Investimentos no Rio de Janeiro somam R$ 327,6 bi

Crédito: InfoMoney
O estado do Rio de Janeiro possui R$ 327,6 bilhões em investimentos mapeados para o período entre 2026 e 2028, de acordo com levantamento da Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro). O valor, divulgado nesta semana, aponta as áreas com maior potencial de expansão, consideradas fronteiras de desenvolvimento econômico. O setor de petróleo e gás concentra 60% do total, refletindo a força da indústria petrolífera fluminense.
Petróleo e gás lideram investimentos
Com a indústria petrolífera a pleno valor, acelerando a produção de petróleo e gás nos campos do pré-sal, o Rio de Janeiro se consolida como polo energético nacional. Além do setor extrativo, importantes obras de infraestrutura estão em curso, como as novas pistas de subida da Serra das Araras, na Rodovia Presidente Dutra, e investimentos no turismo. Esses projetos reforçam a diversificação da economia fluminense, embora o petróleo ainda domine a carteira de investimentos.
O valor de R$ 327,6 bilhões refere-se a projetos em execução ou já confirmados. No entanto, o montante pode subir para pouco mais de R$ 500 bilhões se considerados os investimentos em potencial, que já foram sinalizados em projetos, mas ainda não estão confirmados, afirmou o presidente da entidade, Luiz Césio Caetano. Essa diferença evidencia o apetite por novos negócios no estado, mas também a necessidade de condições favoráveis para sua concretização.
Angra 3 e infraestrutura em foco
Dentro dos projetos de investimentos em potencial, destaca-se a Usina Nuclear de Angra 3. “Entendemos que ela é perfeitamente viável”, diz Luiz Césio Caetano, presidente da Firjan. A retomada da obra é vista como estratégica para a segurança energética e para a geração de empregos qualificados. Além disso, a conclusão da usina poderia atrair novas indústrias para a região, fortalecendo a cadeia produtiva local.
Outro gargalo apontado pela Firjan é o EF-118, um trecho ferroviário que está para ser concedido, conectando o norte do Rio à malha ferroviária, incluindo o Porto do Açu. O porto, megaempreendimento de integração porto-indústria, foi concebido pelo empresário Eike Batista e hoje é operado pela Prumo, do fundo americano EIG. A ferrovia é considerada essencial para escoar a produção do interior e ampliar a competitividade logística do estado.
Estabilidade jurídica é prioridade
Para que esses investimentos saiam do papel, a Firjan defende um ambiente regulatório estável. “Precisamos de estabilidade jurídica. Temos muita mudança de regras no meio do caminho”, diz Caetano. “Uma mudança de regra no meio do caminho pode inviabilizar um projeto que foi montado dentro de uma estrutura fiscal e de retorno do investimento.” A previsibilidade é apontada como fator crítico para a confiança do investidor, especialmente em projetos de longo prazo.
O consultor Claudio Frischtak, especialista em infraestrutura, reforça que a economia fluminense tem problemas antigos de perda de competitividade. Para ele, a reversão desse quadro passa por uma aposta em “serviços de alto valor agregado”, inclusive aqueles da cadeia de petróleo e gás, em pesquisa e desenvolvimento e em logística. “O Rio tem que focar, na minha perspectiva, numa economia de serviços avançados. Não quer dizer que seja somente algo baseado em ciência e tecnologia. Podemos ter serviços avançados de turismo, de infraestrutura”, afirma Frischtak.
Governança e execução de projetos
Segundo o consultor, aproveitar essas oportunidades passa por uma estabilidade política no governo estadual. “O ponto de partida é uma mudança dramática, radical e profunda na governança do estado.” A declaração sinaliza a necessidade de reformas institucionais que garantam continuidade de políticas públicas e eficiência na gestão de recursos.
O secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Roberto Gomides, da equipe do governador interino Ricardo Couto, concorda que o grande desafio nos próximos anos não é a falta de projetos, mas sim a capacidade de executá-los e implementá-los de fato. “Para atrair e reter o capital dos investidores, a estabilidade institucional é prioritária. O planejamento estratégico das secretarias foca na melhoria contínua do ambiente de negócios, para dar previsibilidade jurídica e tranquilidade para quem toma a decisão de investir no Rio”, afirma Gomides.
No fim do ano passado, uma nova concessionária assumiu a operação do trecho Rio-Juiz de Fora (MG), assumindo o compromisso de investir R$ 5 bilhões na estrada. Esse aporte é um exemplo de como a melhoria da infraestrutura rodoviária pode impactar positivamente o escoamento da produção e a integração regional, beneficiando também estados vizinhos e o comércio interestadual.
Perguntas Frequentes
Qual é o valor total de investimentos mapeados no Rio de Janeiro entre 2026 e 2028?
O valor é de R$ 327,6 bilhões, de acordo com mapeamento da Firjan.
Qual setor concentra a maior parte dos investimentos no Rio de Janeiro até 2028?
O setor de petróleo e gás concentra 60% do total, impulsionado pela produção no pré-sal.
Quais são os principais gargalos de infraestrutura citados para o desenvolvimento do Rio de Janeiro?
Os gargalos incluem a necessidade de investimentos na Rodovia Presidente Dutra (novas pistas da Serra das Araras) e a concessão do trecho ferroviário EF-118, que conectará o norte do estado ao Porto do Açu.




























