Dólar abre em alta e Ibovespa cai pelo sexto dia

Crédito: UOL Economia
O dólar iniciou o mês de novembro em alta, cotado a R$ 5,483 às 10h22, avanço de 0,71% sobre o fechamento anterior. O movimento ocorre após a moeda americana registrar na semana passada a maior valorização semanal desde outubro de 2008, com salto de 9,04%. O Ibovespa, por sua vez, engata a sexta queda consecutiva, com os olhares voltados à decisão do Copom e às incertezas fiscais.
Para empresários e comerciantes do noroeste paulista, a pressão cambial eleva custos de insumos importados e pressiona margens, especialmente em setores como vestuário, eletroeletrônicos e autopeças. A cautela com as contas públicas e a indefinição sobre a equipe econômica do próximo mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mantinham a procura por proteção, conforme apontam analistas.
Projeções para o dólar sobem no Focus
O Relatório Focus divulgado nesta terça-feira pelo Banco Central elevou a estimativa para o fechamento de 2026 de R$ 5,05 para R$ 5,34. As previsões também aumentaram para 2027, de R$ 5,15 para R$ 5,40; para 2028, de R$ 5,20 para R$ 5,40; e para 2029, de R$ 5,28 para R$ 5,45.
Essa revisão reflete a percepção de um dólar estruturalmente mais alto nos próximos anos, o que tende a encarecer produtos importados e pode alimentar a inflação. Para o comércio local, a expectativa é de repasse gradual aos preços, com impacto direto no poder de compra do consumidor.
Juros futuros e Selic em foco
O mercado passou a prever juros acima de 10% até o fim de 2029. A estimativa para a Selic no encerramento de 2027 aumentou de 11,75% para 12,50%. Para 2028, subiu de 10% para 11%, e para 2029, de 10% para 10,25%.
Juros futuros mais longos também subiam. Às 15h01, a taxa do contrato com vencimento em janeiro de 2029 estava em 15,165% ao ano, enquanto a de janeiro de 2031 marcava 15,495%. A alta ocorria em meio às dúvidas fiscais e à piora das projeções de inflação.
Para pequenas e médias empresas, o custo do crédito deve permanecer elevado, dificultando investimentos e capital de giro. A decisão do Copom, que iniciou reunião nesta terça-feira, divide analistas: parte espera manutenção da Selic em 13,75%, enquanto outros preveem corte de 0,25 ponto percentual.
XP projeta Selic estável até 2027
Em relatório divulgado nesta terça-feira, a XP passou a prever manutenção da Selic em 13,75% até o fim de 2027. A equipe de macroeconomia citou a desvalorização do real, o petróleo elevado e o aumento das expectativas de inflação como fatores que exigem cautela, apesar da desaceleração da atividade econômica.
A elevação das expectativas de inflação — especialmente para horizontes mais longos, como 2029 — exige uma resposta de política monetária para evitar deterioração adicional à frente, afirma a XP em relatório. Esse cenário reforça a necessidade de planejamento financeiro por parte dos empresários da região.
Ibovespa amplia perdas e ações caem
O Ibovespa encerrou outubro com queda de 9,88%, pressionado principalmente pela reversão das apostas eleitorais na última semana do mês. Nesta terça-feira, chegou a recuar 2,07%, à mínima de 164.446,53 pontos, antes de reduzir parte das perdas.
Entre as maiores quedas do dia, Cogna liderava as perdas do índice. As ações ordinárias da companhia (COGN3) caíam 10,13%. Também recuavam os papéis ordinários da CSN Mineração (CMIN3), em 6,17%; da PRIO (PRIO3), em 4,07%; e da Tenda (TEND3), em 4,05%. As cotações ainda eram parciais.
Para investidores locais, a volatilidade na bolsa afeta fundos de investimento e previdência privada, com reflexos no planejamento de longo prazo de empresários e profissionais liberais.
Ministro da Fazenda comenta plano econômico
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta terça-feira que as propostas de Lara Resende têm “várias deficiências” e não estão sendo discutidas com Lula. A declaração busca reduzir ruídos sobre mudanças na política econômica, mas não elimina a cautela do mercado.
Para o comércio do interior paulista, a indefinição sobre a equipe econômica e as contas públicas segue como fator de risco, influenciando decisões de estoque, contratações e investimentos. A recomendação de entidades como ACSP e CDL é de cautela e revisão de orçamentos.
Perguntas Frequentes
Qual foi a cotação do dólar em 3 de novembro de 2026?
Às 10h22, o dólar avançava 0,71% e era comercializado por R$ 5,483.
Por que o Ibovespa caiu em 3 de novembro de 2026?
O Ibovespa engatou a sexta queda consecutiva, com os olhares à cautela com as contas públicas e à indefinição sobre a equipe econômica do próximo mandato de Lula.
Quais ações lideraram as perdas no Ibovespa em 3 de novembro de 2026?
Cogna (COGN3) liderava as perdas com queda de 10,13%, seguida por CSN Mineração (CMIN3) com 6,17%, PRIO (PRIO3) com 4,07% e Tenda (TEND3) com 4,05%.




























