Emprego formal em setembro: juros altos e bets freiam vagas

Crédito: InfoMoney
O saldo de emprego formal recua no Brasil. A criação de 121,3 mil vagas em setembro frustra o mercado e expõe os sinais de fadiga na economia. Dados do Novo Caged, divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego nesta quarta-feira (4), mostram um mercado de trabalho menos aquecido do que o esperado por analistas.
A perda de fôlego fica evidente ao se observar os dados na margem, segundo os economistas. Com os ajustes sazonais, as admissões recuaram 1,8% e os desligamentos caíram 0,3% em comparação à divulgação anterior, segundo levantamento da consultoria 4Intelligence. Esse movimento indica que o ritmo de contratações está desacelerando, mesmo com a queda nos desligamentos.
Juros altos pesam sobre o emprego
O cenário macroeconômico, marcado por juros elevados, tem contribuído para a desaceleração do mercado de trabalho. O custo do crédito mais alto inibe investimentos das empresas e reduz a capacidade de expansão dos negócios, impactando diretamente a geração de vagas formais. Esse contexto afeta especialmente pequenas e médias empresas, que dependem de capital de giro para manter suas operações.
Além do fator macroeconômico, questões estruturais estão reconfigurando as vagas no país. A consultoria aponta que o crescimento do e-commerce tem transferido empregos do comércio varejista tradicional para subsetores de serviços atrelados à logística e armazenagem. Essa migração altera o perfil das ocupações e exige adaptação dos trabalhadores e empresários do setor.
Comércio varejista perde espaço
A análise setorial revela um mercado de trabalho menos disseminado e cada vez mais dependente do setor de Serviços, que sustentou o resultado de setembro com um saldo positivo de 40 mil vagas (puxado por saúde, atividades administrativas e transportes). Em contrapartida, a Indústria cortou 14,3 mil postos, e a Agropecuária recuou em 4,4 mil vagas. O comércio, tradicional empregador no interior paulista, não apresentou números expressivos, refletindo a concorrência do comércio eletrônico e mudanças no consumo.
Outro impacto vem do avanço das apostas esportivas, as chamadas “bets”, até setembro. Estudos indicam que o principal item cortado pelos apostadores brasileiros é o vestuário, o que, somado ao fim da isenção tributária para compras internacionais de pequeno valor (a “taxa das blusinhas”), inibe o avanço do emprego formal no setor, aponta a 4Intelligence. Para lojistas de cidades como Araçatuba, Birigui e Penápolis, essa combinação de fatores representa um desafio adicional na manutenção de equipes.
Projeções indicam desaceleração até 2027
Para 2027, o cenário é ainda mais desafiador, avalia Rodolfo Margato, economista da XP, devido ao enfraquecimento da atividade doméstica, o que deve levar à menor abertura de vagas, ao aumento de custos salariais e da escassez de mão de obra em alguns setores. “Projetamos que a criação líquida de empregos formais totalizará cerca de 800 mil em 2026 e 420 mil em 2027”, afirma. Esses números representam uma queda significativa em relação aos patamares atuais e exigem planejamento por parte dos empregadores.
Diante desse quadro, empresários da região noroeste paulista devem redobrar a atenção à gestão de pessoas e à eficiência operacional. A diversificação de canais de venda e o investimento em logística podem ser alternativas para mitigar os efeitos da desaceleração. A fonte não detalhou medidas específicas para o setor, mas o cenário exige cautela.
Perguntas Frequentes
Qual foi o saldo de empregos formais em setembro de 2024 no Brasil?
O saldo foi de 121,3 mil vagas, frustrando o mercado e expondo sinais de fadiga na economia.
Como o avanço das apostas esportivas (bets) afetou o emprego formal no comércio?
Estudos indicam que o principal item cortado pelos apostadores é o vestuário, o que, somado ao fim da isenção tributária para compras internacionais de pequeno valor, inibe o avanço do emprego formal no setor.
Quais setores tiveram queda no emprego formal em setembro de 2024?
A Indústria cortou 14,3 mil postos e a Agropecuária recuou em 4,4 mil vagas, enquanto o setor de Serviços sustentou o resultado com saldo positivo de 40 mil vagas.



























