restrições

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Cade aprova compra da Desktop pela Claro sem restrições

A Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou, sem restrições, a compra da Desktop pela Claro. A decisão afasta sinalizações iniciais de dificuldades para a confirmação dessa operação entre as empresas. O aval do órgão antitruste representa um passo decisivo para a consolidação de um dos maiores negócios do setor de telecomunicações no estado de São Paulo.

A transação, celebrada oficialmente em março deste ano, está avaliada em R$ 4 bilhões, considerando R$ 2,4 bilhões em ativos e R$ 1,6 bilhão da dívida líquida que será assumida. Com a aquisição, a Claro passa a deter 84 milhões de ações ordinárias da Desktop, equivalentes a 73% da operadora. Os vendedores são o fundo de investimento Makalu Brasil Partners, controlado pela gestora norte-americana HIG Capital, e um grupo de pessoas físicas, incluindo o fundador da empresa, Denio Alves Lindo.

Sobreposição no mercado de banda larga fixa

O parecer da superintendência observou que a maior sobreposição das duas companhias acontece no mercado de banda larga fixa, abrangendo 198 municípios. Em muitos deles, as participações de mercado conjuntas serão bastante significativas. A Desktop possui atualmente 1,2 milhão de clientes nessas 198 cidades do Estado de São Paulo, o equivalente a 7,6% de participação no mercado.

Para a Claro, a aquisição representa um avanço importante no Estado, onde disputa a liderança com a Vivo. A Claro tem 4,5 milhões de clientes em São Paulo (28,3%), enquanto a Vivo conta com 4,9 milhões (31%). A soma das bases das duas empresas, portanto, criaria um player com participação relevante em diversos municípios paulistas.

Risco de poder de mercado considerado baixo

No entanto, o parecer considerou reduzida a probabilidade de exercício unilateral de poder de mercado decorrente da operação, mesmo nas cidades onde a participação de mercado será mais significativa. A análise da superintendência identificou ainda que a Claro terá incentivos econômicos privados para desocupar, gradualmente, as infraestruturas consideradas redundantes.

Esse entendimento foi fundamental para a aprovação sem restrições. A autoridade antitruste avaliou que, apesar da concentração em alguns municípios, a dinâmica competitiva do setor e a presença de outros players impediriam abusos de posição dominante. A decisão sinaliza confiança na capacidade do mercado de se autorregular nesse contexto.

Anuência prévia da Anatel

Em maio, a operação também recebeu anuência prévia da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). A aprovação do órgão regulador foi um requisito necessário para a concretização do negócio, uma vez que envolve transferência de outorgas de serviços de telecomunicações. Com o aval do Cade, restam apenas os trâmites societários finais para a conclusão da aquisição.

A anuência da Anatel e a aprovação do Cade demonstram que a operação atende aos requisitos legais e regulatórios do setor. Para o mercado, a consolidação pode trazer ganhos de eficiência e investimentos em infraestrutura, mas também levanta debates sobre concentração e preços ao consumidor final.

Histórico da Desktop e negociações

A Desktop nasceu em 1997, em Sumaré (SP). Em 2020, recebeu aporte da HIG Capital para acelerar o crescimento; em 2021, lançou ações em Bolsa. Desde o fim de 2025, a empresa conversava com a Claro. Antes, chegou a negociar com a Vivo, mas não houve acordo sobre o preço.

A trajetória da Desktop reflete o dinamismo do setor de provedores regionais de internet, que têm atraído o interesse de grandes operadoras em busca de expansão de base e capilaridade. A aquisição pela Claro insere-se nesse movimento de consolidação, que deve continuar nos próximos anos.

Para empresários e comerciantes da região noroeste paulista, a operação pode ter impactos indiretos no fornecimento de conectividade e na oferta de serviços corporativos. A Claro, ao ampliar sua presença no interior, tende a fortalecer sua rede de atendimento e portfólio para pequenas e médias empresas, o que pode beneficiar o comércio local com soluções mais robustas de internet e telefonia.

Perguntas Frequentes

O Cade aprovou a compra da Desktop pela Claro sem restrições?

Sim, a Superintendência-Geral do Cade aprovou a operação sem restrições, afastando sinalizações iniciais de dificuldades.

Qual é a sobreposição de mercado entre Claro e Desktop na banda larga fixa?

A maior sobreposição ocorre em 198 municípios, onde as participações conjuntas serão significativas, mas o Cade considerou reduzida a probabilidade de exercício unilateral de poder de mercado.

Quanto a Claro pagou pela Desktop e qual a participação acionária adquirida?

A transação foi de R$ 4 bilhões, sendo R$ 2,4 bilhões em ativos e R$ 1,6 bilhão em dívida líquida assumida. A Claro ficará com 84 milhões de ações ordinárias, equivalentes a 73% da operadora.

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