Recessão na Argentina de Milei: economia recua e desgasta

Crédito: Brasil 247
Recessão se aprofunda e atinge consumo
A economia argentina dá sinais de recessão e amplia desgaste de Milei antes da eleição de 2027. Queda do consumo, fechamento de 32,3 mil empresas e retração industrial aprofundam dificuldades econômicas, enquanto desaprovação do presidente chega a 56%. A combinação de austeridade fiscal, juros elevados e abertura às importações tem pressionado a atividade produtiva e o bolso dos argentinos.
Dados do Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec) mostram que, em agosto, a produção industrial diminuiu 3,2% em relação ao mesmo mês de 2025. No período, o comércio atacadista e varejista registrou queda de 3,5%, enquanto a construção civil recuou 2,5%. Esses números refletem um cenário de retração generalizada, que afeta desde grandes indústrias até pequenos negócios de bairro.
O enfraquecimento do consumo agrava esse quadro. Segundo a empresa de pesquisas Scentia, as vendas monitoradas em supermercados, pequenos estabelecimentos comerciais e plataformas digitais caíram 2,7% nos primeiros nove meses de 2026, na comparação com igual intervalo do ano anterior. A redução das compras tem impacto particularmente significativo na Argentina, onde o consumo das famílias representa aproximadamente dois terços do PIB. Assim, qualquer retração nesse componente tende a frear o crescimento de forma imediata.
Para empresários e comerciantes, o momento exige cautela. A queda na demanda interna reduz o giro de estoques e pressiona margens, especialmente em setores dependentes de renda local. A transição para um ambiente de juros altos e importações mais baratas pode beneficiar alguns segmentos, mas penaliza a indústria nacional e o varejo de proximidade.
Indústria e comércio sentem o baque
As dificuldades enfrentadas pela indústria argentina podem ser observadas na Eseka, fabricante familiar de roupas íntimas, meias e moda praia, responsável pelas marcas Cocot e Dufour. Embora mantenha uma produção próxima de 3 milhões de peças mensais, a companhia registrou uma queda de aproximadamente 40% nas vendas desde a chegada de Milei ao poder. A empresa também acumulou prejuízos no ano passado e reduziu cerca de 30% de seus funcionários. Mais da metade das máquinas utilizadas na fabricação de meias está parada.
“A situação é crítica”, afirmou Ricardo Kuchikian, proprietário da companhia ao lado do irmão Gustavo. O empresário atribui as dificuldades à combinação de menor procura pelos produtos e aumento da concorrência estrangeira. “O consumo caiu muito acentuadamente nos últimos três anos”, declarou. Esse relato ilustra o impacto direto da política econômica sobre a produção local e o emprego formal.
Outra empresa familiar afetada é a Dakuba, distribuidora de tecidos. Seu diretor, Martin Abigador, relatou uma redução semelhante no faturamento. A fonte não detalhou o percentual exato, mas o cenário é consistente com a retração do varejo e da indústria têxtil. Para o comércio do interior paulista, que muitas vezes importa insumos ou concorre com produtos argentinos, a recessão no país vizinho pode abrir oportunidades de exportação, mas também reduzir a demanda por bens de consumo duráveis e semiduráveis.
Desgaste político e cenário eleitoral
O enfraquecimento da atividade econômica representa um desafio para Milei, que deverá disputar a reeleição em outubro de 2027. Pesquisa da consultoria Giacobbe y Asociados mostrou que sua aprovação recuou para 36% em outubro, enquanto a desaprovação atingiu 56%. Esse desgaste reflete a insatisfação de parte da população com os efeitos da austeridade e da abertura comercial.
Para o setor produtivo, a incerteza política adiciona risco ao planejamento de médio prazo. Empresas que dependem de políticas de crédito, subsídios ou acordos comerciais podem adiar investimentos até que o cenário eleitoral se defina. A queda na aprovação presidencial também pode influenciar a confiança do consumidor, que tende a segurar gastos em momentos de instabilidade.
No noroeste paulista, a recessão argentina pode ter efeitos indiretos. A região tem laços comerciais com o Mercosul, especialmente nos setores de calçados, alimentos e máquinas agrícolas. Uma retração no consumo argentino reduz a demanda por produtos brasileiros, afetando exportadores locais. Por outro lado, a desvalorização do peso pode tornar os produtos argentinos mais baratos no mercado brasileiro, acirrando a concorrência para indústrias de Birigui, Penápolis e Araçatuba.
Perspectivas para os negócios
Diante desse quadro, associações comerciais e entidades como ACSP, CDL e Sebrae recomendam cautela e diversificação de mercados. Para empresas que exportam à Argentina, é prudente revisar contratos e buscar novos compradores. Para as que importam insumos, o câmbio pode trazer alívio, mas a demanda interna fraca exige ajuste de estoques.
O fechamento de 32,3 mil empresas na Argentina sinaliza um ambiente hostil para pequenos negócios. No Brasil, especialmente no interior paulista, a lição é clara: depender de um único mercado ou de crédito barato pode ser arriscado. A diversificação de clientes, a gestão eficiente de caixa e o monitoramento de indicadores macroeconômicos tornam-se essenciais.
Enquanto a economia argentina não encontrar um equilíbrio entre ajuste fiscal e crescimento, a pressão sobre o consumo e a indústria deve persistir. Para Milei, reverter a desaprovação de 56% exigirá resultados concretos na geração de emprego e renda. Até lá, empresários dos dois lados da fronteira seguirão atentos aos próximos capítulos dessa crise.
Perguntas Frequentes
Quais são os principais sinais de recessão na economia argentina sob o governo de Javier Milei?
A produção industrial caiu 3,2% em agosto de 2026 em relação ao mesmo mês de 2025, o comércio atacadista e varejista recuou 3,5% e a construção civil diminuiu 2,5%, segundo o Indec. Além disso, 32,3 mil empresas fecharam e as vendas monitoradas caíram 2,7% nos primeiros nove meses de 2026.
Como a queda do consumo está afetando a economia argentina e a popularidade de Milei?
O consumo das famílias representa cerca de dois terços do PIB argentino, e sua queda acentuada tem impacto significativo. A desaprovação do presidente Milei atingiu 56% em outubro, enquanto sua aprovação recuou para 36%, segundo pesquisa da Giacobbe y Asociados.
Quais empresas argentinas foram afetadas pela recessão e quais foram os impactos?
A Eseka, fabricante de roupas íntimas e meias, registrou queda de 40% nas vendas desde a chegada de Milei ao poder, acumulou prejuízos e reduziu 30% dos funcionários. A distribuidora de tecidos Dakuba também relatou redução semelhante no faturamento.




























