Transição econômica: China desacelera e afeta Brasil

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Transição econômica China desacelera e afeta Brasil

A China, segunda maior economia do mundo, está no meio de uma mudança estrutural em seu modelo de crescimento. O país que se acostumou a crescer a taxas elevadas com base em investimentos agora avança para uma economia mais dependente do consumo. Essa transição, no entanto, deve ter custos significativos e pode alterar a relação comercial com o Brasil, especialmente para empresários e produtores do interior paulista.

Mudança estrutural deve ser dolorosa

Para Hongbin Li, codiretor do Centro de Economia e Instituições da China da Universidade de Stanford, essa mudança deve ser “dolorosa” para o crescimento, reduzindo o ritmo de expansão que o país se acostumou a apresentar ao mundo. “Quando um país passa por uma grande transformação, normalmente o crescimento diminui”, diz Li em entrevista ao NeoFeed. “No longo prazo, se a China conseguir crescer 4,5% ao ano, considero que seria um crescimento muito saudável.”

O professor esteve em São Paulo em 24 de agosto para o Encontro Anual de Líderes da Fundação Estudar, onde discutiu os rumos da economia chinesa. A desaceleração chinesa tem impacto direto no comércio global, e o Brasil, como grande exportador de commodities, sente os efeitos na demanda e nos preços. Para empresários de Araçatuba e região, que dependem de cadeias produtivas ligadas ao agronegócio, a redução do ritmo chinês pode significar menor pressão de compra por soja, milho e carnes.

Salários sobem, mas abaixo do PIB

Um dos fatores que sustentam a transição para o consumo é o crescimento dos salários. “Os salários cresceram aproximadamente 10% ao ano nos últimos 15 anos. Isso vale para trabalhadores de baixa qualificação. Ainda assim, considerando a velocidade do crescimento, o crescimento dos salários chineses não é tão alto em comparação com o crescimento do PIB”, afirma Li.

Esse dado revela que, embora a renda dos trabalhadores tenha aumentado, ela não acompanhou integralmente a expansão da economia. Para o setor produtivo brasileiro, isso indica que o consumidor chinês pode ter mais poder de compra no futuro, mas ainda de forma gradual. Pequenas e médias empresas que desejam exportar produtos de maior valor agregado devem observar essa evolução com cautela.

Crise imobiliária e consumo enfraquecido

A mudança de modelo econômico também ajuda a explicar a crise do setor imobiliário. Para Li, os preços dos imóveis caíram bastante nas principais cidades, como Pequim, Xangai e Shenzhen, mas podem permanecer deprimidos por um longo período em cidades menores. O problema não está apenas na perda de riqueza provocada pela queda dos preços. A retração das compras de imóveis reduz também uma cadeia de consumo associada à habitação, que inclui reformas, móveis e eletrodomésticos.

Essa retração no consumo doméstico chinês afeta indiretamente a indústria brasileira de móveis e eletrodomésticos, que tem no mercado internacional um destino relevante. Para polos moveleiros como os de Mirandópolis e Birigui, a queda na demanda chinesa por insumos ou produtos acabados pode pressionar as exportações e exigir diversificação de mercados.

Oportunidade para relação mais sofisticada

Li disse também que a transformação econômica da China pode abrir espaço para uma relação mais sofisticada entre Brasil e China. Embora a relação comercial entre os dois países ainda tenha forte presença de commodities brasileiras, o professor vê potencial para o país subir na cadeia de valor e atrair empresas chinesas para produzir localmente, inclusive por meio de joint ventures.

A ideia seria aproveitar o capital e a experiência chineses para desenvolver no Brasil setores como veículos elétricos, baterias e comércio eletrônico, em vez de manter uma relação restrita à exportação de produtos agrícolas e minerais. Para a região noroeste paulista, isso poderia significar novas oportunidades de negócios, parcerias e geração de empregos qualificados, desde que haja articulação entre setor público e privado.

Impacto no comércio do interior paulista

A desaceleração chinesa e a mudança de seu modelo econômico têm reflexos diretos no comércio e na indústria do interior de São Paulo. Cidades como Araçatuba, Penápolis e Andradina, com forte base agroindustrial, podem sentir os efeitos da menor demanda chinesa por commodities, mas também podem se beneficiar de uma eventual aproximação tecnológica e de investimentos.

Entidades como ACSP, CDL e Sebrae podem orientar empresários locais a se prepararem para esse novo cenário, buscando capacitação, diversificação de produtos e parcerias internacionais. A transição chinesa, embora dolorosa no curto prazo, pode abrir janelas para que o Brasil deixe de ser apenas fornecedor de matérias-primas e passe a integrar cadeias globais de maior valor.

Para os negócios da região, o momento exige atenção às tendências globais e planejamento estratégico. A fonte não detalhou prazos ou medidas específicas para o Brasil, mas o cenário descrito pelo especialista indica que a relação sino-brasileira está em um ponto de inflexão.

Perguntas Frequentes

Por que a transição econômica da China pode ser dolorosa para o crescimento do país?

Segundo Hongbin Li, codiretor do Centro de Economia e Instituições da China da Universidade de Stanford, quando um país passa por uma grande transformação, normalmente o crescimento diminui. Ele considera que um crescimento de 4,5% ao ano no longo prazo seria muito saudável para a China.

Como a mudança no modelo econômico chinês afeta o setor imobiliário e o consumo?

A mudança de modelo econômico ajuda a explicar a crise do setor imobiliário, com queda significativa nos preços dos imóveis em grandes cidades como Pequim, Xangai e Shenzhen. Além da perda de riqueza, a retração nas compras de imóveis reduz o consumo associado à habitação, como reformas, móveis e eletrodomésticos.

De que forma a transformação econômica da China pode alterar a relação comercial com o Brasil?

A transformação pode abrir espaço para uma relação mais sofisticada entre Brasil e China, com potencial para o Brasil subir na cadeia de valor e atrair empresas chinesas para produzir localmente, inclusive por meio de joint ventures. A ideia é aproveitar capital e experiência chineses para desenvolver setores como veículos elétricos, baterias e comércio eletrônico, em vez de manter uma relação restrita à exportação de commodities.

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