99% dos painéis solares importados vêm da China

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99% dos painéis solares importados vêm da China

O Brasil importa 99% dos painéis solares utilizados em território nacional diretamente da China. A constatação, baseada em dados do setor, revela uma dependência quase total da indústria chinesa para o abastecimento do mercado fotovoltaico brasileiro. A informação foi divulgada pelo Poder360, que destacou a relevância dos produtos chineses para a geração de energia solar no país.

Os importados chineses são o começo e o meio da geração fotovoltaica no Brasil, que responde por parte relevante da matriz elétrica nacional. Apesar da abundância de sol, espaço e minerais críticos, o país não consegue produzir internamente os equipamentos necessários para gerar energia solar. Essa lacuna produtiva coloca o Brasil em uma posição de dependência de uma cadeia global amplamente controlada pela China.

Dependência chinesa na cadeia fotovoltaica

A participação chinesa não se limita aos painéis prontos. Nos kits completos de geradores fotovoltaicos, a China responde por 62% das importações brasileiras. Já nas células solares, componente essencial dos módulos, a fatia chinesa chega a 95%. Essas compras atendem tanto empresas que montam painéis no Brasil quanto revendedores de sistemas prontos para o mercado doméstico.

De acordo com dados da AIE (Agência Internacional de Energia), a China concentra aproximadamente 86% da capacidade mundial de produção do chamado polissilício, matéria-prima fundamental para a fabricação das células fotovoltaicas. Outros países asiáticos, como Malásia, Vietnã, Tailândia, Coreia do Sul, Índia, Taiwan e Singapura, também participam de etapas específicas da produção, mas sem a mesma escala chinesa. Essa concentração produtiva reforça a vulnerabilidade da cadeia de suprimentos global.

Incentivos para a indústria nacional

Diante desse cenário, especialistas defendem políticas públicas de estímulo à produção local. “Nós recomendamos linhas de financiamento com condições diferenciadas para fabricantes nacionais. Isso significa dizer taxas de juros mais baixas, prazos mais longos, carências maiores, garantias menores”, afirmou Sauaia, representante do setor. Segundo ele, o incentivo poderia ser oferecido pelo BNDES e por outros bancos públicos tanto aos fabricantes quanto aos consumidores que adquirirem equipamentos nacionais.

A proposta visa reduzir a dependência externa e fortalecer a indústria brasileira de energia solar. No entanto, Sauaia alerta que a simples elevação do imposto de importação não resolve o problema. Para ele, a medida aumenta o preço dos equipamentos e da energia solar sem assegurar uma indústria competitiva. A discussão sobre tarifas e subsídios segue em aberto, com impactos diretos para empresas e consumidores do setor.

Impacto no comércio e na indústria regional

Para empresários e comerciantes do noroeste paulista, a dependência de importados chineses afeta diretamente os custos e a disponibilidade de equipamentos. Regiões como Araçatuba, Birigui, Penápolis e Andradina têm visto crescer a demanda por sistemas fotovoltaicos em residências, comércios e propriedades rurais. A oscilação de preços internacionais e a taxa de câmbio influenciam os valores finais ao consumidor, impactando o planejamento financeiro de pequenas e médias empresas locais.

Além disso, a falta de produção nacional limita a geração de empregos qualificados na indústria de transformação. Hoje, a maior parte dos postos de trabalho no setor concentra-se na instalação e manutenção dos sistemas, enquanto a fabricação de componentes permanece no exterior. Estimular a produção local poderia criar novas oportunidades de negócios e fortalecer a cadeia produtiva regional, reduzindo a vulnerabilidade a choques externos.

Perspectivas para o setor fotovoltaico

O Brasil possui um dos maiores potenciais de geração solar do mundo, com altos índices de radiação e vastas áreas disponíveis. No entanto, sem uma base industrial própria, o país continuará refém das importações chinesas. A implementação de políticas de financiamento diferenciadas, como as sugeridas por Sauaia, poderia mudar esse quadro, mas exige vontade política e investimentos de longo prazo.

Enquanto isso, o mercado segue aquecido, impulsionado pela busca por economia na conta de luz e por fontes renováveis. Para o comércio do interior paulista, entender a dinâmica da cadeia global é essencial para precificar corretamente e orientar clientes. A dependência da China é um fator estrutural que deve ser monitorado de perto por todos os elos da cadeia fotovoltaica.

Perguntas Frequentes

Qual a porcentagem de painéis solares importados pelo Brasil que vêm da China?

99% dos painéis solares importados pelo Brasil vêm da China.

Qual a participação da China na produção global de polissilício, segundo a AIE?

A China concentra aproximadamente 86% da capacidade de produção de polissilício, de acordo com a AIE.

Qual a participação chinesa nos kits completos de geradores fotovoltaicos e nas células solares importadas pelo Brasil?

A participação é de 62% nos kits completos de geradores fotovoltaicos e de 95% nas células solares.

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