Ajuste fiscal Brasil: última milha para o próximo governo

Crédito: Valor Econômico
O próximo presidente eleito em outubro herdará um cenário econômico favorável, mas ainda precisará percorrer a ‘última milha’ do ajuste fiscal. A avaliação é de André Esteves, presidente do conselho de administração do BTG Pactual, que vê o Brasil como um país ‘muito interessante’ para quem assumir o cargo em janeiro.
Progresso econômico e desafio fiscal
Segundo Esteves, o Brasil teve um ‘progresso muito grande’ na economia nas últimas décadas. Ele afirmou que o presidente que for eleito ‘vai pegar um Brasil muito interessante em janeiro’. No entanto, alertou que ainda falta ‘uma última milha’ que é o ajuste fiscal. Para ele, um ajuste de 2% do PIB não é difícil de fazer, dado o grau de despesas do país.
O banqueiro destacou que, em 1994, 2002 e 2016, presidentes assumiram em ‘ambiente de terra arrasada’, mas que agora a situação é diferente. ‘Quem sentar na cadeira em janeiro não vai pegar terra arrasada’, afirmou.
Congresso independente é positivo
Esteves não vê como problema um Congresso independente e um Judiciário presente. ‘Eu prefiro do que um ambiente em que o Congresso está submisso ao Executivo e o Judiciário está ausente’, disse. Para ele, ‘a chance de ter preocupação de virar uma Argentina ou Venezuela seria muito maior se não tivéssemos esse arranjo no Brasil’.
O executivo acredita que o Congresso ‘vai estar lá’ se a liderança política do Executivo ‘apontar a direção’. Isso indica que, com uma orientação clara, o parlamento pode colaborar para as reformas necessárias.
Juros baixos e distorções previdenciárias
Esteves projeta que a taxa de juros pode cair para 7% ou 8%. Ele afirmou que ‘isso vale vinte vezes um Bolsa Família, ter um patamar de juros civilizado’. A redução dos juros é vista como crucial para estimular investimentos e o crescimento econômico.
O banqueiro também questionou uma política de reajuste real do salário mínimo de 2,5% em um ambiente de desemprego zero. ‘Pior, essa política engloba todo o sistema previdenciário brasileiro’, afirmou. ‘Isso não existe em nenhum lugar do mundo, nem nas sociais democracias europeias. É claro que precisamos corrigir essas distorções’, disse.
Para empresários e comerciantes da região noroeste paulista, como Aracatuba, Birigui e Penápolis, as declarações de Esteves reforçam a expectativa de um ambiente de negócios mais estável, com juros mais baixos e ajuste fiscal em curso. A independência do Congresso e do Judiciário é vista como garantia de previsibilidade institucional, essencial para investimentos de longo prazo.
Perguntas Frequentes
O que André Esteves, do BTG Pactual, disse sobre a situação fiscal do Brasil para o próximo governo?
André Esteves afirmou que o próximo governo vai pegar um ‘Brasil muito interessante’, mas que ainda falta ‘uma última milha’ do ajuste fiscal, sendo que um ajuste de 2% do PIB não é difícil de fazer dado o grau de despesas do país.
Qual é a opinião de André Esteves sobre um Congresso independente e um Judiciário presente no Brasil?
Esteves não vê como problema um Congresso independente e um Judiciário presente; ele prefere isso a um ambiente onde o Congresso é submisso ao Executivo e o Judiciário está ausente, pois a chance de preocupação com Argentina ou Venezuela seria maior sem esse arranjo.
O que André Esteves disse sobre a política de reajuste real do salário mínimo e seu impacto na previdência?
Esteves questionou uma política de reajuste real do salário mínimo de 2,5% em um ambiente de desemprego zero, afirmando que essa política engloba todo o sistema previdenciário brasileiro e que isso não existe em nenhum lugar do mundo, nem nas sociais democracias europeias, sendo necessário corrigir essas distorções.



























