Ministro classifica situação da crise do BRB como crime

Crédito: G1
Ministro da Fazenda classifica crise do BRB como crime
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, classificou como “crime” a crise que atinge o Banco de Brasília (BRB) e negou que o socorro financeiro à instituição seja responsabilidade da União. A declaração foi dada nesta segunda-feira (27) durante entrevista a uma rádio de Pernambuco.
Durigan não poupou palavras. “Trata-se de um crime”, afirmou, ao se referir às irregularidades que geraram o prejuízo. Ele reforçou que a crise não é um problema da União, ressaltando que o BRB é uma entidade sob responsabilidade do governo distrital.
Apesar disso, o governo federal participou das articulações para evitar um colapso sistêmico. O ministro mencionou o acordo firmado no Supremo Tribunal Federal (STF) em 29 de maio, que foi crucial para destravar a ajuda financeira.
Socorro de R$ 6,6 bilhões e aprovação no STF
A crise, que veio a público após a descoberta de títulos irregulares, levou governo do Distrito Federal e União a fecharem um acordo. A saída encontrada envolve um empréstimo de R$ 6,6 bilhões, viabilizado por meio do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), após autorização do STF e sanção de lei específica.
O acordo firmado na Corte em 29 de maio autorizou a contratação de uma operação de crédito junto ao FGC no valor de até 16% da Receita Corrente Líquida do Distrito Federal. Esse limite foi estabelecido para enquadrar a operação nos parâmetros de endividamento do DF.
União e Governo do DF fecharam um acordo para socorrer o BRB, colocando fim a semanas de incerteza. O entendimento passou pela formalização de uma lei, sancionada no dia 24 de junho, que autoriza expressamente os termos do acordo firmado no STF. A sanção representou o aval definitivo para que a operação de crédito com o FGC saísse do papel.
A fonte não detalhou o cronograma de desembolso dos recursos, mas a lei sancionada autoriza a contratação da operação de crédito. O aporte de R$ 6,6 bilhões é visto como essencial para estabilizar o banco.
Origem da crise: transações com Banco Master
Operações de R$ 30 bilhões
O BRB entrou em dificuldade financeira devido a uma série de negociações e operações realizadas com o Banco Master entre 2024 e 2025. Os números, revelados pela própria instituição, impressionam: as transações entre os dois bancos somaram R$ 30 bilhões.
Títulos irrecuperáveis e rombo bilionário
No entanto, uma auditoria mostrou que uma fatia substancial desses ativos era problemática. Segundo estimativas do BRB, pelo menos R$ 8,8 bilhões dos créditos adquiridos do Master são títulos inexistentes, fraudados ou de difícil recuperação.
Essa constatação jogou luz sobre a fragilidade dos controles e sobre a qualidade das operações de crédito realizadas. O governo do Distrito Federal, controlador do banco, afirmou que consegue recuperar R$ 2,2 bilhões com outras medidas, mas precisaria de um empréstimo para cobrir os R$ 6,6 bilhões restantes, valor que compromete a solvência da instituição.
Investigação da Polícia Federal: operação Compliance Zero
O rombo no BRB ganhou contornos de escândalo quando, em novembro de 2025, a Polícia Federal deflagrou a operação Compliance Zero. As investigações apontaram para um suposto esquema de fraudes financeiras bilionárias, que incluiria boa parte das transações entre o BRB e o Banco Master. A PF busca identificar os responsáveis pelas irregularidades e o modus operandi da fraude. A operação ainda está em curso.
Alerta para o setor empresarial
Para empresários de todo o país, inclusive do interior paulista, a crise em um banco público como o BRB acende um alerta. A instabilidade no sistema financeiro pode gerar restrições no crédito, impactando pequenos e médios negócios que dependem de financiamento para capital de giro e investimentos. O socorro articulado busca mitigar esses riscos, mas o episódio reforça a importância de controles rigorosos para preservar a confiança no mercado.
Perguntas Frequentes
Qual é o valor dos créditos problemáticos do Banco Master adquiridos pelo BRB?
O BRB estimou que pelo menos R$ 8,8 bilhões dos créditos do Banco Master são títulos inexistentes, fraudados ou de difícil recuperação.
Como o ministro da Fazenda classificou a crise do BRB?
O ministro Dario Durigan classificou a situação como um “crime” e negou que a crise seja um problema da União.
Qual foi o acordo firmado para socorrer o BRB com R$ 6,6 bilhões?
O acordo, firmado no STF em 29 de maio, autorizou a contratação de uma operação de crédito junto ao FGC no valor de até 16% da Receita Corrente Líquida do DF, e uma lei que autoriza o empréstimo foi sancionada em 24 de junho.




























