Petrobras e Flávio Bolsonaro: venda de ativos em pauta

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A campanha do candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) garantiu que a privatização da Petrobras não está nos planos de um eventual governo, mas o mercado espera a retomada do processo de venda de ativos e enxugamento da estatal que ocorreu no governo Jair Bolsonaro. A declaração foi dada após especulações sobre o futuro da companhia, que é estratégica para a economia nacional e para o setor de energia.

A Petrobras não é citada entre as propostas entregues pelo candidato do PL ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral), e a assessoria econômica da campanha de Flávio não fala sobre o tema. A assessoria de imprensa do candidato também não respondeu ao pedido de entrevista. Essa ausência de definição gera incertezas entre empresários e investidores, especialmente no interior paulista, onde o custo dos combustíveis impacta diretamente o comércio e a indústria.

Plano de governo omite política para estatal

O plano de governo de Flávio não divulga, por exemplo, sobre como será a política de preços dos combustíveis caso ele ganhe a eleição. Promete redução de impostos, mas sem maiores detalhes. A falta de clareza preocupa setores que dependem de previsibilidade para planejar seus negócios, como transportadoras, agroindústrias e o varejo regional.

Jair Bolsonaro liberou a estatal para acompanhar diariamente as cotações internacionais, mas recuou após o início da guerra na Ucrânia, no início de 2022, que fez os preços dispararem às vésperas da eleição em que tentaria um segundo mandato. Essa experiência recente mostra como decisões sobre a Petrobras afetam diretamente a inflação e o poder de compra das famílias, com reflexos no comércio de cidades como Araçatuba, Birigui e Penápolis.

Assessores divergem sobre capitalização

A última declaração pública sobre a estatal foi dada por Adolfo Sachsida, que foi ministro de Minas e Energia de Jair Bolsonaro e é hoje um dos principais assessores de Flávio na área econômica, em vídeo em que falava de estatais de forma geral. “Se você está ouvindo esse vídeo e é do Banco do Brasil, da Caixa Econômica e da Petrobras, saiba de uma coisa: não existirão privatizações de empresas. Nenhuma dessas empresas será tocada”, afirmou ele.

No entanto, a possibilidade de privatização havia sido levantada no fim de agosto por Adriano Pires, que coordena a campanha de Flávio para a área energética e é cotado para comandar a Petrobras ou o MME (Ministério de Minas e Energia) caso o PL vença. Em entrevista ao SBT News, ele afirmou que não via nenhum problema, “nenhum fantasma”, em discutir a capitalização da Petrobras nos moldes do que o governo Jair Bolsonaro fez com a Eletrobras, reduzindo a participação estatal a uma posição minoritária sem poder de influenciar decisões.

Capitalização nos moldes da Eletrobras

Ele citou a Eletrobras e a Vale como exemplos de grandes empresas brasileiras com capital pulverizado. “Pode ter discussão de fazer uma capitalização da Petrobras. Mas isso não está no plano de governo, quem vai decidir é o Congresso Nacional.” A fala de Pires indica que, embora a privatização total não esteja formalmente proposta, a redução da participação estatal pode voltar ao debate, o que teria impactos profundos na governança da companhia e nos preços dos combustíveis.

Pires é um defensor histórico da privatização da Petrobras. Foi indicado à presidência da estatal por Bolsonaro em 2022, mas desistiu após questionamentos por conflitos de interesse. Procurado pela Folha nas últimas três semanas, ele não quis dar entrevista. Sachsida disse nesta quinta-feira (22) que prefere não dar entrevistas. Questionado sobre a possibilidade de outra pessoa da campanha falar sobre o tema, não respondeu.

Impacto para o comércio do interior paulista

Para empresários do noroeste paulista, a indefinição sobre a Petrobras é um fator de risco. A política de preços dos combustíveis afeta diretamente os custos de transporte de mercadorias, a logística do agronegócio e o preço final de produtos no varejo. Uma eventual retomada da venda de ativos poderia trazer mais eficiência e investimentos, mas também poderia gerar volatilidade nos preços no curto prazo, exigindo planejamento financeiro das empresas locais.

Além disso, a capitalização da Petrobras, se aprovada pelo Congresso, mudaria o perfil da companhia, que deixaria de ser controlada pelo Estado. Isso poderia atrair capital privado e modernizar a gestão, mas também levantaria questões sobre a segurança energética e o abastecimento nacional. Para o comércio e a indústria da região, o essencial é que haja regras claras e estáveis, permitindo a tomada de decisões de investimento com confiança.

Até o momento, a campanha de Flávio Bolsonaro não apresentou detalhes sobre como pretende conduzir a Petrobras em um eventual mandato. A divergência entre assessores e a ausência de propostas concretas no plano de governo deixam o setor produtivo em compasso de espera, monitorando os desdobramentos políticos e seus possíveis efeitos sobre a economia regional.

Perguntas Frequentes

Flávio Bolsonaro pretende privatizar a Petrobras se for eleito?

A campanha de Flávio Bolsonaro garantiu que a privatização da Petrobras não está nos planos de um eventual governo, e Adolfo Sachsida, assessor econômico, afirmou que ‘não existirão privatizações de empresas’ como a Petrobras.

O que o plano de governo de Flávio Bolsonaro diz sobre a Petrobras?

O plano de governo de Flávio Bolsonaro não cita a Petrobras entre as propostas entregues ao TSE, e a assessoria econômica da campanha não fala sobre o tema, deixando incertezas sobre a política para a estatal.

Há divergências na campanha de Flávio Bolsonaro sobre a venda de ativos da Petrobras?

Sim, enquanto a campanha nega privatização, Adriano Pires, coordenador da área energética, defendeu discutir a capitalização da Petrobras nos moldes da Eletrobras, reduzindo a participação estatal, mas afirmou que isso não está no plano de governo.

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