CEO da Vale defende retomada de mega projetos no Brasil

Crédito: InfoMoney
O presidente da Vale, Gustavo Pimenta, afirmou que o Brasil deveria voltar a realizar mega projetos de mineração, com aportes de US$15 bilhões a US$20 bilhões. A declaração foi dada nesta terça-feira, 18 de agosto, em Brasília, durante o evento “Destravando o Potencial da Mineração no Brasil”. Na ocasião, o executivo lançou um estudo com propostas para o setor, reforçando que a companhia tem capital para viabilizar empreendimentos dessa magnitude.
Vale tem capital e conhecimento técnico
Para Pimenta, o país precisa voltar a pensar em grandes projetos para impulsionar a economia. Ele destacou que a Vale possui os recursos necessários e a expertise para tirar do papel iniciativas transformadoras. “Nós temos capital, temos como fazer, temos conhecimento técnico. A gente precisa entender que esses projetos vão mover o ponteiro, a gente tem a infraestrutura… e a gente precisa acelerar o desenvolvimento desses projetos”, afirmou.
Além disso, o CEO defendeu uma agenda de Estado que possa identificar os chamados “projetos transformacionais”. Essas iniciativas, segundo ele, poderiam ser trabalhadas em forças-tarefas junto ao governo, sempre “com todo rigor ambiental necessário”. “A gente quer destravar o potencial do Brasil”, acrescentou a jornalistas. Essa abordagem, na visão do executivo, é fundamental para que o país volte a atrair investimentos de longo prazo e gere desenvolvimento sustentável.
Último grande projeto foi S11D
Pimenta lembrou que o último mega projeto desenvolvido pela Vale foi a mina S11D, inaugurada há cerca de dez anos na Serra de Carajás, no Pará. Segundo ele, a região — de onde a empresa extrai boa parte do seu minério de ferro — ainda oferece um enorme potencial a ser explorado. O executivo, contudo, não detalhou quais seriam os próximos empreendimentos nem os investimentos envolvidos. A retomada de projetos no mesmo porte do S11D é vista como essencial para ampliar a participação brasileira no mercado global de minerais. A Vale, porém, não informou se há estudos em andamento para novas minas na área de Carajás ou em outras regiões do país.
Transformação após tragédias
Nos últimos anos, a Vale precisou reduzir sua capacidade de produção e revisar a segurança de diversos projetos após o rompimento de duas barragens de mineração em Minas Gerais, em 2015 e 2019. Os acidentes deixaram centenas de mortos e provocaram graves danos socioambientais, levando à criação de novas regras e ao aumento da cobrança por parte da sociedade. Pimenta reconheceu o impacto desses eventos para a companhia.
“Brumadinho foi um momento de muita dor para a companhia, para a sociedade. Nós frustramos a sociedade brasileira naquele momento, geramos muita dor, muito impacto, e desde então a companhia passa por uma profunda transformação”, disse. Ele não mencionou o rompimento da barragem de Mariana, que pertencia à Samarco, joint venture da Vale com a BHP. Questionado sobre como garantir impacto positivo e geração de valor social e ambiental, o executivo afirmou que a empresa tem evoluído ao longo dos anos, “a partir de muita dor e aprendizado”.
Estudo projeta ganhos bilionários
O relatório “Destravando o Potencial da Mineração no Brasil”, lançado durante o fórum homônimo, traz projeções expressivas para o setor. Segundo o estudo, a mineração poderia gerar R$1,3 trilhão em arrecadação entre 2026 e 2035, ante cerca de R$743 bilhões arrecadados na última década. O número de empregos diretos, indiretos e induzidos poderia chegar a 5,3 milhões no período, caso as iniciativas propostas sejam implementadas.
O documento defende que o Brasil pode aproveitar a crescente demanda global por minerais críticos, usados em veículos elétricos, armazenamento de energia, data centers e infraestrutura. Para isso, propõe uma agenda coordenada entre governo, setor privado e sociedade. Segundo analistas ouvidos pela FactSet, a expectativa era de avanço de 0,3% no período, embora o estudo não detalhe a qual indicador se refere essa previsão.
BNDES reforça apoio a investimentos
O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, também participou do evento. Ele afirmou que o Estado precisa atuar como parceiro para acelerar investimentos no segmento. Mercadante destacou o interesse crescente pelo setor mineral no Brasil, impulsionado pela demanda global por minerais críticos, e disse acreditar ser possível conciliar proteção ambiental e exploração mineral, citando a Vale como exemplo. Para o executivo do banco de fomento, a parceria entre governo e iniciativa privada é decisiva para destravar o potencial do setor. A combinação de capital, tecnologia e regras ambientais claras, segundo ele, pode recolocar o país na rota dos grandes investimentos.
Perguntas Frequentes
Qual o tamanho dos mega projetos de mineração que o Brasil deveria voltar a realizar, segundo o CEO da Vale?
Segundo o presidente da Vale, Gustavo Pimenta, o Brasil deveria voltar a realizar mega projetos de mineração de US$15 bilhões a US$20 bilhões.
Qual foi o último mega projeto desenvolvido pela Vale e onde ele está localizado?
O último mega projeto desenvolvido pela Vale foi a mina S11D, inaugurada há cerca de dez anos na Serra de Carajás, no Pará.
Quais os impactos econômicos e de empregos projetados pelo estudo da Vale para o setor de mineração entre 2026 e 2035?
O estudo aponta que, se as iniciativas forem implementadas, o setor poderia gerar R$1,3 trilhão em arrecadação entre 2026 e 2035, ante cerca de R$743 bilhões na última década, e elevar o número de empregos diretos, indiretos e induzidos para até 5,3 milhões no período.




























