Copom em xeque: fiscal e inflação desancorada pressionam Selic

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Copom em xeque: fiscal e inflação desancorada pressionam Selic

Às vésperas da superquarta dos juros, economistas enxergam um cenário macroeconômico que parece não dar sinais de alívio para o Banco Central brasileiro. Analistas veem o Copom em xeque diante de uma combinação de política fiscal expansionista e inflação desancorada, o que deve levar a um corte tímido da Selic e à interrupção precoce do ciclo de afrouxamento monetário.

Inflação desancorada e pressão fiscal

Alexandre Silvério, CEO e CIO da Tenax Capital, destacou que a inflação está desancorada. Ele afirmou que teremos um IPCA acima de 5% para este ano e que, em 2027, as expectativas já estão desancoradas. Silvério destacou que nenhum país consegue fazer o ambiente de negócio ser competitivo nesse patamar de juros. A expectativa de um corte tímido da Selic — de 0,25 ponto percentual — tende a se concretizar, mas o ciclo de cortes deve ser interrompido mais cedo do que projetado anteriormente.

Disputa entre política monetária e fiscal

Gustavo Pessoa, sócio fundador da Legacy Capital, avalia que existe uma “disputa” entre a política monetária e a política fiscal. Segundo ele, enquanto o BC mira a meta de 3% para a inflação, o fiscal parece agir por uma meta de 5%. Além do fiscal, o economista cita os efeitos do projeto que acaba com a escala 6×1. A avaliação é de que a mudança eleve os custos para o setor produtivo, que terá de compensar a queda de horas trabalhadas pelos colaboradores. Pessoa diz que a escala 6×1 já entra na conta dos analistas do mercado financeiro em suas projeções macroeconômicas.

Boletim Focus e inflação de alimentos

Pessoa lembrou do Boletim Focus, que tem divulgado um aumento das expectativas para o IPCA e os juros neste ano. Na inflação de maio, o grupo de alimentos teve a maior alta para o mês em 18 anos. O IPCA teve no período a maior taxa para maio desde 2021. Agora com o El Niño, os economistas veem uma piora desse indicador, com foco nos produtos chamados in natura, como frutas e legumes.

Cenário internacional também pesa

O desafio da política monetária não afeta apenas o Brasil. O Federal Reserve também se vê diante de um dilema, com a tensão permanente no Oriente Médio e dados de atividade econômica aquecida nos Estados Unidos. Ian Lima, gestor de portfólio de renda fixa na Inter Asset, chama a atenção para o elevado nível de investimentos — o capex — que empresas e governos estão direcionando para inteligência artificial e na construção de data centers. Esse movimento global de investimentos pode manter a pressão sobre os juros internacionais, influenciando também as decisões do Copom.

Perguntas Frequentes

Por que analistas veem o Copom em xeque diante do fiscal e da inflação desancorada?

Analistas apontam que a inflação está desancorada, com expectativas de IPCA acima de 5% para este ano e desancoradas para 2027, enquanto o fiscal parece agir por uma meta de inflação de 5%, em disputa com a meta de 3% do BC.

Qual a expectativa para o corte da Selic na superquarta dos juros?

A expectativa é de um corte tímido de 0,25 ponto percentual, interrompendo o ciclo de cortes mais cedo do que o projetado anteriormente.

Como o projeto que acaba com a escala 6×1 afeta as projeções macroeconômicas?

O projeto eleva custos para o setor produtivo ao compensar a queda de horas trabalhadas, e já entra nas contas dos analistas do mercado financeiro em suas projeções macroeconômicas, segundo Gustavo Pessoa.

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