Brasil e China assinam protocolo para exportação de miúdos suínos

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Brasil e China assinam protocolo para exportação miúdos suínos China

Brasil e China assinaram neste sábado (26) um protocolo sanitário que autoriza a exportação de miúdos suínos brasileiros para o mercado chinês. O documento foi assinado pelo ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, e pelo embaixador da China no Brasil. A medida abre um novo canal de receita para frigoríficos brasileiros, com potencial estimado em US$ 100 milhões adicionais por ano.

O que muda com o protocolo

O acordo inclui os miúdos internos de suínos, como fígado, rins e estômago, e ocorre sem cota de importação. Até agora, o Brasil já tinha autorização para exportar alguns miúdos suínos externos para a China, como patas e orelhas, mas em condições restritas. Com a nova regra, os embarques desses produtos deixam de ter limitação quantitativa, ampliando o acesso ao maior mercado consumidor de carne suína do mundo.

Para a indústria brasileira, a abertura pode representar cerca de US$ 100 milhões adicionais em receita e mais de 100 mil toneladas de envios de miúdos, segundo estimativa do setor. A associação pontua ainda que entre 2013 e 2024, o Brasil enviou 2,7 milhões de toneladas do produto para a China, consolidando a nação asiática entre os principais destinos dos embarques de suínos brasileiros. Esse histórico reforça a importância do novo protocolo para a balança comercial do agronegócio.

Habilitação de frigoríficos

Cerca de 15 estabelecimentos, sendo sete em Santa Catarina e oito no Rio Grande do Sul, já estão habilitados a enviar para a China e podem fazer o pedido de ampliação ao Mapa. A fonte não detalhou os nomes das plantas nem os prazos para a habilitação adicional. O Ministério da Agricultura deverá orientar as empresas sobre os procedimentos necessários para a inclusão dos miúdos internos na licença de exportação.

Essa etapa foi concluída agora com a assinatura do protocolo no Brasil. Antes, a previsão era que, depois da assinatura, o Mapa orientasse as empresas brasileiras sobre os procedimentos necessários para a habilitação, enquanto as autoridades chinesas concluiriam os trâmites internos. Com o acordo formalizado, os frigoríficos interessados podem iniciar o processo de adequação documental e sanitária.

Contexto da negociação

A assinatura do protocolo conclui uma negociação que vinha sendo tratada entre os dois países há cerca de um ano e avançou durante a missão oficial brasileira à China, em maio. Naquele momento, ainda faltava a formalização do acordo. O avanço na negociação dos miúdos suínos ocorreu depois de a China reconhecer, em junho deste ano, todo o território brasileiro como livre de febre aftosa, o que abriu espaço para a ampliação das discussões sobre produtos de origem animal, incluindo miúdos e carne com osso.

Importante destacar que os miúdos não estão incluídos na salvaguarda aplicada pela China à carne bovina brasileira e, portanto, não ficam sujeitos à cota criada para a proteína bovina. Isso significa que não há limite quantitativo para os embarques de miúdos suínos, diferentemente do que ocorre com a carne bovina. A ausência de cota é um dos principais atrativos do acordo para os exportadores.

Impacto para o setor produtivo

Para os produtores e frigoríficos, a liberação representa uma oportunidade de diversificar receitas e agregar valor a cortes que antes tinham menor demanda no mercado interno. Os miúdos suínos, como fígado e rins, são tradicionalmente consumidos na China em pratos regionais e na culinária processada, o que garante demanda estável. A estimativa de 100 mil toneladas adicionais por ano, se confirmada, pode elevar o Brasil a um novo patamar no comércio bilateral de proteína animal.

Além disso, a habilitação de novas plantas pode gerar empregos diretos e indiretos nas regiões produtoras, especialmente no Sul do país, onde se concentram os estabelecimentos já autorizados. A fonte não detalhou projeções de investimento ou geração de postos de trabalho, mas o setor espera efeito positivo na cadeia produtiva como um todo.

Próximos passos

Com o protocolo assinado, o Ministério da Agricultura deverá publicar orientações técnicas para as empresas interessadas. Os frigoríficos habilitados precisarão adequar seus processos de inspeção e rotulagem para atender aos requisitos chineses. A expectativa é que os primeiros embarques ocorram após a conclusão dos trâmites burocráticos nos dois países.

O acordo reforça a posição do Brasil como fornecedor confiável de proteína animal para a China, que já é o principal destino das exportações brasileiras de carne suína. Para o empresariado do interior paulista, especialmente em regiões como Araçatuba e noroeste do estado, o avanço pode abrir oportunidades indiretas na cadeia de insumos, logística e serviços, ainda que a produção de suínos esteja concentrada no Sul. A fonte não detalhou impactos específicos para São Paulo.

Perguntas Frequentes

Quais miúdos suínos o Brasil poderá exportar para a China após o novo protocolo?

O protocolo autoriza a exportação de miúdos internos de suínos, como fígado, rins e estômago, sem cota de importação.

Qual o impacto econômico estimado da exportação de miúdos suínos para a China?

A abertura pode gerar cerca de US$ 100 milhões adicionais em receita e mais de 100 mil toneladas de envios, segundo estimativa do setor.

Quantos estabelecimentos brasileiros já estão habilitados a exportar miúdos suínos para a China?

Cerca de 15 estabelecimentos, sendo sete em Santa Catarina e oito no Rio Grande do Sul, já estão habilitados e podem solicitar ampliação ao Mapa.

Fonte

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