Oposição a data centers cresce no Brasil e alerta setor

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Oposição a data centers cresce no Brasil e alerta setor

A oposição a data centers cresce no Brasil e acende alerta em empresas. A rápida expansão de grandes data centers nos Estados Unidos tem transformado esses empreendimentos em alvos de protestos e da oposição de diferentes segmentos da sociedade. Pesquisas mostram que a maioria da população se opõe à construção dessas inf. O cenário brasileiro ainda não é de sinal vermelho, mas já exige cautela.

Sinal amarelo para investimentos no setor

“O cenário está mudando, e as empresas vão precisar ter uma nova abordagem a partir de agora. Não é um sinal vermelho como nos EUA, mas é um sinal amarelo. É bom porque nos obriga a avançar com mais cautela, mas há uma janela de oportunidade para investimentos”, diz Gutierrez. A declaração reflete a percepção de que o crescimento acelerado pode gerar atritos locais.

Luis Tossi, vice-presidente da Associação Brasileira de Data Center (ABDC), observa empresas do setor tentando se aproximar de comunidades locais para negociar benfeitorias junto com a implementação de projetos. Essa aproximação busca reduzir resistências e garantir apoio social aos empreendimentos.

Exemplos de bloqueios nos EUA e no Brasil

Nos Estados Unidos, pelo menos 106 projetos de data centers foram bloqueados ou adiados por oposição de comunidades locais no primeiro semestre de 2026, segundo a consultoria 10a Labs. O dado ilustra a dimensão do desafio enfrentado pelo setor em mercados maduros.

No Brasil, uma ação parecida do Ministério Público Estadual afeta um projeto da Elea Data Center em Belém, ainda em desenvolvimento. A empresa afirma colaborar com o órgão e seguir todos os processos de licenciamento. A fonte não detalhou o andamento atual do caso.

Crescimento acelerado e potencial brasileiro

Mesmo pequeno, o setor brasileiro ficou seis vezes maior desde 2012, segundo a multinacional de serviços imobiliários JLL, e 2026 caminha para recorde de novas entregas, com investimentos previstos de US$ 8 bilhões. O tamanho do mercado consumidor, a demanda global puxada pela IA e a matriz elétrica majoritariamente limpa colocaram o Brasil como potencial polo de atração. O tema apareceu até no discurso de vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no domingo (25).

A Brasscom, associação de empresas de tecnologia da informação, projeta que o mercado deve triplicar até 2031, com potencial de R$ 92 bilhões em investimentos. Esses números reforçam a importância econômica do segmento, mas também aumentam a pressão por infraestrutura e aceitação social.

Disputa por energia e regras mais rígidas

Os data centers já disputam espaço na rede com outras indústrias. No primeiro leilão da Política Nacional de Acesso ao Sistema de Transmissão (Pnast), em outubro, três data centers em São Paulo levaram todos os 228 MW disponíveis. Tossi, da ABDC, atribui isso à expansão em meados da década de 2010, durante a crise hídrica em São Paulo, que concentra os empreendimentos no país. “O mercado americano é muito mais liberal, é uma realidade muito diferente do Brasil”, diz.

Para ter acesso ao Redata, os projetos precisarão de eficiência hídrica igual ou inferior a 0,05 litro por kWh. A regulamentação também deve fixar um índice de eficiência energética, que pode variar conforme o clima de cada região. As associações também destacam que o Brasil é deficitário em serviços digitais e “importa” processamento de dados, o que levanta preocupações de soberania digital. O Redata prevê que as empresas beneficiadas destinem ao menos 10% do processamento de dados ao mercado interno.

Perguntas Frequentes

Por que a oposição a data centers está crescendo no Brasil?

A oposição cresce devido à rápida expansão dos data centers, que gera preocupações com consumo de água, energia e impacto nas comunidades locais, levando a protestos e ações do Ministério Público, como no caso da Elea Data Center em Belém.

Quantos projetos de data centers foram bloqueados ou adiados nos EUA por oposição local?

Pelo menos 106 projetos de data centers foram bloqueados ou adiados por oposição de comunidades locais no primeiro semestre de 2026, segundo a consultoria 10a Labs.

Qual é a projeção de investimentos em data centers no Brasil até 2031?

A Brasscom projeta que o mercado deve triplicar até 2031, com potencial de R$ 92 bilhões em investimentos.

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