Master e BRB sabiam que venda era inviável desde junho

Crédito: Folha de S.Paulo
O Banco Central (BC) informou ao Master e ao BRB (Banco de Brasília), dois meses antes da decisão final, que a venda do banco não tinha condições de ser aprovada. A área técnica da autoridade monetária enviou quatro ofícios cobrando informações sobre a operação, que foi batizada de “Projeto Vórtice” pelo BRB.
Comunicação prévia da inviabilidade
Dois meses antes de barrar a compra do Master pelo BRB, o Banco Central já tinha comunicado às duas instituições financeiras que o pedido não tinha condições de aprovação. Esse documento foi enviado 42 dias antes da decisão final da autoridade monetária.
A fonte não detalhou o conteúdo exato da comunicação, mas ela indicava claramente a inviabilidade da operação naquele momento.
Problemas no delineamento da transação
Os técnicos do BC registraram nos ofícios que BRB e Master foram omissos no delineamento do perímetro da transação. Essa omissão impossibilitou a análise do estudo de viabilidade econômico-financeira.
A definição de quais partes do Master seriam transferidas mudou diversas vezes entre março e setembro, comprometendo a análise regulatória.
Cobranças repetidas do Banco Central
A área técnica do BC enviou quatro ofícios cobrando informações sobre a operação. No mesmo dia da segunda cobrança, o BRB divulgava aos investidores seus resultados do primeiro trimestre de 2025.
A fonte não detalhou as datas exatas dessas cobranças, mas elas ocorreram durante todo o processo de análise da transação.
Questionamentos sobre fundo de investimento
Em um dos ofícios, o BC pediu que o Master explicasse a composição do Fidc (Fundo de Investimento em Direitos Creditórios) RSG e também a rentabilidade reportada.
Segundo o documento, o banco reportou rentabilidade de 4.245,81% em 42 dias no relatório sobre o fundo. A fonte não detalhou se essa rentabilidade foi considerada atípica pela autoridade monetária.
Problemas nos controles internos
Segundo relatório do Banco Central, parte das informações era controlada de forma manual nas instituições envolvidas. Esses fatores aumentam o risco relacionado com a confiabilidade das informações.
Os documentos destacam a necessidade de aprimoramento do ambiente de controles internos das instituições.
Processos no Tribunal de Contas
Os documentos internos do Banco Central sobre o caso foram enviados ao TCU (Tribunal de Contas da União). O TCU tem mais de um processo aberto para apurar a conduta da autoridade monetária.
A fonte não detalhou o andamento desses processos no tribunal nem os prazos para conclusão.
Objetivos estratégicos do BRB
A compra do Master, batizada de “Projeto Vórtice”, era citada como medida para impulsionar a expansão nacional do BRB. A expansão levaria o banco a figurar entre os dez maiores do país em volume de crédito.
Estrutura da aquisição planejada
O BRB queria ficar com 58,04% do Master, fatia que incluiria:
- 49% das ações com direito a voto
- 100% das ações preferenciais
Essa instabilidade no perímetro da transação dificultou significativamente a análise regulatória.
Silêncio das instituições envolvidas
Procurada pela Folha, a defesa do Banco Master disse que não comentaria sobre as alegações do Banco Central. O BRB foi contatado por e-mail e WhatsApp, mas não respondeu aos questionamentos.
A fonte não detalhou quais perguntas específicas foram feitas às instituições financeiras.
Perguntas Frequentes
Quando o Banco Central informou ao BRB e ao Master que a venda não seria aprovada?
Dois meses antes da decisão final de barrar a compra, o Banco Central já havia comunicado às instituições que o pedido não tinha condições de aprovação. Um documento oficial foi enviado 42 dias antes da decisão final, em setembro.
Quais foram os principais problemas apontados pelo BC que inviabilizaram a venda do Master ao BRB?
O BC identificou que as instituições foram omissas no delineamento do perímetro da transação, que mudou diversas vezes, e que havia falhas nos controles internos com informações controladas manualmente, comprometendo a confiabilidade dos dados e a viabilidade da operação.
O que o BRB pretendia adquirir do Banco Master na operação?
O BRB queria ficar com 58,04% do Master, incluindo 49% das ações com direito a voto e 100% das ações preferenciais, em uma operação batizada de ‘Projeto Vórtice’ para expandir nacionalmente e figurar entre os dez maiores bancos em volume de crédito.


























