Biocombustíveis Brasil 2035: risco de falta e alta

Crédito: InfoMoney
O Brasil pode enfrentar escassez de biocombustíveis e elevação de preços até 2035, conforme alerta da Confederação Nacional da Indústria (CNI). A entidade divulgou estudo que aponta risco de descompasso entre a produção nacional e as metas ambientais estabelecidas pelo governo. Segundo o levantamento, a demanda projetada para 2035 é de 46 bilhões de litros de etanol e 18 bilhões de litros de biodiesel, volumes que podem não ser atingidos pela oferta interna.
O estudo ressalta que o país corre o risco de não conseguir produzir biocombustíveis em quantidade suficiente para acompanhar as metas de descarbonização previstas para a próxima década. Essa insuficiência pode gerar pressão sobre os preços e comprometer o cumprimento dos compromissos climáticos assumidos pelo Brasil.
Metas de descarbonização e créditos de carbono
A política nacional de biocombustíveis, o RenovaBio, estabelece metas anuais de redução de emissões que se traduzem em Créditos de Descarbonização (CBIOs). Para 2026, a meta é de 48,09 milhões de CBIOs. Para 2035, a trajetória indicativa definida pelo governo chega a 73,45 milhões de créditos.
O problema, segundo as projeções da CNI, é que a produção esperada de biocombustíveis poderá não gerar créditos suficientes para atender a essas exigências. Ou seja, pode faltar lastro para que as distribuidoras de combustíveis cumpram suas obrigações individuais de compra de CBIOs.
Esse cenário não é apenas teórico. Em 2022, um déficit de 4,54 milhões de créditos já havia contribuído para uma valorização expressiva dos certificados. A insuficiência projetada para 2035 seria mais de três vezes superior, o que indica um risco ainda maior de alta nos preços dos CBIOs e, consequentemente, nos combustíveis.
Impacto no setor produtivo e na economia
A falta de biocombustíveis pode afetar diretamente a cadeia produtiva, desde o agronegócio até a indústria de transformação. Para empresários do interior paulista, especialmente da região noroeste, onde a cana-de-açúcar e o setor sucroenergético têm forte presença, o alerta é relevante. A produção de etanol e biodiesel está diretamente ligada à geração de empregos e renda local.
Além disso, a elevação dos preços dos CBIOs pode encarecer o custo dos combustíveis para o consumidor final e para o transporte de cargas, afetando a competitividade das empresas. A CNI defende, por isso, que as metas indicativas sejam reavaliadas de acordo com a capacidade efetiva de expansão da produção, para evitar que exigências ambientais provoquem pressões excessivas sobre os preços.
Expansão da oferta e competição por insumos
O estudo aponta que, mesmo com a expansão anunciada da capacidade produtiva, o volume não seria suficiente para acompanhar a demanda projetada ao longo de toda a próxima década. Isso significa que novos investimentos serão necessários, mas podem não ocorrer no ritmo exigido pelas metas.
A competição por insumos também tende a aumentar. O hidrogênio de baixo carbono será demandado por diferentes cadeias industriais, enquanto matérias-primas renováveis poderão ser disputadas por produtores de biodiesel, diesel verde e combustível sustentável de aviação (SAF). Essa concorrência pode elevar os custos de produção e limitar a oferta de biocombustíveis tradicionais.
O que esperar para os próximos anos
Para o setor empresarial, o cenário exige atenção. A possível escassez de biocombustíveis pode impactar desde o preço do frete até o custo de insumos agrícolas. Empresas que dependem de transporte rodoviário ou que utilizam derivados de petróleo em seus processos produtivos devem monitorar as discussões sobre o RenovaBio e as metas de descarbonização.
A CNI sugere que haja um alinhamento entre as metas ambientais e a realidade da produção nacional. Caso contrário, o risco é de que o mercado de CBIOs sofra distorções, com alta volatilidade e custos adicionais para toda a economia. A fonte não detalhou quais medidas específicas poderiam ser adotadas para mitigar o problema, mas o alerta serve como um chamado para o planejamento estratégico de longo prazo.
Perguntas Frequentes
Qual é o risco de falta de biocombustíveis no Brasil até 2035, segundo a CNI?
A CNI alerta que o Brasil pode não produzir biocombustíveis suficientes para atender às metas de descarbonização, com demanda projetada de 46 bilhões de litros de etanol e 18 bilhões de biodiesel em 2035.
Como a insuficiência de biocombustíveis pode afetar os preços dos CBIOs?
A insuficiência de créditos de descarbonização pode elevar os preços dos CBIOs. Em 2022, um déficit de 4,54 milhões de créditos já causou valorização expressiva, e o déficit projetado para 2035 seria mais de três vezes maior.
O que a CNI propõe para evitar pressões excessivas sobre os preços dos biocombustíveis?
A CNI defende que as metas indicativas de CBIOs sejam reavaliadas conforme a capacidade real de expansão da produção, para evitar que exigências ambientais provoquem pressões excessivas sobre os preços.




























