Endividamento das famílias cresce menos no governo Lula que no de Bolsonaro

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Endividamento famílias Lula cresce menos que Bolsonaro

O endividamento das famílias brasileiras tornou-se um dos temas centrais do debate eleitoral. Dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e da Serasa mostram que a inadimplência avançou de forma desigual nos últimos governos. Enquanto no governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) o total de famílias inadimplentes cresceu 12%, na gestão de Jair Bolsonaro (PL) esse número avançou 35%.

Os números, divulgados recentemente, revelam um cenário complexo para empresários e comerciantes, especialmente no interior paulista, onde o crédito e o consumo das famílias são motores da economia local. A comparação entre as gestões, porém, exige cautela metodológica, como apontam especialistas.

Metodologias distintas geram números diferentes

Os levantamentos da CNC e da Serasa adotam metodologias diferentes. A CNC considera o número de famílias inadimplentes, enquanto a Serasa contabiliza CPFs. Pelos dados da Serasa, o total de pessoas inadimplentes saiu de 59 milhões em 2016, chegou a 59,7 milhões em 2018, subiu para 65,2 milhões em 2022 e alcançou 84 milhões neste ano.

Já o levantamento da CNC é feito em capitais do País e no Distrito Federal. Em números absolutos, aponta que hoje há 5,5 milhões de famílias inadimplentes. No fim do governo Bolsonaro — gestão marcada pela pandemia —, eram 4,9 milhões e, no fim da presidência de Michel Temer, 3,6 milhões.

Essa diferença de escopo explica parte das divergências entre os indicadores. Para o comércio de Araçatuba e região, compreender qual métrica reflete melhor a realidade local é essencial para planejar vendas a prazo e políticas de crédito.

Trajetória da inadimplência nos últimos governos

Em dezembro de 2015, na gestão Dilma Rousseff, o percentual de famílias inadimplentes era de 23,2%. O número caiu para 22,8% em dezembro de 2018, no governo Michel Temer. Com Bolsonaro, subiu para 30% em dezembro de 2022 e, com Lula, caiu para 29,6% em setembro deste ano.

Os dados mostram que, apesar do aumento absoluto no número de famílias inadimplentes sob Lula, a proporção em relação ao total de famílias recuou ligeiramente. Isso pode indicar uma estabilização, mas ainda preocupa setores que dependem do consumo das famílias.

Lei do Superendividamento e mínimo existencial

Desde 2021, a Lei do Superendividamento determina que uma parcela da renda do consumidor endividado seja preservada para despesas básicas, como alimentação e moradia. É o chamado “mínimo existencial”. O restante da renda pode ser considerado na renegociação e no pagamento das dívidas.

Para o defensor público, uma forma de enfrentar o problema seria editar um decreto para que o “mínimo existencial” deixasse de ser um valor fixo e passasse a considerar o tamanho e as características de cada família. O valor também seria corrigido pela inflação ou acompanharia o reajuste do salário mínimo.

Essa mudança poderia afetar diretamente a capacidade de pagamento dos consumidores e, consequentemente, o fluxo de caixa de pequenas e médias empresas que vendem a prazo.

Defasagem entre dívida e inadimplência

O cientista político lembra que muitas dívidas são contraídas durante um governo, mas a inadimplência só aparece nos seguintes. A Serasa indica que, dos atuais 84 milhões de inadimplentes, 42% estão nessa situação desde antes de 2016.

Esse dado é crucial para interpretar as estatísticas: parte do endividamento atual pode ter origem em políticas de crédito de gestões anteriores. Para o empresário do noroeste paulista, isso significa que o risco de calote pode estar associado a um histórico de endividamento mais longo, e não apenas à conjuntura atual.

Impacto para o comércio do interior paulista

Em cidades como Araçatuba, Birigui, Penápolis e Andradina, o comércio varejista depende fortemente do crédito ao consumidor. O aumento da inadimplência reduz o poder de compra e eleva a inadimplência nas carteiras de crediário, pressionando as margens dos lojistas.

Entidades como a Associação Comercial e Empresarial de Araçatuba (ACIA) e o Sebrae podem orientar os empresários sobre políticas de crédito mais criteriosas e renegociação de dívidas. A adoção de ferramentas de análise de crédito e a diversificação de formas de pagamento tornam-se ainda mais relevantes nesse cenário.

A fonte não detalhou projeções futuras, mas o acompanhamento dos indicadores é recomendado para o planejamento empresarial.

Perguntas Frequentes

Qual foi o crescimento da inadimplência de famílias no governo Lula em comparação ao governo Bolsonaro?

No governo Lula, o total de famílias inadimplentes cresceu 12%, enquanto no governo Bolsonaro avançou 35%, segundo a CNC.

Quantas famílias estão inadimplentes atualmente no Brasil, segundo a CNC?

Atualmente, há 5,5 milhões de famílias inadimplentes, conforme levantamento da CNC em capitais e no Distrito Federal.

O que é o ‘mínimo existencial’ previsto na Lei do Superendividamento?

É a parcela da renda do consumidor endividado preservada para despesas básicas, como alimentação e moradia, conforme a Lei do Superendividamento desde 2021.

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