CSN: novo CEO assume após saída de Benjamin, que liderou por 20 anos

Crédito: Brazil Journal
Benjamin Steinbruch deixará o comando da CSN após duas décadas como CEO. Fábio Schvartsman, ex-comandante de Vale e Klabin, assume o cargo a partir de amanhã. A mudança foi anunciada em comunicado ao mercado e ocorre em um momento em que a redução da dívida se tornou o ponto central da tese de investimento da companhia.
Benjamin, no entanto, não ficará longe: ele reassume a presidência do conselho de administração. A transição foi planejada internamente há cerca de quatro meses, segundo o empresário, e reflete um novo ciclo para a siderúrgica.
Mudança de posição após duas décadas
“Era o momento de trocar de posição. Foi um ciclo de realização de muita coisa e agora a gente se propôs a fazer uma mudança na companhia, priorizando a desalavancagem, uma melhor estrutura de capital e os ativos que têm maior margem”, disse Benjamin ao Brazil Journal.
A decisão, segundo ele, não altera a estratégia da empresa. “A estratégia é igual. É fazer o que a gente vem fazendo: tanto do ponto de vista da desalavancagem quanto dos negócios de maior margem. Tudo para melhorar o resultado operacional da companhia”, afirmou.
O empresário destacou as qualidades do sucessor. “É uma pessoa boa, honesta, correta, dedicada e inteligente. Tem todas as qualificações para o cargo”, disse o agora chairman. “Eu gosto muito dele e por isso o convidei.”
Trajetória de Schvartsman no setor
Engenheiro de produção formado pela USP, Schvartsman teve passagens longas por empresas como Ultrapar e Klabin, onde foi CEO por seis anos. Em 2017, deixou a fabricante de papel e celulose para assumir como CEO da Vale.
Schvartsman comandava a mineradora quando ocorreu o rompimento da barragem de Brumadinho, em janeiro de 2019. Pouco mais de um mês depois, pediu afastamento do cargo e desde então não assumiu nenhum cargo executivo. Hoje está no conselho da Vibra Energia.
A chegada de Schvartsman à CSN marca seu retorno a uma posição de liderança executiva após o episódio na Vale. Sua experiência em reestruturação e gestão de grandes companhias é vista como um ativo para o atual momento da siderúrgica.
Dívida elevada e pressão do mercado
O novo CEO chega a uma companhia com dívida próxima de R$ 42 bilhões. No segundo trimestre, a alavancagem da CSN chegou a cerca de 3,5x EBITDA, e os analistas vêm apontando a venda de ativos como o principal gatilho para uma mudança na percepção negativa sobre a empresa.
A troca de comando ocorre justamente nesse contexto. A redução do endividamento é prioridade declarada pela gestão, e o mercado acompanha de perto os próximos passos. A venda de ativos não essenciais deve ser uma das frentes de atuação do novo CEO.
Venda da CSN Cimentos em negociação
Em meio a este plano, um negócio iminente seria a venda da CSN Cimentos. Uma fonte a par das negociações disse ao Brazil Journal que a chinesa Huaxin e o consórcio Votorantim/Cementir estão no páreo e que o negócio deve girar em torno de R$ 12 bilhões.
Segundo a fonte, esse montante avaliaria a empresa em cerca de 7x EV/EBITDA. Para efeito de comparação, a CSN (a holding controladora) negocia hoje abaixo de 4x o EBITDA projetado para 2026.
A eventual concretização da venda traria alívio imediato ao balanço e poderia destravar valor para os acionistas. A operação, se confirmada, será um teste importante para a nova gestão.
Impacto para o setor produtivo
Para empresários e comerciantes do noroeste paulista, a mudança na CSN pode ter reflexos indiretos. A siderúrgica é uma das maiores do país e sua saúde financeira influencia a cadeia de aço, insumos e construção civil. Uma empresa mais enxuta e com menor endividamento tende a ter mais previsibilidade de preços e fornecimento.
Além disso, a venda da CSN Cimentos pode alterar o cenário competitivo no setor de materiais de construção, com possíveis impactos em distribuidores e revendas da região. O desfecho das negociações será acompanhado de perto por quem atua nesse segmento.
A CSN não detalhou prazos para a conclusão da venda nem os termos finais da transição de comando. A fonte não detalhou se há outros interessados além dos dois citados.
Perguntas Frequentes
Quem é o novo CEO da CSN após a saída de Benjamin Steinbruch?
Fábio Schvartsman, ex-CEO da Vale e da Klabin, assume o cargo a partir de amanhã.
Qual é o principal desafio do novo CEO da CSN?
Reduzir a dívida de aproximadamente R$ 42 bilhões e melhorar a estrutura de capital, com alavancagem em torno de 3,5x EBITDA.
A CSN planeja vender algum ativo para reduzir a dívida?
Sim, a venda da CSN Cimentos é iminente, com negociações em torno de R$ 12 bilhões, envolvendo a chinesa Huaxin e o consórcio Votorantim/Cementir.




























