Roubos de celular na zona sul de SP se tornam novo epicentro do crime

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Roubos de celular zona sul SP: novo epicentro do crime

A Zona Sul de São Paulo tornou-se o novo epicentro dos roubos de celular na capital paulista, com alta expressiva na periferia e queda no Centro. Dados exclusivos do Mapa do Crime, ferramenta interativa do GLOBO, mostram que a mudança na dinâmica está ligada à preferência dos criminosos por uma marca específica: a Apple.

Zona Sul lidera alta de roubos

O Jardim Herculano foi o distrito com o maior aumento percentual: 37,1%, saltando de 782 ocorrências em 2024 para 1.072 no ano passado. Com isso, subiu da 23ª para a 9ª posição no ranking de distritos com mais roubos de celular. No Parque Santo Antônio, a alta foi de 23,7% (de 1.172 para 1.450), elevando a região ao quarto lugar. O campeão absoluto é o vizinho Capão Redondo, que pulou do segundo para o primeiro lugar após registrar aumento de 1,57%, chegando a 2.330 registros.

Esses três distritos da Zona Sul são os únicos entre os dez primeiros da lista onde houve aumento nos roubos de celular. Em toda a capital, os casos caíram 15,5%, de 59.974 para 50.692.

iPhones puxam escalada na periferia

No novo eixo do roubo de celular em São Paulo, foi a escalada no número de iPhones levados pelos criminosos que puxou os números para cima. Em toda a capital, as ocorrências envolvendo aparelhos da Apple regrediram 1,8% (de 21.703 em 2024 para 21.320 em 2025). No entanto, os três distritos da Zona Sul estão entre os cinco de toda a cidade com os maiores aumentos de roubos de celulares da marca.

Enquanto isso, no Centro, os números caíram. Na Consolação, as ocorrências recuaram 32% (de 912 para 619). Nos Campos Elíseos, a queda foi de 23,7%. A Avenida Paulista testemunhou uma redução de 56% nos roubos de iPhone (de 197 para 86), saindo do primeiro lugar em 2023 para a sétima posição no ranking de logradouros com mais ocorrências.

Mudanças na criminalidade explicam contraste

Especialistas e policiais ouvidos pelo GLOBO apontam que mudanças na cena criminal paulista contribuem para movimentos tão contrastantes. Renato Sérgio de Lima, presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), afirma que existe uma mudança geracional em curso e que a velha guarda do PCC não permitia assaltos na periferia.

Diferentemente da maioria das capitais brasileiras, onde o roubo de celular é fomentado sobretudo pela revenda local de peças e aparelhos subtraídos, em São Paulo o ciclo do crime é mais complexo. Investigações da Polícia Civil e do Ministério Público revelam que o mercado paulistano de receptação de celulares abastece quadrilhas especializadas em fraudes financeiras, transporte e revenda dos aparelhos para outros continentes. Parte considerável dos celulares roubados, sobretudo os subtraídos na modalidade “quebra-vidros”, são remetidos a grupos criminosos que atuam com golpes bancários e encomendam aparelhos já desbloqueados aos ladrões.

Para empresários e comerciantes, a mudança no perfil dos roubos exige atenção redobrada na Zona Sul, especialmente com relação a iPhones, que se tornaram alvo preferencial. A queda no Centro, por outro lado, pode indicar uma melhora na segurança na região, mas o cenário geral ainda demanda cautela.

Perguntas Frequentes

Quais distritos da Zona Sul de São Paulo tiveram maior aumento nos roubos de celular em 2025?

O Jardim Herculano teve o maior aumento percentual, com 37,1% (de 782 para 1.072 casos). O Parque Santo Antônio registrou alta de 23,7% (de 1.172 para 1.450), e o Capão Redondo subiu 1,57%, tornando-se o campeão em número absoluto (2.330 registros).

Por que os roubos de iPhone aumentaram na Zona Sul enquanto caíram no Centro de São Paulo?

Na Zona Sul, os roubos de iPhone cresceram puxando os números totais para cima, enquanto no Centro caíram significativamente: na Consolação (-32%), Campos Elíseos (-23,7%) e Avenida Paulista (-56%). Especialistas apontam mudanças na cena criminal, como a proibição de assaltos na periferia pela velha guarda do PCC.

Qual a diferença no destino dos celulares roubados em São Paulo em comparação com outras capitais?

Diferente de outras capitais, onde o roubo abastece a revenda local, em São Paulo os celulares são enviados a quadrilhas especializadas em fraudes financeiras e revenda para outros continentes, especialmente os subtraídos na modalidade “quebra-vidros”.

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