Impacto dos juros altos em Faria Lima e Leblon: crise no mercado financeiro

Crédito: Estadão
O prolongado período de juros altos no Brasil está provocando uma reestruturação profunda no mercado financeiro, especialmente nos principais polos do setor: a Faria Lima, em São Paulo, e o Leblon, no Rio de Janeiro. Casas de investimentos reduzem quadros de funcionários, reorganizam atividades e, em alguns casos, encerram operações. A combinação de incerteza fiscal e cenário internacional adverso mantém a Selic em patamar elevado, sem perspectiva de queda significativa no curto prazo.
Juros altos e o aperto nas gestoras
O Banco Central optou por evitar uma montanha-russa nos juros e esticou o prazo para levar a inflação à meta, deixando o Comitê de Política Monetária (Copom) em uma situação de ‘perde-perde’, sem saídas fáceis para a condução da política monetária. Esse cenário tem colocado em xeque empresas do mercado financeiro, especialmente as gestoras independentes.
A TORK Capital, gestora especializada em ações fundada em 2018 e que tinha R$ 750 milhões sob gestão, anunciou o encerramento das atividades neste ano. O segmento de análise de ações também foi atingido: a Empiricus vem passando por um período desafiador e enxugou equipes. A empresa afirmou que “o novo modelo de assinatura e a adequação das equipes fazem parte do processo de integração com o BTG Pactual, que resultou na unificação de estruturas já existentes nas duas empresas”. O negócio entre o banco e a Empiricus foi fechado em 2021.
Fuga de recursos dos fundos de risco
Os últimos dados da Anbima mostram uma sequência de anos ruim para os fundos multimercados e de ações, com saídas de recursos, enquanto os de renda fixa receberam mais aportes dos investidores. Em 2025, os fundos multimercados registraram saída líquida de R$ 44,6 bilhões e os de ações, R$ 49,7 bilhões. Já os fundos de renda fixa captaram R$ 76,1 bilhões no mesmo período. O número de fundos multimercados no País recuou 1,54% nos últimos 12 meses, e o de ações, 1,72%.
“No final, a conta é simples: se não tem patrimônio, fatura menos na taxa de administração, e a dificuldade de bater o CDI faz com que não se ganhe (a taxa de) performance. É um ataque duplo a uma gestora independente”, afirma Ricardo Campos, CEO da Reach Capital.
Perspectivas para o setor
Sem perspectivas de uma redução significativa da taxa de juros, o pessimismo cresceu no mercado. A combinação da piora do cenário internacional e da incerteza fiscal no Brasil tem levado os economistas a projetar a Selic acima do patamar de 10% até 2029. As gestoras de fundo ainda crescem, mas num ritmo menor do que em anos anteriores. O impacto dos juros altos pode ser medido também pela quantidade de gestoras de fundo, que enfrentam um ambiente de negócios mais restritivo.
Para empresários e profissionais do noroeste paulista, o cenário reforça a importância de diversificar investimentos e acompanhar as tendências do mercado financeiro, que afetam diretamente o crédito e a liquidez na economia regional.
Perguntas Frequentes
Quais gestoras fecharam ou reduziram equipes na Faria Lima e Leblon devido aos juros altos?
A TORK Capital, gestora de ações com R$ 750 milhões sob gestão, anunciou o encerramento das atividades em 2025. A Empiricus também enxugou equipes, justificando como parte da integração com o BTG Pactual, comprado em 2021.
Como os juros altos afetaram os fundos multimercados e de ações no Brasil?
Em 2025, os fundos multimercados tiveram saída líquida de R$ 44,6 bilhões e os de ações, R$ 49,7 bilhões. O número de fundos multimercados caiu 1,54% e o de ações, 1,72% nos últimos 12 meses, enquanto a renda fixa captou R$ 76,1 bilhões.
Por que o Copom manteve os juros altos por tanto tempo e qual o impacto no mercado?
O Banco Central quis evitar montanha-russa nos juros e esticou o prazo para levar a inflação à meta, colocando o Copom em situação de ‘perde-perde’. Com a Selic projetada acima de 10% até 2029, o pessimismo cresceu, levando a cortes de equipes e fechamento de gestoras.




























