Ideias de André Lara Resende para Lula preocupam equipe

Crédito: Valor Econômico
As ideias do economista André Lara Resende, que têm sido apresentadas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva como possível agenda para o seu quarto mandato, preocupam integrantes da equipe econômica devido aos possíveis impactos desestabilizadores no mercado financeiro, mesmo que no fim elas não venham a ser implantadas. O temor é que a simples discussão dessas propostas já gere volatilidade e afete a confiança dos investidores.
Propostas geram temor no mercado financeiro
Nas discussões de bastidores do governo, integrantes da equipe econômica têm argumentado que uma baixa de juros que seja entendida pelo mercado como artificial levará a uma forte fuga para a moeda estrangeira e à saída de posições em títulos públicos. Esse movimento poderia desencadear uma desvalorização cambial e pressionar a inflação, comprometendo a estabilidade econômica.
Lara Resende, em um texto publicado na plataforma de newsletters Substack, prevê esses impactos no curto prazo e defende que o Banco Central utilize as suas reservas internacionais para conter a alta do dólar. No entanto, a equipe econômica vê riscos nessa estratégia.
Reservas internacionais sob risco
Integrantes da equipe econômica têm argumentado, porém, que os US$ 372,6 bilhões em reservas internacionais seriam consumidos rapidamente caso o Banco Central resolvesse se contrapor a uma eventual fuga de capitais do Brasil. A perda dessas reservas enfraqueceria a capacidade do país de enfrentar choques externos.
Além disso, a equipe alerta que, no caso da adoção do modelo defendido por Lara Resende, o Brasil poderia perder rapidamente uma das principais linhas de defesa de sua economia: as reservas internacionais, que foram acumuladas nos dois primeiros mandatos do presidente Lula. Essa perda teria consequências graves para a credibilidade do país.
Transição traumática e risco inflacionário
Economistas do governo, porém, têm alertado que essa transição poderá ser traumática. Há algum tempo, esses títulos pós-fixados, as Letras Financeiras do Tesouro (LFTs), já são negociados com deságio. Isso significa que o mercado exige um prêmio a mais para comprá-los devido ao risco de crédito.
Nessas circunstâncias, a única saída seria a emissão de dinheiro pelo Banco Central e a entrega de recursos ao Tesouro Nacional. Essa emissão monetária é um passo em direção à hiperinflação, com as despesas do Tesouro sendo financiadas pela fábrica de dinheiro do BC.
Incertezas pesam nos mercados
O noticiário de que as ideias de Lara Resende têm sido levadas ao presidente Lula faz o mercado contemplar, entre os vários cenários possíveis, que haja uma ruptura extrema na direção da política econômica do governo. Essa incerteza já se reflete nas cotações e nas expectativas dos agentes financeiros.
Durigan, em declaração ao Valor, disse que diversos economistas entraram em contato com ele e com o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, para se colocarem à disposição para dialogar. Ainda assim, não está claro, por enquanto, quem vai vencer essa disputa.
Pressão sobre juros e dívida pública
Mas as incertezas já pesaram bastante nos mercados na semana passada, levando a uma alta na cotação do dólar e a forte pressão na inflação implícita em títulos públicos, que provavelmente contaminará as expectativas de inflação do mercado. Esse cenário eleva o custo de financiamento do governo.
Tudo isso coloca mais pressão na despesa com juros do governo e torna mais penoso o ajuste nas contas públicas que seria necessário para conter o rápido avanço da dívida pública. Para o comércio e a indústria do interior paulista, juros mais altos e câmbio volátil podem encarecer crédito e insumos, afetando o planejamento das empresas.
Perguntas Frequentes
Por que as ideias de André Lara Resende preocupam a equipe econômica do governo Lula?
As ideias preocupam devido aos possíveis impactos desestabilizadores no mercado financeiro, mesmo que não sejam implantadas, pois podem levar a uma fuga para moeda estrangeira e saída de posições em títulos públicos.
O que André Lara Resende propõe para conter a alta do dólar caso suas ideias sejam adotadas?
Lara Resende defende que o Banco Central utilize as reservas internacionais para conter a alta do dólar, mas a equipe econômica argumenta que os US$ 372,6 bilhões em reservas seriam consumidos rapidamente em uma eventual fuga de capitais.
Quais seriam as consequências de uma baixa artificial de juros segundo a equipe econômica?
Uma baixa de juros entendida como artificial pelo mercado levaria a uma forte fuga para moeda estrangeira, saída de posições em títulos públicos e, se o Tesouro precisar ser financiado pelo BC, emissão monetária que é um passo em direção à hiperinflação.




























