Preço do etanol nas usinas sobe quase 20% em São Paulo

Crédito: cnnbrasil.com.br
O preço do etanol hidratado nas usinas paulistas registrou alta de quase 20% em pouco mais de um mês, conforme dados do setor. As cotações passaram de R$ 2,05 por litro no início de agosto para R$ 2,46 por litro, em meio ao aumento da demanda e às interrupções na moagem de cana provocadas pelas chuvas.
Esse movimento reflete a combinação de fatores climáticos e de mercado que pressionam a oferta do biocombustível na região Centro-Sul, principal polo produtor do país. A valorização tem impacto direto nos custos de distribuidoras e postos, e pode chegar ao consumidor final nas próximas semanas.
Demanda doméstica sustenta preços
A demanda doméstica é um dos principais fatores de sustentação do mercado. Em julho, as distribuidoras comercializaram 1,92 bilhão de litros de etanol hidratado, o maior volume já registrado para o mês. Esse recorde indica um consumo robusto, mesmo em um cenário de preços em elevação.
Além disso, a competitividade do biocombustível em relação à gasolina favoreceu o consumo. Em São Paulo, principal mercado consumidor do país, a paridade entre os dois combustíveis permaneceu abaixo de 60% no período analisado, mantendo o etanol economicamente mais vantajoso para o consumidor. Essa relação de preços estimula a preferência pelo etanol nos postos, sustentando a demanda.
Chuvas atrasam moagem na região Centro-Sul
As chuvas que atingem a região Centro-Sul têm provocado interrupções na moagem de cana, reduzindo a oferta de etanol no curto prazo. Com menos produto disponível nas usinas, os preços tendem a subir, como observado nas últimas semanas. A fonte não detalhou a extensão das paralisações nem as usinas afetadas.
Esse fator climático adiciona pressão sobre um mercado já aquecido pela demanda recorde. A combinação de oferta restrita e consumo elevado cria um ambiente de alta nos preços, que pode persistir enquanto as condições meteorológicas não normalizarem a colheita e o processamento da cana.
Mistura E35 pode ampliar demanda futura
No horizonte regulatório, o Ministério de Minas e Energia deve publicar ainda em setembro uma portaria autorizando testes para avaliar a viabilidade técnica da mistura de 35% de etanol anidro na gasolina, conhecida como E35. A medida, se implementada, teria impacto significativo no setor sucroenergético.
Segundo o Itaú BBA, caso a mistura seja adotada, ela poderá representar uma demanda adicional de 2 bilhões a 2,5 bilhões de litros de etanol anidro por ano. Esse volume é expressivo e poderia alterar a dinâmica de oferta e preços no médio e longo prazo, beneficiando usinas e produtores de cana.
Tributação de combustíveis no radar
As novas alíquotas de PIS/Cofins sobre combustíveis, vigentes entre 10 de setembro e 9 de outubro, também permanecem no radar do mercado. Especialmente em um cenário de volatilidade do petróleo e de mudanças nas margens de refino, a tributação pode influenciar os preços finais dos combustíveis, incluindo o etanol.
Para empresários e comerciantes da região noroeste paulista, essas mudanças tributárias podem afetar os custos de transporte e logística, com reflexos nos preços de bens e serviços. Acompanhar a evolução dessas alíquotas é essencial para o planejamento financeiro das empresas locais.
Impacto para o comércio regional
A alta do etanol tem efeitos em cadeia para a economia do interior paulista. Postos de combustíveis, transportadoras e indústrias que dependem do insumo podem repassar os aumentos, pressionando a inflação local. Em cidades como Araçatuba, Birigui e Penápolis, o custo do frete e da distribuição tende a subir, afetando o comércio e os serviços.
Além disso, a possível adoção do E35 no futuro pode abrir novas oportunidades para o agronegócio regional, que tem forte presença na produção de cana-de-açúcar. Investimentos em ampliação de capacidade e logística podem ser necessários para atender a uma demanda adicional bilionária, gerando empregos e renda na região.
Diante desse cenário, associações comerciais e entidades empresariais recomendam atenção aos indicadores de preços e às decisões regulatórias. O monitoramento contínuo permite que os negócios se adaptem rapidamente às mudanças no mercado de combustíveis.
Perguntas Frequentes
Quanto subiu o preço do etanol nas usinas paulistas em um mês?
O preço do etanol hidratado subiu quase 20% em pouco mais de um mês, passando de R$ 2,05 para R$ 2,46 por litro.
Qual foi o volume de etanol hidratado comercializado pelas distribuidoras em julho?
Em julho, as distribuidoras comercializaram 1,92 bilhão de litros de etanol hidratado, o maior volume já registrado para o mês.
Qual a demanda adicional estimada de etanol anidro caso a mistura E35 seja adotada?
Segundo o Itaú BBA, a adoção da mistura E35 poderá representar uma demanda adicional de 2 bilhões a 2,5 bilhões de litros de etanol anidro por ano.



























